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sábado, 23 de janeiro de 2010

de se perder



Daí que eu viajo e me perco na vida. Parece que toda vez é assim: eu vejo montes de coisas bonitas, feias, estranhas, diferentes e na hora de sintetizar o esquema, botar no papel [ou no bloco de notas do Windows] todas as teorias que eu desenvolvi ao longo do passeio... puff! Foi tudo embora com a água da chuva.

Já há alguns dias eu me sento na frente do computador -  já foram quatro diferentes - e começo a escrever. Um fica muito triste, o outro muito revelador, outro bobo demais, um ainda, sem nada de agradável. Quer dizer... vou matar? Hoje, no entanto, ser cobrada me trouxe uma sensação de urgência em escrever. Nem que fosse um apanhado de trechos nos rascunhos, já que os papeizinhos de anotações aleatórias estão todos na outra escrivaninha, provavelmente atravancando a vida alheia. 
Ouvi música, assisti The Big Bang Theory, falei sobre Lost, fui conversar com a minha mãe, ouvi música, comi, joguei Spider, assisti Larica Total, mais música e me veio um comentário que tem ecoado na cabeça desde que o ouvi:
"Claro que as pessoas ficam com medo. Você fica aí com cara de brava, desfilando essa tromba..."
Hm hummm...
Primeira coisa: eu tenho cara de mal humorada, isso é fato. Se eu não estiver sorrindo, meu semblante é sério, de gente brava, segundo consta - não me olho tanto no espelho pra saber por mim mesma. Acho que herdei isso do meu avô. Assim como " a tromba", um dos centros de gracinhas familiares, já que 98% da galera de casa não precisa fazer manha pra ostentar um fabuloso bico. A brincadeira das dores de cabeça mais fodidas da vida também não colabora. Nem essa sensação de estar numa corda-bamba.
É isso.
Talvez seja a razão do meu incômodo constante: a impressão de estar numa corda-bamba e, olha, o que me espera, se eu cair, não é nem um pouco interessante. A angústia de querer resolver tudo e não dar conta - e não me venha com "Você tentou e isso que é importante!", porque eu nunca fui a mais competitiva e perder não me parece a pior coisa do mundo, mas uma hora a gente tem que acertar. Uma hora tem que dar uma dentro, tem que fazer gol. Se não, as paredes construídas a custo de muito suor e noites insones começam a  desabar e aí, outro 2009 na cabeça.Coisa que a gente não quer. Certo?
Certo.

Nessas de analizar meu próprio humor e a maneira como me relaciono com as pessoas, chego a duas conclusões. Uma bastante óbvia e outra bem surpreendente.
A óbvia: quem tá perto de mim se ferra. Acabo sendo lacônica demais, grosseira, babaca, mesmo. Depois me sinto mal, mas o orgulhão aqui, ó, não me deixa pedir desculpas. Até porque ainda não tô pronta, já que a tendência é não melhorar muito. Daí as desculpas ficam parecendo tentativa vaga de diplomacia. Não. Dá não.
A surpreendente: meus alunos não sofrem tanto. Num dia de absoluta confusão mental, raiva desconcertante, tristeza galopante e alergia, precisava dar uma aula, uma aulinha só. No caminho consegui pensar por uns instantezinhos no pobre do menino, que não teria de mim a melhor aula do mundo. Cheguei lá, forcei um sorriso e dei, provavelmente, a melhor aula que ele já teve comigo. Piada, brincadeira pra ele lembrar da matéria, conversa com a mãe, e o diabo a quatro. Saí do apartamento, desejei boa prova, entrei no elevador e o mundo caiu no meu ombro de novo. Quando me lembrei disso mais tarde fiquei na dúvida entre profissionalismo, bipolaridade e uma incrível capacidade de dissimulação. Aceito sugestões.
Já sem muitas conclusões fica a minha dúvida: fazer de conta que tá tudo bem em prol do bom convívio, ou volto pro meu casulo?

A verdade verdadeira é que meu ano tá começando pra valer agora e tem uma ondinha de covardia querendo me tomar. Nessa parte não vou me alongar, que as minhas fraquezas já são bem incômodas sem que eu as jogue na roda.

Eu queria, sem nenhum pudor, era voltar um pouquinho no tempo, permanecer lá por mais uns dias. O suficiente pra enjoar do calor - coisa rápida pra mim -, dos iogurtes da praia e do ambiente. Só.



Nesse esquema,  mas com menos sol, que o chapéu aí não é enfeite. ¬¬

11 comentários:

Ana Cristina Quevedo disse...

Voto no profissionalismo.


Só acho que voce se cobra demais.

=)

Tati disse...

Eu também sou bicuda. Não só pelo tamanho da boca, sou emburrada mesmo! E tendo a ser grosseirona, chata... Estava conversando sobre isso com um amigo esses dias. Eu precisei perder namorado (não só por isso, mas colaborou) e amigos prá perceber que eu sou assim por que na maioria do tempo não acho certo gostarem de mim, já que eu mesmo não me gosto. Então tratava mal as pessoas que eram gentis comigo, achava que elas eram bobas por gostar de mim, que eu não merecia amor de ninguém. E assim como você que trata bem seus alunos, eu tratava bem só quem estava de fora. Quem me amava mesmo eu tratava mal. Quando percebi isso, tentei mudar. Ainda tento, é todo dia. Não que eu me adore agora, na verdade dentro de mim as coisas mudaram pouco. Mas eu tento dar uma chance prás pessoas.

Se você for ver tem um mundo todo aí fora que te ama, te admira e te quer por perto. Descobri que vale a pena dar uma chance. Não sei se esse é exatamente o seu caso, mas enfim. ^_^

Cachorro de 3 pernas disse...

Well, como já dizia aquele ditado antigo "você não vale nada, mas eu gosto de você"
Mesmo vc tendo dores de cabeças qdo eu falo alto ou quando o papo na casa dos outros tá legal :P

marina disse...

se nao fosse plágio. eu colaria seu post no meu blog. mas soaria um pouco... plágio?
é que você falou tudo o que eu nao consigo mais escrever no meu largado e empoeirado blog. e da melhor maneira possivel, como pode?
estou com saudades. de verdade. nao sei porque, mas estou com saudades da mayra. ;*

Priscilla Bonfim disse...

1º Nem sempre me ferrei ao estar ao seu lado!! (geralmente tava do msm jeito)

2º Dando aula? Professorinha? (achei q só isso me pertencia!)

3º Definitivamente outro 2009 NÃO...

então reage fiote!!!! Aff...

Raissa disse...

Pois é, eu nunca fui de "fazer de conta que tá tudo bem em prol do bom convívio", companheiro Osvaldo já jogou isso na cara.
Não consigo fingir e acho q até esqueço de tentar.
Mas acho q eu não fico com cara de brava, ou fico? Acho que eu fico com olheiras...
Mas todo mundo vai dizer q vc não deve se encasular: ser mais profissional é melhor pra coletividade!
Ah, vou aproveitar o post então e desejar um 2010 muito gostoso pra vc!

Brenda de Oliveira disse...

Mayroca!
Voooltei à escrever.
:B

E essa sua foto é invejável.
Oh, yeah!
;*

Toni Barros disse...

Só passei pra dizer que tô com saudades.


E também estou com um bloqueio pra escrever, faz meses que estou com uma ideia de post na cabeça que não consigo escrever de jeito nenhum.

Nathie disse...

Vou te contar uma coisa, eu acho super divertido quando o Gabriel diz que a gente vai na sua casa (dentre guloseimas, musiquinhas legais, e filmes engraçados, sua companhia é muito das agradáveis, dona Mayra, e tenho dito. Não convivo com vc, mas, com quem mesmo que é fácil conviver? ou eu me restringi a ser e conviver com gnt difícil, ou todo mundo é meio assim, dentre defeitos mais ou menos visíveis.

Corrigir-se é bom, mas ñ se sobrecarregue tanto...apelo pra Lispector: "Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro!"


P.s: Aquela frase absoluta "claro que as pessoas...", tá muito absoluta. prontofalei. ;]

Cris disse...

Me identifiquei com esse texto, além de ter cara de séria, sou considerada mandona também ... o que gera uma retração inicial nas pessoas. Esses dias alguém no twitter falou que eu parecia doce, quase caí da cadeira, não é a imagem que tenho quando me conhecem pessoalmente. Bipolaridade? Personalidade múltipla? Enfim, somos mulheres, somos lunares, somos OMO Fases :) bjs

Eduardo F. disse...

Metade de minhas ideias tambem ficam pelo caminho...bolsa para guardar ideia já! rs
abraço