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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

das justificativas



Eu me justifico, tu te justificas, as pessoas se justificam. 
Elas se justificam e, no afã por serem compreendidas, perdoadas e amadas, usam de cada desculpa esfarrapada que qualquer criança apontaria o dedo fazendo PPPFFFFF! Os motivos apresentados - claro que isso não acontece todas as vezes e claro que eventualmente a gente é mal interpretado blá, blá, blá. Eu tô falando é de gente que se justifica por coisas injustificáveis - tendem a provocar riso ou choro, a depender do humor de quem os ouve. 
Um exemplo: Fulaninho é famoso, tem uma conta no site de relacionamentos tuínter e um  fã faz um comentário que o desagrada. Fulaninho vai lá e solta os cachorros em cima do coitado que tinha boa intenção - tô trabalhando com uma personagem não-troll e não babaca, pra teoria funcionar. Fulaninho possivelmente sentiu-se mal com a babaquice do ídolo. E a gente sabe: decepcionar-se com ídolo é uma facada no coração. O fã envia um e-mail explicando simpaticamente o que queria dizer e Fulaninho se desculpa, diz que aconteceu a tragédia X na vida dele e que por isso não está muito bem.
Fulaninho pode ter problema na vida? PODE.
Fulaninho tem o direito de ser escroto com alguém que não tem coisa alguma a ver com o problema? NÃO.

Mas, Mayra! Você mesma já foi grossa com alguém simplesmente porque estava mal pacaralho.
SIM.
Já fiz e me lembro muito bem de chamar a pessoa de lado, pedir desculpas e mencionar que não foi proposital, o calor do momento provocou aquela onda bonita de maleducação. O que eu fiz foi exatamente o que Fulaninho fez, olha só. A única diferença foi que eu procurei a vítima da minha grosseria assim que o surto de ódio passou. E foi por isso que ali no começo eu conjuguei o verbo. Todo mundo faz isso num momento ou em outro. Cabe a cada um reparar se isso é pontual ou constante, se não é agressivo demais, se não afasta as pessoas, se não é escrotidão em excesso. Vamos lá, é facílimo ser um babaca e depois falar que 'ah, eu tava de cabeça quente' ou 'tenho tantos problemas'!

Meusa, sério: quem não tem problema? Uns são mais sérios, outros bem menos. Eu costumo falar das pessoas "que nunca tiveram um problema de verdade", o que nem é correto, porque se seu único problema na vida foi um arranhão no dedo, no dia em que você se cortar, esse corte vai parecer grandes coisas pra você e absolutamente nada pro cidadão que sofreu um acidente e teve uma fratura exposta no joelho. O problema de cada um é grande pra cada um. É intransponível ou facilmente derrubável de acordo com a ótica de quem sofre por ele. Não adianta bater no ombro da pessoa e dizer 'amigão, isso que você tá passando, eu já vi, já sobrevivi e tô aqui tirando onda'.
Tenho visto um bocado de exemplos de gente que faz do cortezinho no dedo uma fratura exposta. E no hay saco, coragem ou vontade de dar o tapinha no ombro. Por que?
Porque são pessoas que passam a vida  usando o corte no dedo pra justificar a própria cegueira.



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

da estupidez



Eu sempre tive como característica marcante a falta de paciência com pessoas em geral. Gosto de várias. Amo algumas de verdade. E basicamente qualquer ser humano consegue minar minha paciência em minutos, caso ela já não esteja tão boa. A despeito disso, me esforço imensamente para não atingir quem quer que seja com a minha personalidade e meus problemas, sejam eles quais forem, por várias razões. Dentre os motivos está o fato de que qualquer problema meu é meu e, se eu escolho não compartilhá-lo, devo ter a decência de não agredir ninguém com ele. Evidentemente isso não funciona sempre, no entanto me parece importante reforçar a ideia na minha própria cabecinha oca.
O preâmbulo foi para introduzir a conclusão, absolutamente empírica, a que cheguei: algumas pessoas não se importam com isso ou não têm consciência disso. Funciona assim: elas têm seus problemas, reais ou imaginários, decidem guardá-los para si e não dão conta da pressão, liberando-a em cima de quem, na mente desta criatura sofredora, a ameaça. 

Hoje eu presenciei uma cena interessante. Era um grupo de 5 pessoas trabalhando em harmonia e aparentemente em harmonia real, até que uma parte se sentiu ofendida pela ação de uma segunda pessoa. Essa ação consistia no aborrecimento por ter visto seu trabalho de, sei lá, uma hora, ter sido estragado. A pessoa responsável pelo estrago teve as manhas de jogar a culpa em dois colegas diferentes - sendo uma a agredida -, se fazer de vítima, dar chilique escrotizando quem não tinha culpa e ainda ir embora fazendo ceninha, além de deixar boquiabertas todas as aproximadamente 20 criaturas que tiveram o desprazer de ver a gracinha.
Ouvi dizer que houve quem quisesse gritar "ainda bem que eu te dei um pé na bunda, seu grandecíssimo babaca!", mas se controlou em prol da boa imagem, da boa convivência e da falta de saco pra brigar - porque, OI, claro que cidadão se ofenderia bastante e trataria de brigar mais um pouquinho. Tem gente que gosta.

Desequilíbrios à parte, eu acredito no não-escândalo. Acredito na não-lavação de roupa suja em público e acredito na polidez e cortesia, assim como acredito em psiquiatria e que pessoas com os nervos muito alterados deveriam se tratar.
Entendo que determinadas frustrações consumam a alma humana e façam dela uma coisa pequena, mesquinha e babaca. 
Tenho ganas de chamar a pessoa de lado e dizer: meua, cê tá sendo um retardado e afastando todo mundo que poderia querer te ajudar. Se você está sozinho, a culpa é toda sua, porque não há quem aguente a tensão de ser carregado no colo um dia e levar murro no olho no dia seguinte. Apesar disso, não o faço, porque não quero levar na lata também. 
Não conheço quem não tenha problemas. Cada um escolhe como lidar com eles, e deve se resignar a lidar com as consequências dos próprios atos. O saco alheio não deve ser locupletado com as nossas próprias inseguranças, besteiras e idiotices, especialmente se ele não foi oferecido. 

Fora isso, vou bancar a autora de auto-ajuda, como já me aconteceu antes, e dizer que se todas as pessoas ao seu redor têm um problema com você, cê jura que o problema são elas? Mesmo?





sexta-feira, 10 de junho de 2011

das guardas



Fim de relacionamendo pode ser uma coisa complicada - e falo de todos os tipos, não precisa ser necessariamente um envolvimento romântico. Um dos pontos críticos, especialmente se as partes eram amigas antes do tal relacionamento, ou se adquiriram amigos comuns é a guarda desses amigos. Talvez guarda de cachorro seja mais tensa, mas nas separações que já vivi até agora o mais difícil foi a guarda dos amigos - obviamente nunca houve uma criança no meio, então o problema já diminui bastante. Nêgo corre o risco de participar de diálogos insanos. 
_Alô?
_Oi. Tudo bem?
_Tudo. E você, como tá?
_Tô eu. Escuta, eu queria sair com o Júlio esse fim de semana, mas ele me falou que tinha uma pendência com você, qualquer coisa relacionada ao torneio de truco. Não dá pra adiar isso, não?
_E por que eu adiaria? 
_Ué, porque a minha necessidade é mais urgente. E outra coisa: eu deixei a Renata só pra você, não fiquei com ninguém que já era seu amigo antes. Mereço um desconto por ser legal e não cobrar que me visitem tanto quanto te visitam. E eu vou fazer peixe assado, o Júlio adora peixe assado.
_Pára com isso. A Bruna nem fala comigo mais e nós já éramos amigos muito tempo antes de eu te conhecer. Ela claramente preferiu o seu lado.
_Nã, não sei de onde cê tirou isso. Ela nem vem aqui também. Vai, libera o Júlio. Ele passa 3 fins de semana com voc--
_Ah, então há uma disposição em negociar... 
_??
_Eu quero o Mário por um mês. E a Roberta a cada quinze dias.
_A Roberta? Cê nem era assim com ela! Isso é pra me atingir? Roberta a cada quinze dias, mas a Clara é minha por 6 semanas, incluindo o período de férias.
_Seis semanas? Não tá exagerando, não? Cinco. E uma semana das férias é minha. Em troca, a gente pode negociar o Gil.
_Tá demente? O Gil é meu primo, não tem nem discussão nesse caso. 
_Claro que tem, já éramos amigos antes de eu te conhecer, tenho plenos direitos de estar com ele pelo menos uma vez a cada dois meses!
_Beleza, o Gil é seu uma vez a cada dois meses, MAS eu pego sua mãe pra almoçar quando eu bem entender e ela estiver a fim de me ver. E pode arrumar outro parceiro de truco pra esse fim de semana. Boa noite!


É uma possibilidade bizarra, eu sei. O caso é que se você entrou em qualquer tipo de relacionamento, tá correndo o risco de ter uma discussão desse tipo.





sábado, 4 de junho de 2011

das síndromes




Abri a página de postagem, cliquei na área de texto e... esqueci o que ia escrever. Mas, assim, nem sombra passa na minha cabeça. 
Fiquei sabendo que algumas pessoas me acham revoltada. Sou revoltada não, galerë. Sou bem acomodada, pra ser honesta.
Tô com sono, mas com receio de dormir agora, depois de ter comido tanta carne e bebido tantos coquetéis "inventados" essa noite, na tentativa de achar um bom para a prova de bebidas daqui a alguns dias. Já estou entrando em clima de férias e um descanso seria muito bem vindo. Não consigo conviver com tanta gente com Síndrome do Pinto Pequeno sem me incomodar um pouco. Daí eu fui procurar em que post descrevi a síndrome e observei um furo imperdoável: aparentemente ela nunca foi descrita aqui. 
Trata-se de um problema que afeta homens e mulheres [a versão feminina pode ser chamada de Síndrome da Mal Comida], sem distinção de raça, cor, credo, região, aptidão musical, ou mesmo envergadura peniana. A pessoa infectada pela síndrome tem auto-estima muito frágil e, na intenção de disfarçar, veste a máscara do oposto. Torna-se o bambambã em qualquer recinto, mostra seu diploma de tudólogo conseguido na Universidade Paunocu de Chatice com muito mais frequência do que qualquer pessoa de bem desejaria ver, encara qualquer pessoa com uma superioridade cortante. Precisa ser aceita por um grupo e, preferencialmente, ser endeusada por essas pessoas, que obviamente pertencem a casta inferior. 
O portador da síndrome faz os mais ingênuos acreditarem que ele tem tudo sob controle quando é, na verdade, uma bomba-relógio. Não é incomum que essas pessoas enganem meio mundo antes de se ferrarem na vida, no entanto sofrem a vida inteira, sabendo que seu umbigo é imenso o suficiente para atrair a órbita de pequenos planetas e não entendendo o porquê de não haver nem um meteorozinho orbitando ali. Um belo dia ele percebe isso e vai só piorando, como se ser babaca fosse uma forma bacana de atrair pessoas para perto de si.
Você conhece um doente, tenho a mais absoluta certeza. Reconheça-o pelo tom arrogante da voz, pela experiência em marcenaria, budismo, confeitaria, empalhamento de animais, cuidado de pessoas com Arterite de Takayasu, processo de nomeação de cores de esmalte, tricô e tiro ao Álvaro, além da simpatia forçada. A falta de confiança no próprio taco foi sabiamente resumida por uma pessoa, cujo nome não citarei para não ser deselegante: "Ele tem ejaculação precoce e pinto pequeno!" Na verdade havia um terceiro elemento, que me fugiu à memória, mas taí a ideia principal. 
Dizem por aí que a cura é uma surra com vara de goiabeira, mas nenhuma prova está disponível nos anais da ciência [queria não pensar porcaria quando falo isso] e nunca foram divulgados casos de ex doentes da síndrome. 

Cuidado, meua migo. Apesar da dificuldade de contágio, algumas cepas mais resistentes já foram encontradas contaminando pessoas anteriormente bem resolvidas. Fique de olho!


E antes que você, pessoa ainda mais amarga que eu venha com aquelas conversas de "Ela tem Síndrome do Pinto Pequeno, porque tem um blog só pra aparecer", vai chupar um canavial de rôla te controla. Eu não enfio minhas opiniões na garganta de ninguém e você provavelmente não me conhece. :)





Tenho umas aventuras na manga. É cada coisa que a vida, essa caixinha de surpresas traz pra gente, viu, meusa? Cada coisa... =P

sábado, 14 de maio de 2011

dos parabéns



Tenho uma história triste pra contar. 

Eu tenho uma irmã, né? Ela é mais nova, mas todas as pessoas do planeta que não sabem disso em primeira mão, não acreditam. Já briguei e joguei a carteira de identidade [adornada com uma belíssima camiseta do Led Zeppelin, que não deveria ter aparecido na foto] na cara de outrem - o equivalente de bater o pau na mesa, quando se tem um. Pois bem, minha irmã e eu temos um hábito que se originou de algum defeito genético e nos faz cantar de forma zoada o parabéns nosso de todo ano. Em qualquer aniversário da família ou de amigos próximos. As crianças adoram, quando não é no aniversário delas e os adultos riem, porque já se foi a época em que olhar com  O OLHAR , herdado do meu avô, funcionava nessas ocasiões. 

Um belo dia estávamos na fazenda, com a parte da família que não poderia fazer o olhar fatal, visto que não possui o mesmo sobrenome e era aniversário de uma tia-avó, bem da divertida, por sinal. Nos aprumamos e simplesmente cantamos Parabéns pra você, parabéns pra você, parabéns pra voc-- cês entenderam, né? Acontece que um dos tios, muito puto, deu uma bronca. Como se fôssemos tivéssemos 3, e não 23 [ou qualquer idade perto disso], ele nos ensinou, com voz alterada, que deveríamos respeitar os parabéns. Ordenou que fosse cantado novamente.
A outra coisa que acontece é que esse tio não é presença constante nas nossas vidas e, portanto, não tinha ideia de que cantaríamos à nossa maneira novamente. Devo ressaltar que a aniversariante dava risada de tudo, como convém a uma pessoa adulta e bem resolvida num momento de diversão em família. Foi lindo ver a cara de ódio.
Entendam: eu não sou uma pessoa pirracenta. Mentira. Sou, sim. =D 
Fiquei observando tudo por trás dos óculos escuros imensos que a fotofobia me obriga a usar [segundo a sempre sábia Paola, é a doença mais style que existe] e tentando entender de onde uma pessoa pode tirar tanto amor pelas tradições - enquanto cantava do meu jeitinho particular. A verdade é que no fim eu discuti com esse cidadão, porque ele usou argumentos baixos, incorretos e altamente babacas pra me informar por que é que na casa dele nós deveríamos cantar de jeito X ou Y. Precisei lembrá-lo, inclusive, de que aquela casa era minha, mas tudo bem, porque eu gosto de lembrar as pessoas das coisas importantes.  Não sou uma gracinha de menina quando não canto Parabéns a você?
BUENO, eu estava rememorando essa história ontem à noite e me perguntei se nos próximos aniversários não deveríamos cantar esse equivalente anual do Hino Nacional com mais respeito. Postaremo-nos com os pés paralelos, joelhos levemente flexionados, cotovelos alinhados com a terceira costela [de baixo para cima] para manter uma regularidade na hora das palmas, que devem ser batidas em 3 X4 [o compasso, galerë, não a foto] e berrado sonoramente ♫ BORBOLETINHA TÁ NA COZINHA FAZENDO CHOCOLATE PARA A MADRINHA! ♫

Se for uma pessoa muito querida, a gente manda essa.


Moral da história: nenhuma. Eu só gosto de ser a chata.

*Aceito trabalhos como animadora de parabéns. Contatos aqui.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

da quarta parte

Sinto muito ter que decepcioná-los leitores queridos, mas a última parte pode não ser o que vocês esperam. Entendam que eu nunca soube terminar textos. É um problema bem antigo. Devo lembrá-los de que esta é uma falha textual, não de caráter, portanto, não me odeiem, sim? =D

[/voz do narrador de Lost] Previously on Congeminemos:
 Partes um, dois e três.




Houve o incidente do bar, que todas as pessoas, exceto Maria, tinham certeza de ser o fim de toda a pataquada. Não foi.

Maria aparecia na cidade de vez em quando e algumas dessas vezes ela viu Iago. Fazia questão de não demonstrar reação alguma, por uma razão bem simples: não sentia mais a simpatia de antes e nem o ódio de depois. Era um desprezo calmo, que se ria um pouquinho dos sustos que ele parecia levar quando a via em locais aleatórios.
Iago começara a andar com alguns amigos de Maria, entrou na onda deles e começou a usar roupas parecidas. A princípio ela sentiu raiva pela banalização do xadrez, mas passou rapidinho à pena. Nem todo mundo sustenta algumas vestimentas com propriedade exigida por elas.
Houve um festival de música organizado por outro grupo de amigos de Maria e ela apareceu por lá. Viu muitos conhecidos, conversou com pessoas de quem tinha saudade, sentiu ciúme, conversou potoca e ouviu música, muita música. Num momento qualquer em que ria muito de alguma coisa, virou-se e viu Iago pregado àqueles amigos seus, que fotografam, usam xadrez, all star e wayfarer. Isso se repetiu algumas vezes, como era de se esperar num local relativamente pequeno e cheio de pessoas conhecidas. Maria teve a impressão de que ele a viu mais de uma vez e até se incomodou com sua presenças, mas e daí? Ela não se relaciona com babacas  - na maior parte do tempo e se puder evitar.

Algum tempo depois disso Maria estava num bar com pessoas queridas e, tendo a banda parado de tocar, as luzes já estavam acesas, era hora de ir embora. Na hora de se despedir das pessoas que estavam no lugar, lá estava Iago ocupando o caminho. Deu a volta, abraçou uns, falou de longe com outros e com um deles, Pedro, que seria visto no dia seguinte ela fez questão de falar. Chamou por cima da mesa para dar-lhe um abraço e acabaram conversando um pouco. Maria estava de costas para Iago e ele olhava impacientemente a conversa que não acabava nunca e se estendia com risos e agradecimentos infinitos por o amigo ter revelado a ela o dress code da festa do dia seguinte - que ela erraria feio, a propósito.

Do nada - para Maria, que não havia tomado ciência do observador -, Iago a puxa pelo ombro e com um "dá licença", ou qualquer coisa assim, começa a tomar satisfações com Maria, afinal, ele não merecia ser tratado assim por ela e por todos os seus amigos próximos.
Pedro, ficou próximo. E outras quatro ou cinco pessoas ficaram atentas também. 
O diálogo se deu mais ou menos assim:

_Maria, eu acho que mere-- todo mundo merece uma satisfação!
_Não acho.
_Eu preciso entender por que você está fazendo is-- eu sei que eu fui um canalha--
_Foi mesmo. 
_Eu sei que o que eu fiz foi um vacilo e você é uma pessoa especial, não merecia que um otário feito eu--
_Sim... otário.
_Mas eu não entendo, porque você diz que--
*Pedro, atrás de Iago, faz uma careta*
_Aaahahaha!
_E você não vai me dizer?
_Que parte do "eu não quero falar com você" ficou mal explicada?
_Maria, para com isso. A gente era amigo, eu nunca quis te sacanear.
*Pedro faz mais careta e uma dancinha*
 _Eu simplesmente não entendo por que você não pode me explicar o que aconteceu, já que não tem nada a ver com a Renata.
*Pedro abraça os dois e diz:*
_Vaaamos parar com essa briga, que a Maria tá com cara de quem pode estrangular alguém só com esse olhar por cima dos óculos!
_Escuta, bróder, eu tô aqui conversando com ela e--
_Para de empurrar o Pedro. Se ele quiser ficar aqui, ele fica. É muito bem vindo. 
*Pedro faz outra careta de VIU? e sai*
*Maria estava o tempo todo na sua posição inconsciente de defesa:braços cruzados, olhando por cima dos óculos e, dizem, com a cara mais cínica do Oeste*
_Então, Maria, por que... eu não entendo... 
_Abaixa o tom de voz e esse dedo, se você quiser falar comigo.
_...você falou aquilo de boteco e eu não entendi nada!
*Chega a irmã de Maria, pisando duro e se dirige a Iago*
_Você é um imbecil, para de falar com a minha irmã! Não tá vendo a cara dela de quem pode acertar sua jugular? E tem outra, você fica contando história com--
_Cê tá louca? Que que é isso? Que história que eu contei com o seu nome garota?
_Iago, fala baixo e tira esse dedo imundo da cara da minha irmã. E, Marisa, para com isso. Não gasta energia.
*A irmã de Maria continuou, como se nunca tivesse sido interrompida*
--o nome da minha irmã e com o meu e acha que pode sair assim, e se fazer de bonzinho e tudo mais e--
*Maria a pegou pelo ombro, a virou e mandou que saísse dali, que ela estava piorando as coisas*
_Como assim, Maria, que negócio é esse? Eu nunca contei história nenhuma com o seu nome!
_...
_Menos ainda com o nome da sua irmã!
_...
_E todo mundo merece ser ouvido, isso é uma injustiça!
_...
_Eu não... E você fica aí nessa coisa de não me fal-- e todo mundo me tratando diferent-- e.. . Por que... como... Por que você tá assim? Maria, desde quand-- por qu-- Meu deus, Maria, COMO VOCÊ É CÍNICA!
_Sério? Nem reparei. Segundo você mesmo eu sou uma pessoa tão especial, né? Precisava ter um defeito.
*Pedro faz mais uma careta e Maria cai na risada*
*Outro amigo de Maria chega, a abraça e pergunta se ela precisa de ajuda*
_Você considera injusto que eu não te escute? Pode falar então. 
_Mas.. e... por que... Eu sou um babaca e você não merecia, mas eu disse que não queria me envolver, que eu não queria nada sério, mas você não merecia e a Josi não merecia e eu SEI que eu sou vacilão, mas eu nunca contei nenhuma história sobre você em dia nenhum.
_Se você quer falar, Iago, fala. Mas não mente. E tem outra: quem me contou pode ter entendido errado, pode até ter inventado tudo, mas é uma pessoa que tem credibilidade. Os antecedentes de vocês dois são muito diferenes e eu prefiro acreditar na outra pessoa. Que eu não vejo mentindo, a propósito, ao contrário de você, que já vi contando histórias absurdas e contando as maiores mentiras sem pestanejar. Mas isso não me interessa. Assim como não me interessa saber com quem você se envolve ou deixa de envolver. Não me int--
_O que acontec-- por qu-- O que te interessa?!
_Em relação a você?
_É!
_Nada.
*Depois de mais algum tempo e muitas caretas de Pedro depois, mais um amigo chega e a chama para ir embora*
Iago continua falando, Maria o informa que se ele não parar será deixado falando sozinho e ele não para. Impressionante, não?

Maria chegou em casa depois de algum tempo e recebeu uma mensagem. Ela não se lembrou das palavras exatas, mas era algo como "Eu gosto mto de vc!"
"Que pena", pensou ela. É cruel que gostem da gente sem reciprocidade. 


Essa historinha é fictícia, como todos já foram avisados. E tem como objetivo o entretenimento e a conscientização de algumas pessoas, sensíveis o suficiente para aprender pelo que acontece aos outros, mesmo que sejam outros que só existem no plano das ideias. Os personagens não existem e quaisquer coincidências que eventualmente se percebam terão sido incidentais. Afinal, tem muito babaca nesse mundo.




Escrever texto me fez perceber uma coisa muito, muito triste na minha própria vida.
Sei lá, não gostei de tomar consciência disso. =__(

domingo, 10 de abril de 2011

da terceira parte

Pra entender: partes um e dois. 



No capítulo anterior [hahaha, virou blognovela, mesmo] Maria imaginou que a resposta dada por e-mail, seria suficiente para sossegar o rabo de Iago. Enganou-se redondamente. Ele retomou:

Maria,

Que bom que você deu muita risada dessa situação toda, do que eu escrevi principalmente, isso quer dizer que tudo que eu pensava não fazia sentido, não tinha nada a ver, fico feliz em saber e te peço que desconsidere pois pelo que vejo me equivoquei.

 Não era pra menos por que até agora pensava que era esse o motivo de ter me evitado, desligado o telefone na minha cara etc...

Olha se eu tentei contato com primeiro  você e por que te considero uma pessoa especial e diferente e sua amizade tem importancia em minha vida.

Carrego o sentimento de culpa e pelo que isso causou na Josi, na amizade dela com a Renata e o Samuel e todas as conseqüências disso.

Mas sugiro faço uma sugestão, pois eu ainda to aqui tentando entender aonde você quer chegar com essa historia de amigos em mesa de boteco, ou qual foi o dia em que houve algum tipo de comentário ou conversa que envolvesse seu nome.

Sugiro uma conversa mais direta e de adulto, pois depois de tantas palavras pra mim ainda não está claro o motivo de você estar agindo assim comigo.

Te agradeço.


Maria sentiu tamanha raiva desse final do e-mail, que quase atravessou os 200 kM que os separavam só para torcer-lhe o pescoço e enfiar um palitinho de bambu, que seria posteriormente molhado com água quente, debaixo de cada unha. Controlou-se, reparou na imbecilidade da pessoa, calculou que deveria ser mais clara e respondeu:


Não te dou a liberdade de me sugerir nada.
Você parece não ter entendido uma linha do que eu disse, então em palavras bem claras: Não tenho o menor interesse em conversa com você.


Claro o suficiente, não? Não.


Para com esse orgulho Maria, to te procurando numa boa, acho que no mínimo uma explicação.



A partir daí ela resolveu mais uma vez usar a arma que sabe manusear melhor: O silêncio. Até porque essa falta de pontuação e de regência verbo-nominal a irritava profundamente.
Numa noite meio estranha saiu com a Josi - várias noites era estranhas com ela e isso faz muito da graça da vida -, foram a uma convenção de tatuagem e rock [vejam que garotas radicais, meusa!], mas logo saíram de lá e resolveram "tomar uma caipirinha e voltar para casa". Sentaram-se numa pizzaria, bar e sei lá o que mais e pediram suas bebidinhas. Em algum momento repararam que um amigo de Iago estava numa mesa no bar do outro lado da rua. Sinal de que ele deveria estar por perto. Coisa de dezessete minutos e trinta e dois segundos depois ele apareceu e se sentou. Maria estava de costas e Josi narrava a situação com frases concisas e rápidas. "Ele sentou". "Ele me viu". "Ele tá atravessando a rua." "Ele tá vindo pra cá, que que eu faç--"
_Boa noite, meninas.

Maria não acreditou.
Mentira, ela quase apostou que ele a procuraria, enquanto todas as outras pessoas do mundo afirmavam que não, ele não teria essa coragem. Ele teve.

Iago: Posso me sentar com vocês?
Maria: Não!
Josi: --

Iago se sentou.
Maria disse à Josi que ela pagaria a conta e elas iriam embora, se levantou [jogando a cadeira de plástico no chão. Ela diz que foi sem querer, mas nunca saberemos] e nesse ínterim, ouviu o que se segue:
_Larga de ser infantil, Maria!

Maria, essa infantil, bebeu o que lhe restava no copo, bateu-o contra uma mesa e foi, muito ciente de si mesma [porque estava meio bêbada e é assim que faz: força um andar tão concentrado e reto, que em nenhuma outra situação parece tão dona de si. Ou pelo menos foi o que lhe disse um amigo muito confiável] em direção ao caixa. 
Enquanto ela ia, Iago perguntou a Josi o que Maria tinha. 
_Você não vai me dizer por que ela agora me trata assim?
_Olha, Iago, se ela quiser falar com você, ela fala.
_Vou atrás dela!
_Eu não iria...
Voltando ao restaurante, onde Maria pagava a conta...
Lá foi reconhecida como sobrinha do Rasputin pelo dono do estabelecimento, com quem travou agradável conversa até que Iago apareceu pegando em seu braço. Uma faceta interessante de Maria é sua relação com toque. Uma pessoa de quem ela gosta pode tocá-la, pegar no cabelo ou mesmo brincadeiras meio bobas sem ofendê-la. Se, no entanto, uma pessoa desconhecida ou desagradável lhe toca a mão, o repúdio é imediato. Foi o caso. Assim que Iago tocou seu braço, Maria praticamente latiu um NÃO! que fez João, o dono do restaurante ficar atento, afinal, era a sobrinha do amigo que tem nome russo.
Enquanto Maria pagava a conta, o chatolino estava na sua orelha:
Iago: Você não vai falar comigo?
Maria: João, cê me vê a conta, por favor? *sorrindo*
João: Na hora!
Iago: Eu fui tão infantil assim com você?
Maria: Foi. *com cara fechada*   Vou pagar com cartão, tá? *sorrindo*
** Atenção especial para a parte onde todo o sangue mexicano nas veias do rapaz se manifesta fortemente, utilizando um tom de voz só visto em novelas da Thallya **
Iago: Será que eu te magoei tanto, pra você estar tão ferida assim?
Maria bateu a mão na bancada, e disse num volume que chamou a atenção das 5 ou 6 pessoas mais próximas, incluindo-se um garçom que a atende no restaurante onde costuma almoçar:
_Iago, VAI TOMAR NO CU!
Assim, bem fina. 
Essa frase calhou com o fim do pagamento e ela se dirigiu à sua mesa, com Iago atrás, falando qualquer coisa que ela não fez a menor questão de ouvir. Ela não sabe até que ponto ele a seguiu, mas quando voltou para sua mesa, já estava sozinha. Olhou para Josi, riram um pouco e pediram outra bebida enquanto se divertiam vendo a cauda do pavão murchar de tal forma que, não fosse a babaquice, daria pena. 

Mais uma vez elas apostaram. Josi disse que ele nunca mais falaria com Maria. 
Maria tinha certeza que sim. 



*Continua *



sábado, 9 de abril de 2011

da segunda parte


** Eu só ia postar a segunda parte amanhã, mas fui bombardeada com quatro muitos pedidos e, legal que sou, resolvi publicar agora. Sô linda? **
** Se alguém tiver perdido a primeira parte, fasfavor de se atualizar, que ela é importante para a segunda. =)
Sem delongas, vamos a ela. **




Depois do showzinho de Iago no boteco, Maria foi questionada acerca da profundidade do relacionamento que tivera com ele, se é que vocês me entendem. A resposta, segundo ela, foi algo do tipo:
_A gente até foi prum motel, mas tava todo mundo bêbado e a gente dormiu.

Quer dizer, né? Não comeu ninguém dessa história. Ou quase ninguém.

Assim que soube da possibilidade do seu nome correndo em mesa de boteco - que ela frequentava, por sinal -, Maria ficou bem puta da vida e, como sempre fazia quando alguma coisa muito séria a incomodava, calou-se. Comentou com a mãe e a irmã, pra evitar possíveis fofocas, afinal não sabia onde - e o mais importante: a quem - mais a lorota teria sido contada.

Iago, essa pessoa tão gentil, ligava para Maria oferecendo carona quando ela estava na cidade vizinha. Ligava a qualquer hora, interrompendo sono, trabalho e sexo. Inconveniência define. E ela, com uma paciência de Jó, ignorava as ligações como se não houvesse amanhã. Mensagens eram igualmente ignoradas. Na verdade ela nunca teve muito saco para as reações muito mexicanas dele.

Maria tinha plena consciência que, muito mais que afrontá-lo, muito mais que perguntar ou acusar, ignorá-lo teria o efeito mais forte sobre o eguinho polido diariamente com mentirinhas e roupas de marca. Maria sempre gostou de ser educada, portanto não armaria o barraco que, em determinado momento, até quis armar. Optaria pelo silêncio. E dizem que a gente não erra com ele [isso é uma mentira da grossa. Erra-se com o silêncio, SIM, mas nesse caso lhe parecia a coisa menos desgastante a se fazer].

A cidade é pequena e as pessoas que saem de casa acabam se encontrando.

Ela estava num restaurante, com mais de dez pessoas sentadas à mesa, rindo e conversando, além de mais 4 amigos, dentre eles estava Josi, que optaram por se sentar em outro pronto do restaurante. Sendo os dois grupos de pessoas muito queridas, Maria se revezou entre eles e foi de uma mesa a outra algumas vezes. Eis que em momento inoportuno, porque qualquer momento seria inoportuno, Iago apareceu e cumprimentou toda a mesa, se utilizando da premissa que todos querem ser seus amigos. Maria fingira não vê-lo até o momento em que ele se dirigiu diretamente a ela e, para evitar constrangimentos à mãe de um amigo, que estava na mesa e definitivamente não merecia uma noite desagradável, ela respondeu com a cara impassível um "Boa noite" quase inaudível e um aperto de mão ao qual se sentiu obrigada, já que ele enfiou a mão na frente dela. E levantou-se para abraçar o amigo com quem Iago chegou.

Quando mudou de mesa para conversar com Josi, passou pela mesa de Iago, ele fez menção de se levantar, ela fez que nem o viu. Era razoavelmente boa em ignorar alguém com veemência e foi assim que Maria procedeu todas as vezes que teve o desprazer de topar com ele.  Ela confessa que passou a se divertir com o desconforto que causava.

Continuou ignorando telefonemas e quando ele ligou de número desconhecido, teve a delicadeza de dizer que poderia dizer tchau ou teria um telefone desligado na cara dele. Gentileza, vai.

Depois disso ele resolveu mandar um e-mail que transcrevo aqui [e está transcrito, então não pensem que eu escreveria dessa forma horrenda, sim? Obrigada. Ah! Não! Quero dizer: eu inventei uma pessoa que escreve dessa forma horrenda, claro. Claro].


Prestenção:

Ola Maria,

Sei que vc está muito chateada comigo pelo oque aconteceu mas mesmo assim gostaria de esclarecer algumas coisas, melhor se fosse pessoalmete ou por telefone, mas creio que impossivel.
Quando ficamos rolou algo muito bacana pelo menos pra mim, mas eu deixei super claro que não queria envolver sentimentos e nem queria namorar aquela epoca e nem que rolasse algo mais profundo, no entanto eu pisei na bola em ter ficado com a Renata pois vcs eram amigas e a gente ainda ficava de vez em quando.
Sei que fui um vacilão em ter feito isso, mesmo que fosse algo que eu quisesse muito, acho que isso causou problemas no relacionamento dela com o Samuel, na amizade dela com a Josi e varias outras coisas como conseqüência, era inevitável.
Com certeza eu nunca teria coragem de te abrir que aconteceu algo entre eu e ela, mas isso uma hora iria chegar no seu ouvido como de fato aconteceu pois tinha varias pessoas sabendo e todas elas são amigos em comum.
Maria na minha cabeça eu entendo que errei bastante nisso, pq envolveu varias pessoas e a unica que não tinha muito a perder era eu, oque eu arrisquei foi uma amizade que estava construindo com vc, e isso tava sendo muito bom pra mim, mas na época eu quis arriscar em nome de uma aventura que eu ja sabia que não iria longe.
Gostaria que vc conseguisse me desculpar por isso, pois considero vc uma pessoa especial e não queria perder a sua amizade.  


Maria se surpreendeu com as novidades que já não eram mais novas e foi atrás de JosiJosi, coitada, sabia e se sentia mal por isso. Explicou que não queria ver Maria chateada com a história, então tratou de engoli-la, mas não sem praticamente adoecer por isso.
Pronto. Mais uma coisa a emputecer nossa protagonista. Não o fato de a amiga saber, mas ela ter se sentido mal por gente tão pequena. E justo ela!
Maria mostrou o e-mail para Anna, outra amiga - bem boa em esculachamento por e-mail - e depois de uma revisão, para não pegar muito pesado, enviou a seguinte resposta:


Iago,

Começo te informando que dei muita, mas muita risada desse e-mail. Você não faz a menor ideia do quanto me diverti enquanto o lia.

Pra início de conversa: não, ninguém me contou que você e a Renata ficaram. Soube disso apenas quando você me informou, olha que ironia! Algumas pessoas sabiam que eu não ligaria, outras se importaram comigo e me deixaram na bênção da ignorância, ou seja, nenhum dos dois grupos me incomodou com fofoquinha.
Pode até ser que, se eu soubesse disso na época, ficasse um pouco chateada, sim, por ter sido a Renata. Hoje me fez rir.

Eu não sei qual parte do "Eu também não quero me envolver com você" ficou mal explicada, mas alguma parte deve ter faltado. O fato de eu ser legal ou carinhosa com você tinha por razão o fato de eu ainda não ter sabido e percebido algumas coisas.
Pode largar mão de ser tão presunçoso. O mundo não gira ao redor do seu umbigo e seu charme está bastante aquém do imaginado.
Você achava que eu queria me casar com você, é isso? Porque me lembro muito bem de ter deixado claro que não queria um compromisso e que nunca dei a mínima para o fato de você ficar com quem bem entendesse.
Foi vacilão. Realmente.
E o único motivo pra me fazer sentir raiva nessa historinha suja é vocês dois terem feito mal à Josi. Isso é passível de ódio da minha parte. Deixar minha melhor amiga - e facilmente uma das pessoas mais fantásticas que conheço - triste e com crise de consciência é algo que me irrita muito profundamente. Fora isso, como já disse [detesto me repetir, no entanto, como você parece ter dificuldade em entender coisas simples, repetirei. Ser professora me ensinou que, como algumas pessoas têm problemas cognitivos, devemos ter paciência e insistir, até que entendam exatamente o que queremos dizer], nunca dei a mínima pra o que acontece entre você e quem quer que seja. Agora, menos ainda.
É excelente que você considere que não tinha tanta coisa a perder. Assim não faz falta.


 
Ela pensou, sinceramente, que isso seria suficiente para não ter mais que lidar com o probleminha chato que Iago havia se tornado. Estava redondamente enganada.

*Continua*

da primeira parte




A ideia aqui é dividir em posts, pra não ficar muito longa, uma história muito linda que aconteceu anteontem com a amiga da prima da cunhada da vizinha da minha avó.

Vou começar dando nomes fictícios aos bois:
Ela se chama Maria.
Ele se chama Iago.
A amiga dela se chama Josi.
A outra amiga se chama Renata.
Outros personagens aparecerão no decorrer da história e eles serão nomeados, ou referidos como eu se achar de bom tom.

Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos e pessoas reais terá sido mera coincidência. Or so we want to believe.

Vamos lá:

Era uma vez... duas pessoas que se conheciam havia muitos anos. Iago aparentemente gostava mais de Maria do que ela gostava dele, mas isso não vem ao caso. Numa noite em que se toparam no único bar relativamente decente da região, Maria estava com Josi, uma amiga muito querida  e por alguma razão meio absurda da qual Maria não se lembra, ela voltou para casa com ele. O amigo do Iago, vamos chamá-lo de Saulo, tinha, provavelmente por razões sacanas, mesmo, uma garrafa de um vinho delicioso e alguns copos dentro do carro. "Por que?", você me pergunta. E eu te respondo: pra embebedar quem conviesse. Maria bebeu. Mas bebeu meio que prevendo onde isso daria e ficou com Iago. Na hora ela achou bacana e um pouco inusitado, já que a situação nunca passou nem perto da sua imaginação.
Iago levou Maria em casa, emputecendo assim o amigo que ficou esperando sozinho, às 5 da manhã num posto de gasolina.
Ela não tem boa memória, então não soube me informar como foi a relação nesse período, mas acha que ficaram mais algumas vezes até a festa de aniversário.
A tal festa foi conjunta, com Renata, muito amiga de Josi, que era muito amiga de Maria. Foi tudo um sucesso, comida, bebida e penetra sobrando, conflito de interesses, pessoas queridas, pessoas mal vistas. Ela estava muito ocupada com 150 pessoas [e uma que equivalia a essas 150] pra dar muita importância a ele, então nada aconteceu. 
Ficaram mais uma ou duas vezes, fizeram umas micro viagens juntos, e, no Natal, ele e a filhinha ganharam presentes. 


Nesse período ele estava muito preocupado em pegar qualquer rabo de saia que aparecesse pelo caminho e em explicar a Maria que não queria nada sério com ela, ao que foi solenemente rebatido: nem eu com você, então cala a boca, deixa de neurose e me beija. DRs incontáveis, acerca de um relacionamento não existente, aconteceram. Ela pedindo pra ele parar de esquentar a cabeça, porque não tinha nenhum plano de apresentá-lo à família e ele sempre afirmando que não queria nada sério e que gostaria de manter a amizade, porque ela é uma pessoa ótima e especzzZZZzzZZZ

Não se sabe ao certo quanto tempo depois aconteceu, já que a cidade em que moravam os dois é um ovo, um caso interessante. Numa mesa de bar havia quatro ou seis amigos de Maria, incluindo aí o ex-namorado com quem existia um relacionamento interessante [ele foi prontamente avisado de que Iago era seu SÓCIO, mas tudo bem, porque já sabia]. Chegaram Iago e um amigo. Como Iago jura que é a pessoa mais popular em 3 Estados da União, sentou-se à mesa e em determinado momento ouvem-se as seguintes palavras saídas de Iago para um dos amigos na mesa:
_Porque, você sabe, eu já fiquei com a Maria, né?  *CORTA* Casa dela *CORTA* quarto do fundo *CORTA*  a irmã tava junto e... [/bate uma mão no dorso da outra]... foi a coisa mais louca da minha vida.

Bom. 
Algumas pessoas têm tanta necessidade de parecer melhores do que realmente são, tão baixa autoestima, que falam merda. Mas falam merdas imensas e pra quem não deveriam. Iago é um belíssimo exemplo de canalha, por algumas razões que serão expostas a seguir:
  • Se finge de bonzinho e bom menino, o que é deveras irritante;
  • Contar esse tipo de vantagem só é válido quando os ouvintes não conhecem intimamente o sujeito da história, se não eles podem ir até a fonte conferir se é verdade;
  • Pra dizer que comeu, tem que ter conseguido comer;
  • Nunca, em hipótese alguma, se põe a irmã no meio [ou no meio da irmã - tô só adiantando o que vocês, leitores bonzinhos iam completar mentalmente, mesmo].


 ___x___
Isso posto, no próximo capítulo veremos a continuação da história.



*Alô você que já ouviu parte ou conhece personagem(ns) ou participou em algum nível dessa história, por favor, evite spoilers nos comentários, por obséquio. Mas é claro que este é um aviso desnecessário, já que tudo aqui é totalmente inventado. Claro.




quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

da raiva sem tamanho



 Eu poderia chamar de decepção, mas creio que o termo não se aplica com  propriedade, já que nunca esperei grandesbosta do cidadão. Surpresa ruim seria uma expressão mais adequada, embora não traga implícito o ódio que eu ando sentindo.

Acredito que me encaixe naquele infame grupo das pessoas classificadas como sistemáticas. É de família, tenho quase certeza. A genética explica as maiores esquisitices, né? Essa deve estar no DNA também. Acho que o alheio deve receber ainda mais cuidado que o meu, quando em meu poder, e que todo mundo deveria agir assim, porque essa é que é a postura certa. [flexibilidade: não trabalhamos] Em outras palavras, o que concerne ao outro deve, sim, ser bem cuidado. Seja livro, roupa, notícia, sentimento, ambiente - emprestados ou divididos.
Aí uma pessoa cria uma notícia, uma história das bem inacreditáveis [não no sentido positivo, mas de não crível (?), nem merecedora de crédito] e acha que tá bonito, que vai pegar mulher pra caralho, porque ele apronta altas confusões nas cachus da pesada e bota pra quebrar em todos os lugares aonde vai [/sessão da tarde mode: on]. Deveria mesmo  era ter levado um soco bem bonito no meio da fuça sem graça, pra aprender o que falar, onde falar e, acima de tudo, na presença de quem falar. No momento em que o problema atinge duas das pessoas mais importantes da minha vida, me emputeço de verdade. E quero ver quem me tira a razão.

Síndrome do Pinto Pequeno [eu já trabalhava com essa teoria, mas ela tá muitíssimo bem explicada aqui, então corre lá pra saber do que se trata] é a raiz da questão. Gente sem confiança em si mesmo e se esforça tanto, tanto, mas tanto pra ser legal, que perde a noção do ridículo, da realidade E DO PERIGO.
É a hora em que a gente concorda com aquela tia meio recalcada que sempre fala que homem é tudo igual... não, não... que gente é tudo igual e, se não pode tirar proveito, dá um jeito de sacanear. E essa "verdade" me traz à mente uma outra situação, que nao vem ao caso, e a pergunta que eu realmente tenho vontade de fazer a todos os envolvidos é bem simples: por que, mesmo? E depois mandá-los lindamente a locais impronunciáveis.

Não tem conclusão espertinha, não tem história com final inusitado e não tem graça. Quer dizer, vai ter graça quando eu der de cara com o espalhador da mentira. Mas aí serão outros quinhentos.


Where's your crown, King Nothing?



Perdoem o desabafo, mas eu precisava. 
:)

domingo, 25 de outubro de 2009

do ego alheio


Na revigorante tarefa de faxinar a casa numa linda madrugada de sábado, andei refletindo sobre uma situação que me fez rir com aah... bem... deboche e uma sensação de aimeudeuscomopodesertãoridículoassim. Conhece?


Não posso dar detalhes, que magoar a geral não é meu esporte favorito, apesar de ter mostrado no momento do acontecido que achei graça e ridículo na atitude de certas gentes. E porque a situação não ocorreu comigo.
Mas, para ilustrar pensem na seguinte situação:
Você conhece uma pessoa do sexo oposto há alguns anos. Quase uma década, pra ser um pouquinho mais precisa. Um belo dia, noite, madrugada ou manhã essa pessoa diz, não sem certa razão que uma terceira pessoa, de sexo oposto ao seu e igual ao dela olhou-a com ciúmes num determinado evento. E chama essa pessoa de "seu namorado" (se você for mulher. Se for homem, a pessoa diz "sua namorada", porque essa situação específica é um suposto triângulo heterossexual). Você explica calmamente que a terceira pessoa não é seu namorado e diz que pode ter acontecido, sim, mas que provavelmente foi só impressão.

Tempos depois essa pessoa volta com a conversa de que o seu namorado se portou feito ogro ciumento e olhou feio pra ele de novo. Mas diz isso com um tom de arrependimento, de quem se sente mal por causar todo esse constrangimento e embaraço cada vez que aparece.

Mais uma pausa e de novo ele vem com essa conversa. Tão bem arquitetada, que o referido seu namorado nem é a mesma pessoa. E é um amigo-irmão que ainda não sabe se terminou com a namorada e te chamou pra beber, porque ô vô bebê pra esquecer meus pobrema.
É nesse momento em que você se toca e a pergunta pipoca na frente dos seus olhos, em letras de neón vermelho:

O quão grande pode ser o ego de alguém?

É fato que as manifestações (quaisquer manifestações) do ego de outrem costumam incomodar nossos calmos e pacíficos (?) eguinhos. Maaas... veja bem: Esse elemento, que até onde sei é uma boa pessoa, deduz ser tão irresistível que até o amigo, por quem você não tem interesse algum [e a recíproca é verdadeira] derrepentemente [oi, mãe! =D] vira um cara com sanguenozói, porque a maior beldade da região apareceu e conversou 5 minutos com você. E ainda vem com a conversinha furada do tipo "Ah, então ele gosta de você. Eu senti!". Faça-me o favor!

A enormidade do ego de algumas pessoas assusta. Especialmente quando vem disfarçada de bondade, ou pior, humildade. O nome disso é hipocrisia, filhão! E cansa. Cansa a beleza da gente. De quem passa por uma ceninha dessas e de quem vê, de perto ou longe, o nariz de palhaço que cidadão ganha imediatamente após falar uma dessas.




Então, na aula de hoje, aprendemos que cada um deve se manter no seu lugarzinho, para evitar desconforto geral e post no blog alheio.
Ou não. [Caetano mode: on]