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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

da pele ressecada




Menina bonita da pele ressecada. 

Analisando nossa relação agora, vejo que somo um casal do pior tipo. Daqueles que brigam, voltam, fingem pros amigos que tá tudo bem, brigam mais um pouquinho e se resolvem na cama, até o próximo desentendimento, que invariavelmente está logo ali.
Fomos a tantos shows juntos! Tentei contar todos e me perdi um pouco. Vimos Gotan Project, Arnaldo Antunes, Xangai, alguns Osvaldos Montenegros, Lenine, Teatro Mágico, Baleiro, incontáveis Móveis Coloniais, Los Hermanos, Moby, a maioria deles sem pagar um centavo. Trocamos as entradas por garrafada no olho, ou facada na alma. A garrafada compensou.
E as tardes de domingo, com o mais calado dos homens doces desse cerrado, tomando sorvete de algum sabor inusitado. Ele não gosta do silêncio e mesmo assim insistimos. Passou a ser uma necessidade nossa. 
Os docinhos de camarão, frozen yogurt, irritações e óculos de sol. Almoços no RU marcados com antecedência, porque era o único horário disponível para encontrar corações e flores nessa lugar. E jantares de aniversário no RU, seguidos de bolo de chocolate e coca-cola. Casal querido que aparece de vez em quando. Mentira. A culpa é toda nossa. É a gente que some. 
Lanche em noite aleatória, depois de jantar, simplesmente porque a companhia era absolutamente adorável. Sentir falta dessa companhia, mesmo que fosse, na maior parte do tempo, virtual.
Noite fresquinha, com alguma besteira, uns amigos na sala e, cansados, não dormir. Acordar, comer panquecas, não dormir mais um pouco e depois dormir achando que a vida tem jeito, sim.
Cilada.
Vontade de sair correndo, achar a mãe mais próxima e chorar. 
Fingir que não queria chorar.
Algumas pessoas receberam a atenção devida. Outras ainda mereciam mais cuidado da nossa parte. Fomos imbecis também, assim como alguns foram conosco - ou comigo, pelo menos.

A ficha tá caindo e já comecei a pensar nas coisas que vão me fazer falta.
Já tenho visitas planejadas e, bom, é tudo muito perto. E ainda assim longe o suficiente.

2 comentários:

Tati disse...

A hora da despedida sempre é tão difícil. Por mais necessária que a despedida seja. :(

Joyce Pfrimer disse...

To aqui! cê sabe!

E vamos pensando numa frase! Ja pensou em alguma???

beijoca mayrocas!