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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

dos ponteiros




Às vezes, as perspectivas mudam como se a gente estivesse sentado no ponteiro de um relógio. Vez em quando, no maior, vez em quando, no menor. Ultimamente, parece que tenho me sentado no ponteiro dos milissegundos, revisito com alguma frequência um tema ou outro e quase sempre tem uma coisa nova ali. 

Inclusive, este ano voltei a algumas cidades. Em todas as vezes a experiência foi bastante diferente e tenho a impressão que foi porque eu, definitivamente, não era a mesma. Talvez eu porque eu estivesse toda ali, talvez eu estivesse mais tranquila, talvez eu estivesse mais leve - é essa a aquisição mais preciosa dos últimos tempos, a leveza. Jogar fora o que pesava e ocupava espaço parece ter feito um bem ainda maior que o esperado. Passei por São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Belo Horizonte, entre julho e outubro e tô um pouco mais encantada por cada uma delas [talvez se deva fazer um adendo sobre São Paulo. Meu caso de amor com ela não é novo e acho que alguns pontos específicos da cidade, se tivessem memória  e pudessem falar, sequer lembrariam de mim, porque é gente pra cacete, então naaah].

O ponteiro vai girando e vai-se percebendo que um problemão era probleminha, que o meu é, sim, importante, mas que, eventualmente, o dos amigos é mais que o meu e nessas bota-se cada coisa em seu lugar e a vida passa a funcionar.
A-VI-DA-FUN-CI-O-NA. Eu não me canso de sentir algum encantamento por esse fato.
 
As expectativas, assim como as perspectivas, mudam. Numa conversa que eu tive um dia desses, chegamos ao consenso de que a gente controla as expectativas, mas o cérebro e o coração são meio tapados, então a possibilidade de dar merda tá sempre aí - e isso não deixa de ser, sei lá, um charme, uma vantagem, uma graça. O grande truque que eu tô usando é não deixar a expectativa ser um suflê sem base [opa, pera, isso foi de outra conversa, com outra pessoa], outro é só tentar corresponder às minhas próprias expectativas. Gente, a maravilha que isso faz pela pele, pelo cabelo, pelo sono, pela gastrite. Ah, sim, tendo a me preocupar em atender as expectativas de uma outra pessoa. As dele:




Porque cafuné, mamadeira, almoço nutritivo e gostosinho, umas jogadas pro alto, dancinhas bizarras, vídeos da Arca De Noé e longos banhos lendo livro emborrachado eu consigo fácil, fácil. E achando bom.







terça-feira, 14 de maio de 2013

dos monstrinhos






Há não muito tempo tempo [depende do que se considera muito tempo, obviamente. Há muito tempo nem posto aqui] falei dos meus tios
Pois bem, agora é a  minha vez, fiquei oficialmente pra titia. Logo, logo, minha irmã expulsará para o mundo uma criaturinha chamada Rafael, que ficará algum tempo na minha casa e por quem eu já morro de amores. Não sei que cara o moleque tem, mas já o imagino nas roupinhas inacreditavelmente fofas que ganhou, já fiz mais de duzentos bolinhos por ele, já quis até entrar em briga porque todo mundo sai com essas de "nosso sobrinho" e, vejam bem, essa criança tem dois tios biológicos e apenas 4 adotados. Rafa ainda não nasceu e já tem uma tia bem ciumenta. 
Voltei a pensar em tudo que meus tios representam pra mim, no carinho, nas brincadeiras e nas broncas - e, gente, o que eu levei nessa vida foi bronca. Só pararam agora porqu--não, não pararam -, mas tenho pensado, principalmente, no que aprendi com cada um deles. Tem a tia que me deu um relógio de ponteiros e ensinou a olhar as horas; a que me ensinou a pintar com aquarela e a fazer miojo; o que me ensinou a andar de bicicleta; o que me contou que ele só brigava pelo comprimento da minha saia porque sabia exatamente o que os caras falariam na porta do bar, se eu passasse por eles vestida daquele jeito; o que largou tudo o que tava fazendo e foi me aconselhar quando viu que eu precisava; o que me tirava do sério, mas me carregava pra todo lugar. 
As circunstâncias são muitíssimo diferentes e nem de longe eu conseguiria fazer isso tudo pelo monstrinho, já que sou uma só. Isso não me impede, no entanto, de querer fazer pelo garoto o que eu puder, o que inclui já estar pensando nas papinhas que ele só vai começar a comer no ano que vem e que não podem ser industrializadas, ora essa, se ele tem uma madrinha gastrônoma. Inadmissível. 

Já penso nos passeios, nas voltinhas pra pegar o sol da manhã [ESTOU PENSANDO NO SOL DA MANHÃ, AMIGOS], nem as possíveis noites em claro seguidas de dias de trabalho tiram o sorriso idiota que brota na minha cara só pela menção ao bebê. 

Estamos preparando a casa para recebê-lo, o quarto ao lado já tem cheirinho de nenê, por conta das roupas, das colônias, dos sabonetes [e deuls sabe o quanto me custa não deixar essas roupas em cima da minha cama o dia todo, pra impregnar o perfuminho em tudo]. Já há brinquedos fofinhos e fraldas visíveis, já se conversa sobre quem dará os banhos nos primeiros dias [ESCOLHE EU, ESCOLHE EU, GENTE].
A chegada do Rafael está prevista para a segunda ou terceira semana de junho, mas, sendo filho de quem é, pode aparecer por aqui a qualquer momento. Ele tem uma tia Marocas ansiosa, esperando pra ver a cabeleira que já enfeita a cabecinha, louca pra ficar com a boca toda mordida - porque esse é o jeito de ela se controlar e não apertar as criaturinhas. Querendo muito ser pra ele o que meus tios são pra mim. 





quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

das conversas



Luísa, lá com seus 4 anos, altas horas da noite, pede à mãe um caderno da Hello Kitty.
_E onde é que eu vou arrumar um caderno da Hello Kitty a essa hora, Lu?
_Aaaai, mamãe! No caderneiro, né?


--------------x--------------


Numa conversa das milhares que aconteciam entre Brasília e Anápolis, um colega nigeriano e eu conversávamos sobre a parte da família dele que não estava no Brasil:
_E eu tenho uma irmãzinha, a caçula, de 6 anos.
_Ah, legal. Cê não sente falta dela?
_Muita. Muita saudade mesmo.
_Ela já frequenta o colégio, certo?
_Não! Cê tá louca?
_?
_Ela só tem seis anos!
*agora com medo de causar um incidente diplomático e procurando a melhor forma de perguntar*
_Mas com quantos anos se começa a ir pro colégio lá?
_Ah, com uns 16, 17...
_Mas, Sayo, você ainda nem tem 20... 16 é muito tarde pra entrar na escol--
_Escola?
_É, uai,
_Hahahaha!
_Oi?
_Desculpa, é você falou "colégio" e eu traduzi "college".
--------------x--------------


Domingo passado o Ivanzinho foi me buscar no trabalho e minha mãe me falou que ele disse ser incontrolável. Ele deu uma risadinha e disse que não, momõe pediu pra ele me contar o porquê disso e ele começou:
_É poique [sim, ele fala "é poique" e me mata de fofura, putamerda] ela perde as coisas e fica procurando tudo aí ela perde uma perde outra procura uma uma acha outra perde uma e eu encontro tudo! Então eu sou incontrolável.

Mais tarde fui ensinar ao Ivanzinho e à Lu como se joga Batalha Naval.
_Aí vocês vão tentar adivinhar onde está o barquinho do outro, pra isso vão usar o nome do quadradinho onde vocês acham que o barquinho está. Esse aqui, por exemplo, se chama Bê Oito.
Tudo ia muito bem quando o Ivanzinho [que tem dicção de criança de desenho animado. Ele diz "pocula" e "meu nome é Ifanshinho"] manda:
_Luísa, você tem um barquinho no zê sete?
_hahaha, ai, Ivan! Não tem zê, só vai até o jota.
_Nãaao! Eu tô perguntando se você tem é o zê! 
Momento em que eu entro na conversa pra evitar a fadiga e pergunto que letra é essa.
_É o zê, ó.
_Não é o éss--não, não tem ésse... Será que é o... gente! É o gê? 
_É, uai! O zê!
*corta pra Mayra amassando as bochechas do menino*

A verdade, meuzamigo, é que essa criatura só não sai daqui de casa toda mordida ~é poique~ eu me controlo muito.



E eu uso os dois pra amolecer o coração dos criente. :)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

das descobertas


Cês sabem que eu tenho uma primafilhada, né? E ela tem uma maydrinha.
A Luluca, pra quem não sabe, é moreninha jambo e tem cabelo muito escuro, muito liso e muito pesado, o que sempre fez as primas retardadas cantarem pra ela, especialmente na hora de lavar a cabeça, "Índia, seus cabelos, índia, seus cabelos, índia, seeeeeus cabelos!", com vozes esquisitas, enquanto bagunçam o cabelo da criança. Acho que só acrescentei a parte do "nos ombros caindo", e só ela, uma vez, vejam só. A reação é sempre a mesma: um risinho e um "páaaaaara, gente! Tia Jaaaane, olhaMayraeaMaysaquifalandoíndiaseuscabelossemparar!" seguido de mais risinhos.
Bom, a moça que cuidava da Lu teve uns pobreminha [aliás, o mundo é um lugar bem bizarro, viu?], precisou se afastar e agora trabalha como diarista. Pois bem, hoje ela veio trabalhar aqui em casa e me contou um lance fofo e engraçado:
Na hora do banho, Luísa pergunta à babá:
_Alessandra, você sabe cantar aquela música [engrossa a voz] "Índia, seus cabelos, índia, seus cabelos, índia, seus cabeeeeelos"?
_Não, Lu, não sei. Que mais que tem na letra?
_É só isso mesmo.
_Mas por que você quer saber se sei cantar essa música?
_Ah, é que minha prima canta pra mim e eu fiquei com saudade.


Ô, gente?
Sério
SÉRIO.



sábado, 5 de novembro de 2011

dos usos da comida



Eu amo comida. 
"Novidade!", dirá quem já conversou meia hora comigo, quem sabe das mudanças que fiz recentemente na minha vida, quem lê o Conge há algum tempo ou quem frequenta o Flocos Crocantes.
O lance é que eu fui lavar um pêssego hoje e me lembrei da minha falecida avó. Quando queria me agradar, ela fazia compota de pêssegos, um frango mui sensacional que era empanado com queijo, ou coalhada seca. Ou os três. Minha mãe usa amêndoas confeitadas para este fim. Tendo aprendido a viver num mundo em que agradar às pessoas de quem se gosta é hábito, internalizei a coisa de modo brutal e faço carne com molho de queijo para a mãe, batatas para a irmã e bolo de mandioca para a afilhada.
Gosto de ver as pessoas comendo, se for algo preparado por mim, gosto mais ainda. [Oi, Narciso, é você?] Talvez isso aconteça porque eu realmente aprecio comida. Já levei muita bronca por me distanciar da conversa e esquecer que existia no mundo qualquer coisa além do que eu comia.

Quando estudava História da Gastronomia, me interessei muito pelo momento em que o alimento deixa de ser uma necessidade estritamente fisiológica e passa a funcionar como elemento social, agregando - e mesmo causado discórdia - entre pessoas.
Comida para impressionar; comida como paliativo para dores, para algumas faltas; comida como demonstração de cuidado, de carinho, comida como agradinho e até comida como arma de sedução. Ela se presta a vários papéis e, se nada mais interessar, ainda tem o conforto físico que ela pode proporcionar.

Revendo minhas últimas escolhas, percebo que acertei várias delas - ou que elas têm potencial para não darem em merda - e a de fazer de um prazer a minha profissão parece ter sido a mais correta. Vamos acompanhar.

Ali em cima, onde falei das coisas que algumas pessoas minhas gostam de comer, deixei de citar o Miguel. Ele é a criança que mais curte bolos no mundo e come com cara boa de dar invejinha. E tem um adicional de fofura, claro.  

Meguel, que confeitou e comeu o bolo mais melequento da cidade.

Eu vivo pra isso. :)



sábado, 20 de agosto de 2011

dos auxílios



_Lu, quer me ajudar a fazer um bolo?
_QUERO!
_Que que a gente tem que fazer primeiro?
_LAVAR AS MÃOS!
_Nãaao. Tem que prender o cabelo antes.
*séria e taxativa* _Mayra, a gente tem que lavar as mãos. 
_Tem. Depois que prender o cabelo. Vou prender o seu do mesmo jeito que eu prendo o meu na faculdade, tá? Vem cá. 
Começa o ritual de prender tooodo aquele cabelo liso, grosso e que está passando da cintura da criança. [note to self: temos mais um motivo pra visitar a tia Ivone. E logo]. Amarra um rabo de galo:
_Mayra, tem um jeito muito bom de prender meu cabelo, sabe? 
_É mesmo? Como?
_Pega um elástico, sabe?
_Que tipo de elástico?
_Daquele branco. 
_Hmmm... branco? Igual àqueles que a vovó usa nas costuras? 
_É. Aí você pega o elástico, amarra ele em volta do meu cabelo, faz um laço e pronto! Fica preso o dia inteiro.
_É a vovó quem prende o seu cabelo assim? Antes de você ir pra escola?
_Ahãm. Como você sabe?
_Ela fazia no meu também. *sussurra, pra vó que está na sala não ouvir* Ela nem tem criatividade pra prender cabelo, né?
*visivelmente consternada* _ É! Ela nem pensa mais pra prender o cabelo da gente!
Daí prende a franja com tic-tacs, pega a bandana. Luísa faz cara de desentendida e de quem não quer usar um lenço na cabeça. 
_ISSO AÍ?
_É, uai. Pro cabelo não cair na comida. 
_Comida?  A gente não ia fazer bolo?

TÓIM!


E a minha ajudante é muito, muito eficiente. Tenho provas fotográficas disso.

Lava-louças pra quê?


*A quem interessar possa: a receita do bolo feito hoje está no Flocos Crocantes. :)

sábado, 6 de agosto de 2011

dos tios




Hoje eu vi uma foto que o Rafa, pai do coisinha linha Miguel, tirou do bebê com o tio. À foto ele adicionou uma legenda:

Para que servem os tios? ;)

Vi, achei fofo e fiquei pensando pra que servem os meus tios. Com quatro dos vários que eu tenho, a convivência sempre foi muito próxima e o relacionamento que tenho com cada um deles é muito distinta. De qualquer forma, consigo separar em dois pares, selecionados por idade. Tem os mais velhos e os mais novos. Com os mais velhos a relação é quase como a de pai, com direito a a ciúme besta, cara feia porque a saia é muito pequena e o decote é grande demais, ligações pra ajudar a resolver problemas, intervenções, visitinhas no meio do expediente pra levar um chocolate e coisas do gênero. Com os mais novos o esquema é de serem meus imãos mais velhos. Ensinaram a andar de bicicleta e a jogar vídeo game, emprestaram as pecinhas de Lego [e pegavam todas que eu ia perdendo dos meus próprios kits etc e tal], buscaram em festa, deram conselho sentimental, implicaram com o barulho, assistiram a desenhos animados, montaram quebra-cabeça e hoje eu cuido dos filhos deles exatamente como fizeram comigo e com a minha irmã quando éramos as crianças de casa. Excetuando-se talvez aquele episódio de colocarem uma pobre bebezinha de nove meses de vida num carrinho de rolimã. Mamãe disse que isso explica muita coisa sobre mim. 
Algumas das coisas divertidas de que me lembro e que me contam sobre a minha infância tem muito a ver com eles. Fosse um passeio meio escondido de moto, ou aprender a assar queijo meia-cura na chama do fogão sem receber bronca por ter sujado tudo, até as zoações eternas por coisas que eu disse quando tinha, sei lá, 3 anos de idade, tem muito dos meninos. Acho interessante ver como as coisas se seguem e vez por outra imagino que essas crianças de quem eu cuido hoje podem, quem sabe, um dia cuidar da nova leva, com os banhos de mangueira, a sessões de cócegas e os passeios no parque. E as broncas.


Tio serve prum monte de coisas. ^^


segunda-feira, 13 de junho de 2011

das aleatoriedades da vida (VII)


A gente enxerga as pessoas de forma obviamente muito pessoal. Na faculdade de tradução um conceito muito utilizado era o de "visão de mundo". Cada pessoa entende as coisas baseada no seu próprio conhecimento, em sua própria vivência. Vocês se lembram da moça que não foi lá muito gentil comigo - nem eu com ela? Hoje nos tratamos cordialmente e existe até mesmo simpatia. Não sou de dar muita conversa, mas tento ser pelo menos educada com as pessoas ao meu redor e, vejam, ela até sorri pra mim. Suponho que meu cheiro tenha mudado.
Na mesma linha de pensamento, pessoas que eram parte da paisagem pularam na frente da câmara e viraram personagem de importância no filme. 

Falando em cheiro, meu olfato me surpreende mais a cada dia. Essa semana eu não vi, mas CHEIREI uma pessoa entrando na sala de aula. Tô praticamente um cachorro de caça.


As crianças daqui de casa andam impossíveis. O Ivan Filho perguntou o que era a lata [era inseticida] que estava perto da janela e a Luísa prontamente respondeu:
_É detergente de inseto, uai!

A Anna Júlia me deu o banho quando eu a corrigi, dizendo que não era tia, mas prima dela.
_Você me dá aula e eu chamo minhas professoras de tia, tia Mayra.

E teve o Miguel que, quando eu pedi que remontasse o Sr. Cabeça de Batata para guardar me respondeu, em tom apaziguador:
_Ó, você arruma aí e guarda. Amanhã eu volto, desmonto e monto de novo na hora de guardar, tá?

Teve ainda o filho de uma amiga que me disse do alto de seus 3 aninhos:
_Vou cantar Iron Man, olha: Bêin, bêin, bêin, bêin, bêin! Pãrãrããrãrããrãrã!

Ivanzinho, o ser perguntado acerda do nome de um dedo [indicador], porque estava cantando a música dos dedinhos, respondeu prontamente que o nome do dedo era:
_Dedo, uai!

Não sei se foi culpa da fome, do vinho, da companhia ou de tudo junto, mas no fim de semana eu comi a melhor pizza marguerita de todo o universo. Estava tão gostosa que beira o ridículo.

Falta pouco tempo pra eu fingir que não tenho problemas e ver gente querida por algum tempo. Se eu sumir daqui a justificativa é: vou me afogar em amor.

Aí cidadão desconhecido liga para pedir uma tradução e pergunta onde pode me encontrar para pagar o serviço:
_Pode ser na faculdade?
_Pode, onde é mais fácil pra você?
_Eu estarei na Gastronomia, lá em cima.
_Aaaah, você quer pegar os homens pelo estômago...
_??? Então, na faculdade?

Noção: não trabalham.

Outro dia eu estava na sala de aula, tentando me concentrar na leitura e falhando vergonhosamente, liguei o iPod pra abstrair a zoeira e ele me manda, ,no shuffle, uma sequência que me fez querer sair dançando pela sala como se não houvesse amanhã, nem senso do ridículo ou uma reputação a zelar.
A sequência [sim, isso foi há quase um mês e eu anotei as músicas]:

Até gostaria de ter visto as caras das pessoas se a chatinha mal humorada da classe saísse dançando estranhamente e fazendo caretas, mas resolvi poupar a todos do ridículo e continuar com cara de bunda, porque não conseguia estudar.



Semana passada o Conge alcançou mais de mil visitas semanais. Fiquei surpresa, achei insólito e tô [com meu olfato de cachorro] caçando todas essas pessoas que de repente descobriram o blog. E me perguntando por que raios o número de comentários diminuiu. Algum blogueiro experiente e sábio consegue me explicar o movimento [é SEXY! O movimento é sexy! O mamão vai na cabeça!]? O sistema de comentários não está a contento?




E essa foi mais uma edição das aleatoriedades da vida. Obrigada pela audiência.



domingo, 5 de junho de 2011

dos palhaços


Hoje à tarde eu estava de bobeira em casa, como é conveniente e correto num domingo meio preguiçoso, quando ouvi uma música conhecida, vinda de um lugar aqui perto. Era a cantoria de palhaços chamando as crianças do parque para o espetáculo que começaria em alguns minutos. Catei a Lu, que estava com a vovó, na casa de uma amiga e chegamos a tempo de caminhar com os palhaços em suas pernas de pau. Enquanto eu ia de mãos dadas com ela, me lembrei da quantidade de vezes que fiz isso quando era criança, no clube, ou em algum evento do trabalho da minha mãe e não soube contar quantas foram.
Existe em Anápolis uma companhia de teatro circense [será que posso chamar assim?] de nome Bokemboka. A verdade é que pra mim a cara do Bokemboka sempre foi a do Washington, também conhecido como Seu Menino quando está devidamente paramentado. A primeira memória que tenho dele é de quando eu tinha 4 anos. Era aniversário da minha irmã e o tema era o Circo. Ele ajudou minha mãe a fazer umas cabeças de palhaço para enfeitar a mesa, veio, na hora da festa, com sua mala enfeitada muito, muito linda, fazer uma apresentação de bonecos - um número que vi sei lá quantas outras vezes - e maravilhou as crianças. Os adultos também, eu suponho, mas naquela hora eu não estava ligando nem um pouco para as reações deles [não muito diferente de hoje].Isso foi em 1990.
Depois disso passamos a vê-lo em vários eventos na cidade e soubemos de apresentações em outros locais. A cada novidade eu sentia uma pontinha de orgulho, porque uma das minhas características mais estranhas é sentir orgulho por pessoas que eu conheço e são fodas. O Washington e seu trabalho são inegavelmente fodas. 
Quando eu tinha 14 anos comecei um curso de teatro na intenção de fazer o tal teatro circense e qual não foi meu DELEITE quando vi que havia dois professores que se encarregariam disso. Ambos trabalhavam no Bokemboka. Tive aulas com o Stallin e o Marcelo, que me deram aulas no único semestre que eu fiz e me fizeram descobrir que algumas pessoas nunca tinham dado uma cambalhota na vida. Como pode? Que raio de menino foi esse, que nasceu em 80 e nunca deu uma cambalhota? Francamente!

Bom, muito recentemente eu ouvi uma notícia que me abalou bastante. O Washington tá doente - e bastante doente. E todas as vezes que passo em frente ao local onde estavam sua lona e seu escritório sinto um aperto brutal no peito. Isso acontece pelo menos 5 vezes por semana, já que está no meu caminho para a faculdade.

Hoje eu vi a apresentação dos meninos que eu chamei por muito tempo de "os meninos do Washington". Ri como se jamais tivesse visto qualquer  daqueles números, como se tivesse cinco anos e como se nunca na vida tivesse sido triste. No meio disso, em dois momentos específicos, senti uma pontada de dor, ao me lembrar do cara que provavelmente ensinou um monte pra essa galera, que me divertiu tantas vezes, que alegrou um monte de criança e que sabe-se lá se vai poder se apresentar de novo. Comentei com a minha mãe que ao menos uma coisa me deixa satisfeita: o Washington - e qualquer pessoa que se preocupe em passar valores de para seus filhos/sobrinhos/molecada em geral - não precisam esquentar, porque crianças como a Luísa e todas as que estavam se divertindo no parque verão a continuidade do trabalho que é feito há anos, com muita dificuldade e carinho ainda maior. As músicas, as caixas, as máscaras, as brincadeiras, a diversão sem maldade vão continuar ali. E enquanto alguém ouvir da cozinha de casa o palhaço cantando e atender o chamado, eles vão nos fazer rir.



O Stallin está, desde 2001, com a Companhia Itinerante Tem Sim Sinhô e vem fazendo trabalhos com o Projeto Boca Do Lixo pra promover arte e cuidado ambiental. No fim do espetáculo de hoje havia mudas de árvores frutíferas, que algumas pessoas puderam levar para casa. A quem possa interessar: no próximo domingo tem apresentação novamente, às 17:00 no Parque Ipiranga. Vale pra todo mundo, quem tem filho e quem não tem. É lindo! É sempre lindo!





*Essas fotos foram tiradas no domingo seguinte ao domingo em que escrevi o texto. Levei a meninada pra ver. :)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

das coisas que eu tenho pra contar


  
Oi, meu nome é Mayra e eu tô aqui pra falar de coisa boa.Vamos falar da iogurteira Top Therm?! 

Tenho coisas pra contar pra vocês.

Primeira coisa: Como uma pessoa muito importante me disse que não tá conseguindo comentar no Conge, instalei o Intense Debate, então agora você pode logar com os botõezinhos aí embaixo ou simplesmente colocar o seu nominho e comentar sem logar. Pode ser que fique meio lentinho, mas devagar se vai ao longe, meusa!  Gente, isso é pra vocês comentarem, sim?

Segunda coisa: O Ivan Filho disse outro dia que queria um carrinho HOT WILSON. Vou comprar pra ele, mas ainda não achei em nenhuma loja.=P

Terceira coisa: arrumei uma infecção de garganta na semana em que eu teria que apresentar um trabalho no auditório da faculdade, ir a um show, apresentar trabalho na sala de aula e ir a uma festa em uma chácara. Quer dizer, né? O bróder do 1o trabalho disse que queria apresentar sozinho. Belê, me liberou pra ir doente ver os shows e passar vergonha com mulé mal comida e mal amada. Cês sabem que Síndrome da Mal Comida é meio que uma versão feminina da Síndrome do Pinto Pequeno, né?  Nêgo pode ter um pinto enorme e ela pode ter o namorado com o melhor serviço da cidade, que se sofrerem da síndrome, adeus. Passei carinho, fui chamada de "gostosa demais", revi um monte de gente bacana, ganhei dois sorrisos derretedores do gelo mais congelado, falei besteira e agora tô aqui com a garganta explodindo, o estômago ferrado de antibiótico e de boa na vida. Ou quase, né? Não mudei de personalidade.

Quarta coisa: Cês viram que eu tô participando de um blog culinário-gastronômico? Ele tem o sugestivo nome de Flocos Crocantes pra todo mundo completar a frase [antes e depois das duas palavras] e ficar com vontade de comer Chokito. Oh, wai, isso é um particular meu. O blog é uma colaboração entre a Luana e a Bruna, que gentilmente me chamaram pra integrar o time. Todos lê e todos come!

Quinta coisa: Finalmente coloquei aqui - e lá - o selinho do Belezhnik. Também foi colaborativo e entraram a minha irmã ruiva Joyce e meu parça de tramoias na vida, o Alesqui. Queridos, cês sabem que eu agradeço de coração, né? Pois é. Agora todo mundo copiando e colando pra espalhar, que aí eu vendo muitos caderninhos e posso viajar bastante e visitar vocês. E lembrem-se que bros amigas nós vaz breça baratinha. =D






Sexta coisa: ih, esqueci.


Sétima coisa: Agradecimento especial à Tadsh, que, não só deixa eu ser amiga do marido dela, como me deu a ideia pra fazer o post e testar o esqueminha de comentários. 



Tá bom de coisa, né? 
Boa noite. :)







domingo, 1 de maio de 2011

dos fragmentos de conversa entreouvidos por aí




_Excesso de alumínio no organismo pode causar mal de ALZAIMS.
[frase dita por um professor de ensino superior.]

______________________x______________________

 _Eu não dava conta, sabe? Você tá lá, deitado com a pessoa, assistindo um filme, mas com esse tipo de informação na cabeça não dá pra prestar atenção. Não dá pra pensar em mais nada. Daí eu tava super de boa num dia, no outro cheguei pra ela e disse que não conseguia mais, que isso, não ela, fazia de mim uma pessoa ruim, amarga. E eu não quero ser assim, eu não quero ser amargo.
_Acho que nós somos gêmeos.

______________________x______________________

_Cê já superou isso?
_Já.
_É bom, mesmo. Tem que esquecer.
_Nã, nã... Superei, mas não vou esquec...
_TEM que esquecer, cara.
_Pode até ser que eu TENHA QUE, mas não vou. Eu nunca esqueço uma escrotice.

 ______________________x______________________

Quando o silêncio e o disfarce, que deveriam servir como sinais para que as pessoas ~ play along ~ e fiquem bem quietinhas parece funcionar de forma contrária e elas, se negando a entender qualquer coisa, fazem a gentileza de ignorar tudo e metem não o dedo, mas a mão em punho dentro da ferida. Mal tinha uma casquinha de cicatrização.

______________________x______________________

_Que cê tá ouvindo aí?
_Everything Is Gonna Be Fine, na tentativa de acreditar nisso e fazer virar verdade. 

______________________x______________________


_Você gosta de ficar em casa? 
_Ah, gosto.
_Eu gosto de ir pra escola, porque bom mesmo, é amigo que entende a gente. Amigo de verdade. Que quando você machuca... A Iasmim, por exemplo, você machuca e ela 'Ai, vou contar pra todo mundo que você machucou!'"
[esse diálogo aconteceu entre duas crianças muito sábias.]


 
 
 Às vezes uma mentirinha tem só a intenção de não foder com tudo de uma vez.

domingo, 3 de abril de 2011

dos aniversários



No sábado estávamos os adultos sentados na sala do apartamento,  depois de comer montes de lasanha e bolo do aniversário da Lu, conversando, quando chega o Miguel, 3 anos, e pede, com olhos de gatinho do Shrek:
_Papai, pega meu livro lá no carro pra mim?
_Não, Miguel, deixa isso pra depois. 
_Pega, pai. É só meu livro...
_Mas tá tarde, tá escuro, o carro tá trancado...
Miguel, percebendo a batalha perdida, tenta o novo front: 
_Mãaaaae, pega meu livro no carro pra mim?
_Meu filho, tá longe o carro. E a mamãe tá conversando.
_Mas eu sou o pai e tenho que ler uma historinha pra neném poder dormir. 
Aqui eu entro na história:
_Por que você não inventa uma historinha pra neném? Vai ser bem mais legal!
Ele me ignora e volta para a progenitora:
_Não, mãe, Cê vai lá e volta, é rapidinho, não precisa ter medo! *aqui já fazendo biquinho*
_E eu vou lá embaixo sozinha?
 *Voz de choramingo de guerra perdida* 
_Mas o passarinho vai comer meu liiiiiivro!


 Explodi[mos todos] numa gargalhada infinita, enquanto a criança frustrada sentava no tapete.




Sobre o aniversário do Ivan Filho, vou me manifestar apenas com uma foto:

Tã nã nã nã nã nã nã BATMAAAAAN!



*A trilha sonora é exatamente a do aniversário da Lu. Ela não é cult? =P



sábado, 2 de abril de 2011

das rapidinhas



Vim só contar as duas melhores de hoje.

Como alguns sabem, dia 01.04 é aniversário da minha afilhada, a Luísa, mas a comemoração ainda vai aocntecer, no sábado. Daí que de manhã minha mãe ligou pra ela, na intenção de dar aos parabéns e recebeu como resposta:
_Nãaao, tia Jane! Minha mãe mudou o dia do meu aniversário! Agora é amanhã!

[na hora de ganhar o bolo favorito ela não fez nenhuma ressalva, claro.]


E hoje chegou um livro que comprei, por indicação da sempre antenada [e fofa e linda] Cris Hiba. O livro se chama "O Homem Que Comeu De Tudo" e mesmo se gastronomia não fosse a minha área, me interessaria. Pois bem, comprei pelo Estante Virtual por menos da metade do preço de um livro novo. O vendedor confirmou por e-mail que o livro estava em ótimo estado de conservação, apenas um pouquinho amarelado pelo tempo, mas nada demais. Foi super atencioso e o livro foi entregue direitinho, no prazo certo e eu não ganhei nada pra divulgar isso. Tô só sendo legal com os quebrados do mundo. =)

Bom, o livro chegou, eu abri e quase caí das pernas. 
Só tive tempo de pensar "putaquepariu, o cara disse que o livro estava ótimo e ag... será que foi um cachor... AHAHAHAHAHAHAHAHA



Minha lerdeza e raiva são inacreditáveis. 

Minha recém adquirida capacidade de fingimento também. 

terça-feira, 15 de março de 2011

das grifes



Olá, anotativo leitor!

Tem uma coisa rolando e é a seguinte: como todos alguns de vocês se lembram, minha mãe faz aqueles caderninhos bem legais. Certo? CERTO? Agora os cadernos têm grife! E com um nome bem bacana: BELEZHNIK. 
Belezhnik é uma palavra em húngaro que significa... caderno. Sou poliglota? Sei usar o Google Translator? A palavra tem um quê de BELEZa? Soa bem? As pessoas vão consegur falar isso? Essas são questões que ficarão em nossas mentes e só o tempo, esse cretino amigão, irá responder.
Outras perguntas, no entanto, eu posso responder agora. A saber:

P: Sua mãe continua fazendo os cadernos?
R: Sim. De vez em quando eu ajudo, mas prometo não derrubar suco de amora na mesa outra vez.

P: Vocês têm um blog de verdade, ou só ficam aproveitando o espaço do Congeminemos?
R: Temos um blog, com o criativo nome de BELEZHNIK, que até o momento só tem um post e ainda é copiado do que eu fiz pro Conge, mas vale como blog, ok? Ok.

P: Cê vai copiar esse post pra lá também?
R: Claro que vou. Essa semana eu tenho um trabalho sobre a influência portuguesa no País pra apresentar, preciso cortar o cabelo, comprar tecido pra fazer umas bandanas [serei uma gastrônoma com bandana de caveiras. muuaaah], dar uma passadinha na costureira e cortar muitos quilos de batata. Não dá tempo de fazer outro post, né?

P: Quem fez aquele banner absurdamente lindo e fofo?
R: A mesma pessoa que fez a minha menininha aqui, a queridíssima irmã ruiva Joyce.

P: Ouvi dizer que você fez um flickr só pros cadernos, como se o seu já não fosse só pra isso. Como você explica esse exagero de informação?
R: É que Congeminemos não é uma palavra das mais comuns. Nem Belezhnik, né? Daí eu pensei que se fizesse tudo com o mesmo nome, facilitaria a vida dos meus clientes desmemoriados - nem todos são, mas se eu já tive que refazer a senha do gmail 4 vezes essa semana, quem garante que as pessoas se lembrem de palavras bizarras?.Facilita, não facilita?

P: Como assim, tudo? Cê fez mais alguma coisa com esse nome?
R: Eu sou incansável, né? Fiz e-mail, Twitter e Orkut até o momento. Pode ser que mais pra frente saia um Tumblr também, mas vamos ver. Desse jeito a vida virtual dos cadernos tá mais agitada que a minha.

P: Cê não acha que esse desfiado da sua calça, na altura da coxa, tá grande demais, não?
R: E que raios isso teria a ver com cadernos?

P: Não sou eu quem faz as perguntas aqui?
R: Tá bom, tá bom. Mas atenha-se ao conteúdo, por favor.


P: O que sua mãe acha desse tipo de divulgação?
R: Olha, eu espero que ela goste, porque escrever asneira é a única coisa que eu faço com algum nível de confiança, além de bolo de limão e risoto. A gente trabalha com o que tem.


P: Algum famoso já comprou caderno de vocês?
R: Claro! A Cachorra manca,  Letícia, a Cris, a Marina, a outra Marina, o Heitor e a Solin, além da Lilian, que, preciso dizer, é provavelmente a pessoa mais famosa de São Paulo. Dá uma checada: ela é amiga de todo mundo. Eu tô esquecendo de alguém, mas, por favor, entenda, a essa altura da vida já não há memória que me aguente.

P: A não ser pelo Heitor, todo mundo aí mora em cidades diferentes, né? Qual o processo?
R: Aqui no Brasil existe essa coisa avançadíssima chamada Correios e Telégrafos. Duvido que eles ainda usem os telégrafos, mas não ligo. Acho um nome eloquente. Eles dão uma mãozinha na hora de entregar. Cobram uma ajuda de custo, mas nada muito alto.

P: Quer dizer que vocês vendem pra fora?
R: Isso me parece uma pergunta capcioosa, manda outra.

P: Não, acho que já tá tudo aí. Se algum potencial comprador tiver dúvida, deve se dirigir a quem?
R: A mim, aqui no blog, no meu Twitter, Facebook, ou e-mail, ou ainda, a mim, mesma no blog, no Twitter, no Orkut e no e-mail da Belezhnik.

P: Certo. Quer deixar um pensamento pros leitores se deliciarem com a sua sabedoria e conhecimento de frases fodas atribuídas erroneamente a filósofos e escritores?
R: "A vida, sem cadernos, seria um erro". É do Nietzsche.

P: Ok, Boa noite e muito obrigada pela entrevista encantadora.
R: Por nada. Não esquece de revisar o português, viu?


Taí. Se alguém tiver alguma outra pergunta, já sabe onde procurar a resposta.

Agora vem o legal, leitores queridinhos. 
Eu peço que vocês compartilhem, divulguem e colaborem pro ESPALHO da Belezhnik e, em troca, daqui a uma semana, eu sorteio 3 cadernetas pra 3 pessoas que comentarem aqui e seguirem .



É legal, não é?
Diz que sim,  vaaai!

Siiiiiiim?