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quinta-feira, 28 de maio de 2015

do que se aproxima




Na beirada de tomar uma decisão [que já foi tomada, na verdade], as perguntas deram uma cutucada aqui no ombro, e optei por ignorá-las, já que não fazem tanta diferença assim.
O pé já se molhou, a onda já umedeceu a barra da saia, a água tá gostosa, mas o mar é grande, repara, até o barulho dele é de algo enorme. 
Senti cheiro de fruta madura, de grama molhada e cheiros novos, que ainda não identifiquei. Parece que tem outros mais pra frente.


Vou lá ver do que se trata.

sábado, 9 de maio de 2015

das estrelas




Minha tristeza é calma. 
À noite na estrada dá pra ver um bocado de estrelas - eu não as via há muito tempo. 
Minha tristeza é calma. 
O player decide tocar duas vezes cada música do Jeff Buckley e eu nem penso em reclamar. 
Minha tristeza é calma e aparentemente continua enganando as pessoas, se passando por paz de espírito. 
(talvez seja)

Fake it until you make it?

terça-feira, 21 de abril de 2015

da presença




Eu gosto de presença.
A despeito de ser uma pessoa essencialmente sozinha, eu gosto da presença das pessoas que mesmo de longe me fazem sentir como se estivessem por perto. É uma sensação curiosa, cheia de incoerências, mas até aí, cheia de incoerências eu também sou. As pessoas que possuem tal capacidade entram no meu coração bocozinho de graça, escorregam pra dentro e ficam ali me nutrindo, às vezes, até sem saber.
Hoje eu reparei que uma dessas pessoas não era assim só pra mim, era pra um monte de gente. E foi bonito de observar. 
Das poucas coisas em que eu acho que me dou realmente bem na disciplina Maturidade é aquela parte em que nos ensinam que é melhor uma pessoa querida bem e longe que mal e por perto. 
Hoje eu estive perdida nas palavras e engasgada nos sentimentos, uma mistura não equilibrada de tristeza e alívio.
Alívio pelo fim do sofrimento. Tristeza pelo sofrimento que teve que acontecer. Alívio por não ter sido maior. Alívio. Alívio. Alívio. Abraço. Presença. 

domingo, 19 de abril de 2015

das facetas




Peguemos um ser humano específico. Cada pessoa que o conheça durante a vida o enxergará de maneira um pouco ou, às vezes, completamente diferente de todas as outras. 
Acho que essa diferença de percepção se dá porque é sempre uma troca, eu suponho. O vetor, coisital. 
Dito isto, não deixo de me surpreender e ficar um pouco "é mesmo, fera?" cada vez que vejo uma declaração de conhecimento profundo sobre a alma alheia e ela não bate com o que eu mesma sei. Obviamente, o papel de optário nunca está definido com muita precisão, mas a gente gosta de achar que é o outro, né?

nunca pensei

Aí eu fico observando [daqui eu vejo uma luminosidade, um tiro] e pensando em quantas facetas a gente pode ter. Se uma pessoa te acha séria porque você é séria com ela e você é séria com ela porque ela é séria com você, como se sai disso? Eu usei seriedade como exemplo, mas podia ter sido silêncio, podia ter sido babaquice. Acredito que o jeito mais legal de estar preso nesse vai e vem aí é com bocozice e carinho, duas coisas que tendem a não fazer mal, mesmo quando tomadas em doses altíssimas. 

Não tá fazendo sentido, por outro lado, a essa altura da vida, não me parece muito necessário fazer.


dsclp e obrigada pelos peixes.



das torres





Escrever e ir despindo as angústias uma a uma, como bijuteria que se esquece de tirar antes de dormir e se empilha no criado-mudo.


Há tempos eu andava travada com as palavras. se culpa da pressa, de não querer lidar comigo mesma, de apenas não dar atenção ao que corria, na esperança de que eu fosse me desviando dos pequenos incômodos durante o caminho [que anda cada vez mais bonito e menos cheio, essa é a verdade que a mayra do passado, a que achava que uma vida sem bastante dor e sofrimento não era digna, deve estar chocada em perceber que foi uma opção], eu realmente não sei dizer. Funcionou em alguns casos, definitivamente não funcionou em outros. Continuarei tentando ostensivamente em outros mais - eu sou resiliente, isso ninguém pode negar.

Há um monte de rascunhos com ideias ou poucas frases soltas, há folhas de papel perdidas na carteiras, presas nos cadernos, dobradas atrás do kindle, usadas como calço pra uma outra ideia que foi usada pra marcar a página dum livro que eu comecei a ler e não terminei.

Caceta. 
Daqui a pouco, o criado-mudo tá da altura das Petronas.

sábado, 18 de abril de 2015

da inquietude





De repente, de onde sempre houve arremedo de tranquilidade e sossego, uma calma controlada de granada sem pino, surgiu uma inquietação. Uma necessidade de sair do lugar e ver tudo que passou pela janela (tantas janelas. E agora parece óbvia a razão pra gostar de janelas assim). 
Enquanto espera, a coisa mais sábia a se fazer é botar na cama o lençol mais macio e as fronhas de fleece nos travesseiros extras. Nenhuma música, nenhum filme, nenhum livro prende a atenção por tempo suficiente, é tudo muito frágil. 

Muita historinha passa pela cabeça, muito "e se". Uma vez eu tive um relacionamento que durou as estrofes de uma música. Dia que eu reparei que o último encontro foi também a última estrofe achei doce e bonito, não achei triste, uma vantagem que só o distanciamento do tempo proporciona.

Eu vi tanto nos últimos meses. Estive num país novo, com uma cultura diferente e moedas sem números (por que alguém faz isso, meu deus, por quê?) e mesmo lá dentro houve tantas diferenças, é fascinante observar e sentir. E é fascinante comer loucamente e sem lembrar que há calças que não se adequam a pessoas que comem loucamente sem lembrar que há calças que n--

Estive na cidade dos parques™ e arranquei uns três "oi?" quando, ao me pergumtarem do que eu mais gostei, respondi sem piscar "da nasa <3" 

Na cidade do Carnaval Deles™, me choquei que um dos desfiles principais começa com uma banda de militares. Francamente, amigos, vocês não entendem de carnaval. Em meia hora, no entanto, eu estava pedindo colares aos berros - e usando um chapéu de lobo cinza de pelúcia. Com patas que eram cachecol E luvas. Tava frio. A música. A comida. As pessoas. A cidade. Que lugar lindo. 

Talvez eu tenha ido ver onde um dos meus cantores favoritos fez a deselegância de morrer. Talvez tenha sido uma das melhores decisões da minha vida. Ver a casa do rei e almoçar no bar do outro rei, ouvindo blues e me maravilhando com cada minuto da vida foi, definitivamente, uma boa decisão. Comi tomates verdes fritos lá. 

E fui visitar uma amiga e morrer de amores pelo filho dela e ter a certeza de que eu escolho gente massa pra minha vida. De quebra, me encantar por mais uma cidade e não conseguir ver as sequóias gigantes porque aparentemente todo mundo teve a mesma ideia. 

Antes de tudo isso, teve a maçãzona lá. Com neve de filme, visita a vários monumentos, me hospedar em frente à casa onde o Coltrane morou, passar 01 dia inteirinho andando no museu de História Natural, comer bagel todos os dias, roubarem, minha luva no metrô, comer um pãozinho indiano com cominho e me apaixonar perdidamente e, prestenção, nem cominho eu curto. Teve até um mala que me conheceu e depois me achou em outra cidade. 



Muita experiência boa pra compensar o fim de ano bem chato (hue).
Parece injusto que eu queira continuar feliz, eu acho.


me obrigaram a tirar foto, que fosse com a syline mais bonita, então

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

dos ponteiros




Às vezes, as perspectivas mudam como se a gente estivesse sentado no ponteiro de um relógio. Vez em quando, no maior, vez em quando, no menor. Ultimamente, parece que tenho me sentado no ponteiro dos milissegundos, revisito com alguma frequência um tema ou outro e quase sempre tem uma coisa nova ali. 

Inclusive, este ano voltei a algumas cidades. Em todas as vezes a experiência foi bastante diferente e tenho a impressão que foi porque eu, definitivamente, não era a mesma. Talvez eu porque eu estivesse toda ali, talvez eu estivesse mais tranquila, talvez eu estivesse mais leve - é essa a aquisição mais preciosa dos últimos tempos, a leveza. Jogar fora o que pesava e ocupava espaço parece ter feito um bem ainda maior que o esperado. Passei por São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Belo Horizonte, entre julho e outubro e tô um pouco mais encantada por cada uma delas [talvez se deva fazer um adendo sobre São Paulo. Meu caso de amor com ela não é novo e acho que alguns pontos específicos da cidade, se tivessem memória  e pudessem falar, sequer lembrariam de mim, porque é gente pra cacete, então naaah].

O ponteiro vai girando e vai-se percebendo que um problemão era probleminha, que o meu é, sim, importante, mas que, eventualmente, o dos amigos é mais que o meu e nessas bota-se cada coisa em seu lugar e a vida passa a funcionar.
A-VI-DA-FUN-CI-O-NA. Eu não me canso de sentir algum encantamento por esse fato.
 
As expectativas, assim como as perspectivas, mudam. Numa conversa que eu tive um dia desses, chegamos ao consenso de que a gente controla as expectativas, mas o cérebro e o coração são meio tapados, então a possibilidade de dar merda tá sempre aí - e isso não deixa de ser, sei lá, um charme, uma vantagem, uma graça. O grande truque que eu tô usando é não deixar a expectativa ser um suflê sem base [opa, pera, isso foi de outra conversa, com outra pessoa], outro é só tentar corresponder às minhas próprias expectativas. Gente, a maravilha que isso faz pela pele, pelo cabelo, pelo sono, pela gastrite. Ah, sim, tendo a me preocupar em atender as expectativas de uma outra pessoa. As dele:




Porque cafuné, mamadeira, almoço nutritivo e gostosinho, umas jogadas pro alto, dancinhas bizarras, vídeos da Arca De Noé e longos banhos lendo livro emborrachado eu consigo fácil, fácil. E achando bom.







segunda-feira, 10 de março de 2014

dos desastres que se evitam



Eu sempre fui muito desajeitada. 

Sempre caí, sempre derrubei tudo, acertei as pessoas sem querer, quebrei copos, pratos, rasguei meias, sempre. Com o tempo, aprendi a cair (visto que eu nunca botei um gesso ou tala, dá pra dizer que levar tombos é minha especialidade). Aprendi também que um pouquinho desse desastre tem a ver com a enxaqueca e as vertigens que a acompanham. 
Outra coisa que aprendi com o tempo foi a deixar cair o que pode me machucar numa tentativa de salvamento, como facas ou panelas quentes, e a segurar o que deve ser impedido de chegar ao chão, como pratos quebráveis e crianças. 
Saber que algumas coisas são mais valiosas que outras é bastante importante. Uma faca, por mais que eu goste dela, é uma faca. Embora tenha vindo num kit, com estojo bonito revestido em couro e um monte de outras facas e utensílios, é só uma faca, pode cair, pode se estragar, não tem problema, . Crianças não são vendidas em kits, por enquanto, eu acho e, quando caem, se machucam. 
Segurar a criança e dar um passo pra trás quando a faca cai.
Assim ninguém se fere, assim tudo que tem que sair inteiro sai inteiro.

sexta-feira, 7 de março de 2014

do que se vê




De longe, é suave, o rosto é quase tão redondo quanto o de um bebê. De perto, no entanto, se percebem leves marcas, vincos, sulcos que, mais que a idade, a vida deixou ali.
Sorriu, gostou do resultado, o cinzel fez um bom trabalho.

sábado, 27 de julho de 2013

das persianas




Mesmo com as persianas fechadas, eu vejo as luzes lá de fora. 
O parapeito da varanda faz na cortina uma sombra tão retinha, parece desenhada com régua e caneta.
A noite está fria, eu deixei de caber em mim, a música não preenche o que deveria e só o bebezinho que tento fazer dormir me impede de sentar no frio, sentindo o vento gelar meu rosto. 


Mesmo com as persianas fechadas, eu vejo as luzes lá de dentro.


quarta-feira, 12 de junho de 2013

das palavras que puxam música




Eu costumo dizer que minha memória é tão terrível pras coisas do dia a dia e pra fórmulas porque está completamente ocupada por roupas que eu usei em momentos já perdidos no tempo, em coisas que me disseram, vergonhas que passei e músicas. Muitas músicas. Nomes e letras. Versões diferentes. Simplesmente não há espaço pra coisas fúteis como os valores de fator de correção, fórmula de Baskhara, ou tirar a roupa da secadora assim que ela se desliga. 
Daí que sempre rolam umas palavras que me fazem lembrar de músicas. Visto que ouço muita música cantada em inglês e, lá nos primórdios, foram elas que me ajudaram a aprender a língua, sofro um probleminha atualmente: eu dou aulas de inglês. Nessas aulas, obviamente, preciso ensinar vocabulário, que tá sempre cheio das palavras e expressões que me lembram músicas e eu fico com algumas na cabeça pra sempre. Era ainda melhor quando eu dava aula pra duas turmas do mesmo livro e trabalhava a palavra, às vezes, por duas semanas seguidas. Hoje foi a expressão "the first step is the hardest" e eu comecei a bater a perna feito um bêbado com a mola estragada e cantei You Might Die Trying até o refrão, porque não conseguia lembrar o título da música. Semana passada teve "suspicious", eu cantava mentalmente e uma aluna mandou: 
_Nossa, tem uma música com isso, não tem? Suspicious... suspicious...
_Tem. Suspicious Mind

Numa eu tive que explicar "at large" e cantei The World At Large, falei de "worried mind" em duas aulas,  numa lembrei de Since I've Been Loving You, na outra, de Layla. Bom, Alive só me lembra Pearl Jam; Feeling Good é da Nina Simone; se me dizem "flow", quero Go With The Flow; "sunshine" só pode ser Of Your Love. Walk Away vem acompanhada da voz do Ben Harper. Expliquei "what's in store" e I Get Along Without You Very Well grudou na minha cabeça por dias. "Tender" pode ser carne e pode ser música, depende da fome. "Aim" é o assunto com a Alison;  "I don't mind" certamente é parte de The Kids Are Alright. By The Way me provoca  alívio por não ser famosa. 
"Couch" só me faz lembrar de Last Goodbye.


Tem app pra otimizar o uso do cérebro? ¯\_(ツ)_/¯


terça-feira, 14 de maio de 2013

dos monstrinhos






Há não muito tempo tempo [depende do que se considera muito tempo, obviamente. Há muito tempo nem posto aqui] falei dos meus tios
Pois bem, agora é a  minha vez, fiquei oficialmente pra titia. Logo, logo, minha irmã expulsará para o mundo uma criaturinha chamada Rafael, que ficará algum tempo na minha casa e por quem eu já morro de amores. Não sei que cara o moleque tem, mas já o imagino nas roupinhas inacreditavelmente fofas que ganhou, já fiz mais de duzentos bolinhos por ele, já quis até entrar em briga porque todo mundo sai com essas de "nosso sobrinho" e, vejam bem, essa criança tem dois tios biológicos e apenas 4 adotados. Rafa ainda não nasceu e já tem uma tia bem ciumenta. 
Voltei a pensar em tudo que meus tios representam pra mim, no carinho, nas brincadeiras e nas broncas - e, gente, o que eu levei nessa vida foi bronca. Só pararam agora porqu--não, não pararam -, mas tenho pensado, principalmente, no que aprendi com cada um deles. Tem a tia que me deu um relógio de ponteiros e ensinou a olhar as horas; a que me ensinou a pintar com aquarela e a fazer miojo; o que me ensinou a andar de bicicleta; o que me contou que ele só brigava pelo comprimento da minha saia porque sabia exatamente o que os caras falariam na porta do bar, se eu passasse por eles vestida daquele jeito; o que largou tudo o que tava fazendo e foi me aconselhar quando viu que eu precisava; o que me tirava do sério, mas me carregava pra todo lugar. 
As circunstâncias são muitíssimo diferentes e nem de longe eu conseguiria fazer isso tudo pelo monstrinho, já que sou uma só. Isso não me impede, no entanto, de querer fazer pelo garoto o que eu puder, o que inclui já estar pensando nas papinhas que ele só vai começar a comer no ano que vem e que não podem ser industrializadas, ora essa, se ele tem uma madrinha gastrônoma. Inadmissível. 

Já penso nos passeios, nas voltinhas pra pegar o sol da manhã [ESTOU PENSANDO NO SOL DA MANHÃ, AMIGOS], nem as possíveis noites em claro seguidas de dias de trabalho tiram o sorriso idiota que brota na minha cara só pela menção ao bebê. 

Estamos preparando a casa para recebê-lo, o quarto ao lado já tem cheirinho de nenê, por conta das roupas, das colônias, dos sabonetes [e deuls sabe o quanto me custa não deixar essas roupas em cima da minha cama o dia todo, pra impregnar o perfuminho em tudo]. Já há brinquedos fofinhos e fraldas visíveis, já se conversa sobre quem dará os banhos nos primeiros dias [ESCOLHE EU, ESCOLHE EU, GENTE].
A chegada do Rafael está prevista para a segunda ou terceira semana de junho, mas, sendo filho de quem é, pode aparecer por aqui a qualquer momento. Ele tem uma tia Marocas ansiosa, esperando pra ver a cabeleira que já enfeita a cabecinha, louca pra ficar com a boca toda mordida - porque esse é o jeito de ela se controlar e não apertar as criaturinhas. Querendo muito ser pra ele o que meus tios são pra mim. 





sexta-feira, 9 de novembro de 2012

das recomendações



Meu ouvido é burro. Isso não é novidade pra quem convive comigo, reclamo do problema com certa frequência. 
Embora eu tenha sérias dificuldades pra entender partes diferentes das músicas e precise de muito esforço e concentração para separar os instrumentos, pode-se dizer que música é uma parte considerável da minha vidinha [todos ri]. Acho até que música é a coisa que mais me atinge no mundo. Arruinei algumas quando resolvi ligá-las a pessoas, fiquei bastante feliz quando consegui desconectar as coisas e posso contar nos dedos de uma mão as vezes em que eu não quis ouvir música alguma. 

Na brincadeira, vários amores auditivos vão se formando e se fortalecendo no meu coraçãozinho musical, sendo que alguns simplesmente se recusam a sair daqui. Eu já citei no Conge, e já usei em trocentos posts, o Jeff Buckley. Jeffinho pros íntimos. 

O menino teve uma história interessante, era filho de um músico foda, com quem ele não teve convivência, apesar das semelhanças gritantes. Não sei exatamente como, não me lembro do caminho, mas tava ouvindo alguma coisa do Zeppelin e me deparei com o documentário Everybody Here Wants You no meu, no seu, no nosso youtúbio. 
Funciona da seguinte forma: eu me esqueço de detalhezinhos bestas, como o cara já ter morrido e eu nunca ter respirado o mesmo m³ de ar que ele, e me sinto bizarramente próxima, quero me casar, ter todos os filhos dele, morar numa casinha com cerca branca e um estúdio no fundo, com uma les paul bem linda num armário com porta de vidro. Nutro um tanto de sentimentos com o trabalho alheio e sorrio, choro, faço caras de tristeza, levo a mão ao pescoço [sinal máximo de angústia], enfim, toda uma gama de reações ridículas que eu evitaria, se estivesse em público. 
Sem contar que me colocam o pai do rapaz cantando Song To The Siren, só pra me fazer desmontar [mais] um pouquinho.

No meio do esquema, vendo o Jimmy Page falar sobre o Jeffinho, fiquei pensando que, no fim, meu ouvido pode até ser burro, mas meu gosto musical não é, não.

Link tá ali em cima. Pra quem gosta ou quer conhecer Jeff, o segundo Buckley, recomendo de com força. 







quinta-feira, 13 de setembro de 2012

dos pensamentos





Acompanha-me desde sei lá quando o hábito de escrever. 
Escrever para fugir, para imaginar possibilidades novas, para relatar, para passar o tempo,  mas a função principal da escrita ao longo da  minha vida é colocar as ideias em ordem. Escrever serve ainda para direcionar pensamentos, espremer seu suco, gastá-los, consumí-los, assim eles abrem espaço aos outros que querem chegar ou crescer.
Tenho feito isso desde menina, primeiro com diários, agendas, cadernos comprados só para os "escritos" [houve até época em que tentei poesias, que, definitivamente, não são o meu forte], folhas soltas no fichário e, no auge das merda tudo, até em etiqueta adesiva de marcador de tempo do CESPE. Esse costume foi reforçado quando entrei na faculdade, já que parte da nota de uma disciplina era um conjunto de textos, no mínimo 15, se não me falha a memória, sobre absolutamente qualquer coisa. O trabalho veio muito a calhar, já que foi uma época de mudanças e uma dose sensacional de confusão, as observações tanto me ajudavam a entender quanto me distraíam, quando eram sobre coisas que eu via na rua, ou reclamava do comportamento de alguém.
Reforcei aí o hábito e algum tempo depois, por culpa de dois amigos [briguem com eles] fiz o Conge, exatamente a continuação daquela disciplina da universidade, agora pra um monte de gente olhar. Muito do que escrevo nem vem parar aqui, não tem a função "social", continua tendo, no entanto, o papel de me ajudar na ingrata [mentira] tarefa de compreender a mim mesma, a vida, o universo e tudo mais.

Aprendi, nessa brincadeira, que é interessante tratar pensamentos como roupas: devem ser lavados, bem enxaguados, ganhar um pouquinho de amaciante na última água, pra não ficarem duros depois de secos - flexibilidade é importante. Precisam também ser passados, dobrados e guardados nos cabides e gavetas corretos. Nesse momento a gente descobre umas ideias que encolheram, não servem mais; outras que estão muito gastas, precisam ser substituídas; algumas tão desbotadas e puídas, mas das quais não abrimos mão; as que a gente só usa em casa, ou só em festa; aquelas que a gente nem lembrava que tinha e fica feliz por reencontrar, as que foram presente  de alguém querido. Com tudo ordenado é mais fácil saber e providenciar o que tá faltando.

É o tipo de trabalho que pode ser bem demorado. 







segunda-feira, 10 de setembro de 2012

das corridas



Tem uma cena de Peixe Grande que mostra como o tempo anda mais devagar quando uma pessoa conhece o amor da sua vida. E que, no momento seguinte, ele se acelera, pra compensar e voltar tudo ao normal. Sempre a achei bem bacana, poética, bonitinha e recentemente observei que essa dinâmica parece funcionar com várias coisas. Por exemplo: a vida fica num marasmo terrível durante muito, muuuuito tempo, aí ela resolve andar [ou ainda: você troca a pilha do brinquedo], começa a se movimentar, pega velocidadecomeçaairrápidopracaceteBANG! A gente perde o rumo, para, olha, dá aquela coçadinha no queixo, pensa, faz umas contas, olha mais um pouquinho e diz de forma bastante sagaz e articulada: MANO!

Esses momentos podem ser horrorosos, podem ser maravilhosos e podem apenas confundir a cabecinha de quem vive isso, embora qualquer expectador tenha sempre opiniões formadas acerca de todo o contexto. Quem vê de fora sempre tem opinião formada, é spcionante. O caso é que nos momentos de confusão eu... eu... eu fico confusa. E coloco uma música barulhenta pra dançar esquisito e gastar a energia acumulada.

Este é, provável e finalmente, meu último semestre de faculdade. *fogos de artifício* Fui me matricular e quase comecei a dançar na secretaria cheia, lotada, com gente saindo pelo ladrão, quando me dei conta deste delicioso fato. Entre fazer a matrícula e agora, eu voltei a dar aula de inglês, comecei a corrigir umas provas e tenho feito meus bolinhos, biscoitinhos e aulas na faculdade. Além de ter mudado completamente o ritmo, o sol lá fora me deixa exausta, com a cara toda vermelha e me faz beber a quantidade recomendada de água para o dia todo em uma hora e meia.

A vida tá correndo. Tá correndo e eu cheguei atrasada algumas vezes, não quero deixar isso acontecer de novo. Vou ali calçar meus tênis de corrida e já volto.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

dos finais



Comer toda a caixa de morangos antes que eles comecem a mofar. Usar a a maquiagem antes que saia do prazo de validade. Beber o copo de coca enquanto ainda tem gás.
Às vezes algo se acaba antes de começar a se estragar. 
Isso acontece com as coisas boas e com as mais ou menos. Quando uma série é encerrada antes de se esgotar, quando fazem um desfecho acertado, coerente com o resto da história, fica só um sorriso de "puxa, como foi bom" no lugar do amarguinho renitente no fundo da língua a cada referência, lembrança ou conexão absurda feita pelo cérebro. 
Ver que finais não precisam, necessariamente, ser uma merda.




Escrevi e reparei que essa pode ser considerada mais uma ramificação da Teoria Dos Cheiros.

terça-feira, 8 de maio de 2012

das aleatoriedades IX




Em pouco menos de um mês eu recebi notícias do falecimento de duas pessoas muito queridas. De um deles eu falei aqui e o outro está em vários textos do blog, sem nomes, por motivos vários. O que me consolou é acreditar, sem hipocrisia, que a morte foi simplesmente o fim do sofrimento deles. Mentira, tem outra coisa: fiz o possível pra mostrar aos dois o quão importantes eram e, olha, a sensação é de paz. Ainda rola uma poeirinha nos olhos, mas no fim das contas a gente tem que saber perder as pessoas, e é bom que se aprenda rápido.

Há alguns dias finalmente se instalou o som da sala de TV aqui em casa. Desde a mudança que eu só ouvia música no computador e ele nem tem o som mais legal do mundo. Assim que arrumaram os treco tudo, pensei em ouvir meus discos do Mogwai quando estivesse sozinha em casa e isso foi num sábado. No domingo eu acordei, saí do quarto e percebi que tocava uma música do Mr. Beast na sala; ignorei a vontade de ir ao banheiro, fui ver do que se tratava e era minha mãe vendo um filme.
_Mãe, que que cê tá vendo, de onde é essa música?
_Bonita, né? Tava aqui botando reparo, é linda, linda. Tava vendo Criminal Minds.
_Gente, isso é Mogwai!
_Mesmo? Tô gostando. 

MINHA mãe. :D
[No próximo sábado eu assistirei ao show deles e aí falta pouca coisa pra eu poder morrer em tranquila.]


Continuo fascinada pela visão das pessoas. Não pela parte técnica, física, biológica, o escambal, mas por como cada um decide que vai ver a realidade. Vou observando e me espantando, porque sou bocó, com a catarata generalizada, é impressionante.



Outro dia observei que alguns gestos de carinho ou cuidado [não vou usar a palavra "amor" aqui, já que ela tende a ser um pouquinho distorcida] são aparentemente tão pequenininhos que a gente passa por eles sem reparar.
Uma dessas provas de carinho é, sem a menor dúvida, aquecer o pé do outro. Veja bem: quem tem pés gelados costuma sofrer com isso, principalmente durante as noites mais frias; quem os tem quentes não quer perder esse calorzinho e provavelmente ficaria bem puto se fosse obrigado a mantê-los encostados em algo com temperatura próxima do zero absoluto, como é o caso de alguns pés. Sendo assim, se a pessoa com maior temperatura pezal decide de livre e espontânea vontade aquecer os pezinhos menos privilegiados está automaticamente provando que se importa bastante com ela. 

E isso, meuzamigo, apesar de parecer uma besteirinha de nada, não é pouco.


----> Também não é pouco: hoje é aniversário da Tadsh, tigre lindo das nossas vidas e da Andrea, maricota coisa fofa. Feliz dia, suas lindas! \o/



quarta-feira, 14 de março de 2012

da facilidade



Imagem é algo que sempre me interessou. Tanto a imagem que fazemos de outras pessoas quando a que temos de nós mesmos, a que tentamos passar e, no fim das contas, a que muitas vezes falhamos em passar ou captar.

A conclusão da vez é que, de forma geral, as pessoas não se incomodam muito em observar de verdade e caem no conto da imagem que os outros querem passar. Explico: fulaninha faz voz de menina meiga, fala como uma menina meiga, tem cara de menina meiga, mas é uma cretina. Essa cretina só precisa bancar a bacana um pouquinho, até as pessoas se acostumarem, e depois nem precisa atuar tanto, porque se ela tem voz, cara e jeito de gente boa, por que não seria? É claro que uma ou outra mãe/amiga de quem anda com a cretina vai reparar isso e vai alertar, mas ninguém vai dar atenção. O contrário acontece da mesma forma e me parece ser ainda mais fácil se enganar com alguém que pareça bravo, eternamente irritado ou impaciente. Se o cidadão não sorri o tempo todo, obviamente está sempre de mau humor, né? Não. Seriedade, "braveza", irritação e mau humor parecem estar colados em algumas caras sem necessidade. 
Uma professora perguntou essa semana por que as pessoas acham que ela dá bronca quando está simplesmente falando. Eu suponho - e disse isso - que seja pelo fato de ela ser enérgica, ou incisiva, na hora de falar. Nessa onda não é raro ofender ou magoar, chatear, sei lá, gente mais sensível que, afinal, só não anda com um sorriso falso estampado na cara porque acha desnecessário ficar fingindo por aí.
Acontece que cidadão é meio desatento também. Cidadão não repara que as pessoas são diferentes sem que sejam melhores ou piores, têm apenas outras características. Cidadão entende que sorriso é sempre bom e cara séria é sempre ruim. Cidadão acredita que passar dez minutos por dia com alguém é, necessariamente, conhecer esse alguém de verdade. Cidadão jura que consegue analisar todo mundo sem se dar o trabalho de conversar, de conhecer e, oi, de observar detalhes mais atentamente.
 

Mas até aí, pra quê? Tudo o que você precisa saber sobre uma pessoa tá estampado na roupa dela, não tá? Tá na calça com um desfiado na perna, na camiseta com estampa de caveiras, no sapato rosinha ou no vestido florido. Tá no sapatênis, na gola polo, na camisa de flanelado xadrez e nos óculos. 
Vai lá, campeão. 
Tá fácil.




A despeito do tom, isso não se dirige a ninguém em particular, ok? vlw flw =)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

dos papeizinhos na parede



Tava aqui ouvindo essa música, cantando desafinadamente e me lembrei de um lance ocorrido lá nos idos de 2006, quando passei, por livre e espontânea pressão, a dividir quarto na república onde morava. A princípio eu não tinha nada contra a menina, mas eu sou chata, né? Não gosto que mexam nas minhas coisas e estava bem aborrecida pela "quebra de contrato" que rolou. Além disso, nunca fui muito afeita a conversas quando estou lendo ou ouvindo música ou escrevendo ou qualquer desses momentos em que eu quero ficar enfurnada sozinha em algum canto. E numa casa com 7 moradores fixos e seus respectivos agregados, o único lugar em que se tem um pouco de privacidade é o quarto. Dito isso, passemos ao fato de que a parede do meu era um grande mural, cheio de fotos, papéis com trechos de poemas, livros, músicas, diálogos reais e abobrinhas saídas da minha cabeça. Um desses papéis, dos maiores, aliás, continha uma adaptaçãozinha de um pedaço de Off He Goes e dizia "It's like her thoughts are too big for her size".
Um belo dia, a moça, que é bem baixinha, chegou, apontou o dedo para o alto da parede, indicando o papel em questão, e perguntou:
_Isso é sobre mim?
_Oi?
_Essa frase é sobre mim? Eu posso não fazer tradução, mas sei inglês.
_Ué, não entendi.
_"É como se sua língua fosse grande demais para o seu tamanho", eu sei que eu falo muito, mas precisava disso?
_Nãaaao, Fulana. É "pensamento", não "língua". É parte de uma música de que gosto muito e é sobre mim, só isso.

Minha primeira reação foi a de querer zoar pela confusão, mas me controlei, porque, acreditem vocês ou não, detesto ofender as pessoas. Muito tempo depois [agora] me ocorreu que é mais um exemplo da Teoria dos Cheiros

Isso tinha uma conclusão legal, mas não lembro qual era [bom, ao menos serviu pra tirar a poeira do brogue =P].


Com algum atraso, feliz ano novo, gentes! Ainda tá no comecinho, tá em tempo e 2011 foi tarde!
=*!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

das aleatoriedades da vida (VIII)



Eu sou meio desastrada. Na verdade sou muito desastrada.
Quando criança eu era sempre a que se machucava - e saía chorando - e acredito que só não era terminantemente excluída das brincadeiras com as primas porque, sendo a mais educadinha [medrosa?], os adultos tendiam a atender aos meus pedidos de besteiras, comidas fora de hora e sorvetes com um pouco mais de prestatividade. Ouvir "caiu feito um mamão maduro" era uma coisa tão corriqueira que nem me incomodava [muito].

O tempo passou, eu "cresci" e fiquei um pouco mais habilidosa, embora ainda tropece, derrube coisas, não tenha um nada de mira e trombe nas pessoas. Curiosamente me machuco pouco na cozinha. Imagino que a pouca graça que me sobra fique ente a pia, a bancada e o fogão, o que é um alívio, visto que é nesse perímetro que eu passo boa parte da vida. Depois de ter feito meu próprio dedo à pururuca na aula, um dos professores agora acha que eu me queimo toda aula e tá sempre me rondando e perguntando se queimei o dedo. Ontem saí fazendo careta, o professor perguntou o que aconteceu. Respondi que era um cortezinho no qual eu ESFREGUEI pimenta sem querer. Ele me chamou quando eu estava quase na pia para lavar as mãos e disse com uma cara muito séria:
_Deixa eu te dar uma dica: se você passar pimenta onde está cortado, DÓI.
Essa é a minha vida.

Hoje, não tenho muita certeza sobre as razões, toda a falta de jeito da infância voltou a tomar conta do meu corpo e me fez mandar DM na timeline e tweet por DM; errar reply, dar RT em coisa errada; acertar a canela na cadeira; me assustar com o pássaro, dizer alto "Ô, passarinho maluuuco!", me tocar da imbecilidade da coisa e rir alto o suficiente para fazer o cachorro latir; me embaralhar nos fios do computador, filtro de linha e carregador de celular e quase cair num espaço tão curto de tempo que me coloquei de castigo. Castigo mesmo, sentada no sofá, com as mãos sobre os joelhos, pensando na vida ATÉ QUE recomecei a rir do ridículo de mais essa situação.

Moral da história: nenhuma. Eu sou pessimista, negativista demais pra admitir que a nuvem negra tá indo embora, mas tá rolando um vento, sim. Um vento fresquinho, que deixa menos abafado o ambiente e tá embaraçando meu cabelo, porque eu preciso ter motivo pra reclamar. :D

A propósito, eu completei vinte e seis anos na companhia de gente linda e num lugar sensacional. De quebra consegui levar minha mãe pro show do Clapton, fazer minha irmã gostar de gnocchi e conhecer arrobas que eu queria trazer pra casa! Teve twitter rupestre com DR no banheiro masculino e recados no feminino. Queria ter feito um live tweeting, mas, além de não ter um smartphone pra chamar de meu, estava muito ocupada comendo e conversando. AliLás, gostaria de dizer mais um obrigada a quem esteve lá! Foi tão bom que todo agradecimento é pouco. :)