Páginas

.
.
.
.
.
Mostrando postagens com marcador (re)descobertice. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador (re)descobertice. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 26 de maio de 2016

dos ônibus





Hoje eu me dei conta de um fato: não fui feita pros ônibus.
É um meio de transporte meio confuso, as possibilidades de erro são infinitas - como eu vou saber em que lado da rua eu devo esperar? - e, mesmo quando você acha que nada pode dar errado, você estará redondamente enganado. Redondamente porque o ônibus ficará dando voltas e ninguém chegará a lugar nenhum.

Quando eu era criança pequena lá em Anáps [leia-se: até os 19 anos, quando me mudei], não tinha a noção exata de que era necessário fazer sinal para um determinado ônibus parar. Vejam bem, quando eu estava sozinha, eu invariavelmente estava indo para o centro e todas as linhas vindo naquela direção iam para o terminal urbano, que fica... no centro. Se tem alguém esperando, o motorista para e pronto, é simples. E indo para outros lugares, eu normalmente saía do terminal, então não precisava sinalizar. 
Chegando em Brasília foi esse choque, né, ter que saber nome e número de linha, enxergar o letreiro, conseguir sinalizar, me fazer ver e dar a sorte de o motorista decidir parar. Era sempre uma aventura. Teve aquela vez em que motoristas e cobradores me deram informações erradas e eu peguei 5 ônibus e gastei coisa de 20 reais de passagem num dia só. E aquele dia que eu descobri que tem um ônibus que, em vez de fazer as asas em linha reta, fazia em X. Desenhei pra quem quiser entender melhor.


principais linhas no plano piloto de brasília


Depois de cinco anos de Brasília, dois deles precisando, de fato, de ônibus, eu passei a entender menos ainda o transporte público da capital.

Quando eu estava viajando, a frase que mais falei foi "só no Brasil que isso acontece", porque, prestenção, é tudo igual. Fiquei hospedada na casa de uma tia, a 10 km de Milão. Isso dava 20 minutos de ônibus, que eu pegava numa estação de metrô ainda dentro da cidade. Pois bem, a linha 175, que eu pegava e parava a menos de 100 metros da casa de titia era sempre uma aventura. Na primeira vez, entrei no ônibus certo, conferi com o motorista, ele me mandou passar pro ônibus errado, passei só três cidades do que deveria. Voltei tudo. Fui mais uma vez. Fiquei puta, desci no meio do caminho e fui a pé. Pela estrada. Na segunda, já contando com isso, desci na cidade depois da casa dela e fui a pé mesmo. Na terceira, deu certo. Na quarta, considerando que meu ponto era entre as cidades 3 e 4, o motorista decidiu entrar na cidade 3, dar uma volta, passar na cidade 3A, sair pela lateral e chegar na cidade 4. Numa outra ele resolveu simplesmente não parar quando eu pedi.
Eu descobri, ao longo de três meses, que ela faz pelo menos cinco caminhos diferente e descobri quase todos assim, no susto. Aliás, eu gosto muito dos nomes: Milano - Pavia, que parava em Binasco e na casa da minha tia - e em todos os pontos do caminho; Pavia Diretto, que parava em Binasco também, mas não em casa; Pavia DIRETTISSIMO, essa foi a minha preferida, de verdade. A Itália é linda e desorganizada.

São Paulo, por exemplo, é muito mais organizada, o google maps funciona e você sabe quando o ônibus vai passar. Só é complicado porque são linhas DEMAIS, então tem que ficar atento, porque nem todo Sacomã vai pro Sacomã e às vezes isso pode confundir. Hoje mesmo, eu fui ali pegar um ôns, aqui na rua abaixo da minha, praticamente um desembocadouro de ônibus, mas precisava andar umas quadras, porque o meu não parava aqui na esquina. Fiz o que qualquer pessoa calçando um sapato não tão confortável faria, peguei um outro até lá e esperei o segundo [terceiro, na verdade, tava vindo da rua]. Opa, tá vindo, conferi o número, pulei pra dentro! Ué, subiu, ué, tá indo pro rumo da minha casUÉ minha esquinMas, gente, tá voltando, mas tinha um senhor do meu lado, e, de qualquer jeito, tava voltando pro terminal. Ele se levantou, eu fui perguntar pra cobradora, ela me explicou:
_Ô, meu bem, você precisava ter entrado no Terminal Carrão, aqui é o Conceição!
_Mas não é o [falei o numro, já esqueci a essa altura]?
_Isso, ele é Carrão num sentido, Conceição no outro.
*confusa pra caralho* _Mas eu tava na mesma parada onde peguei da outra vez, não faz sentido...
_Sim, os dois passam lá.
Bem, desci, peguei o certo. Passou na esquina da minha casa.

Tá vendo? É fácil.



terça-feira, 24 de maio de 2016

dos passeios





Tem um ano que eu não venho aqui. 
Na verdade, os rascunhos dizem algo diferente, apenas tem um ano que eu não posto aqui. Nesses 12 meses, eu acumulei milhas no programa da vida e no ano de 2015 não completei 20 dias seguidos dormindo em casa. Fui a cidades que sempre quis conhecer e me surpreendi com tantas outras, vi a casa onde a Marie Curie nasceu, o mercado de Budapeste, andei de barco no Danúbio [que é verde, não é azul], tomei suco num café em Viena [quarenta graus césios, gente, não consigo beber café], comi pierogi doce em Cracóvia e vi as sereias de Varsóvia. Fiquei esperando os bonequinhos do relógio de Praga, achei um castelo no meio de Milão, conheci várias estações na Suíça - e comprei doces nelas-, surtei com os azulejos em Lisboa, comi um travesseiro em Sintra e até hoje me arrependo por não ter comido 10. Tomei chuva em Veneza, comi macaron em Nice, fiquei esperando topar com a Carol em Monte-Carlo, chamei o Coliseu de colossal em Roma, descobri em Copenhague que os dinamarqueses são adoráveis. Completei as tartarugas ninjas em Florença, consegui comer bem em Londres, andei feito uma doida pelos arredores de Kaiserslautern, comi tarte gratin numa cidadezinha da Lorena e me apaixonei perdidamente por Edimburgo.



início das terras altas da escócia



Dormi em hotéis, hostels, sofás, casa de [minha] família, colchão no quarto de amigo, estação de trem, aeroporto e basicamente qualquer superfície que oferecesse um mínimo de apoio. Conversei com estranhos portando os mais diversos sotaques, gente amigável, na maior parte das vezes; pessoas que se surpreendiam com "nossa, uma mulher viajando sozinha por três meses" e, sim, dois terços da minha viagem foram feitos só com euzinha e meu finado ipod. Levando-se em consideração que no país em que eu estava sem internet, a língua era a mesma [ai, Portugal, volta pra mim]; quando eu visitei cidades menores eram todos polos turísticos e uma língua parecida [Prego! Parla italiano, bambina?] e, depois, quando não se falava inglês e era interior, era um país onde as coisas tendem a funcionar super bem [embora o destaque alemão, para mim, seja no quesito PÃO], até que conversei bastante e a internet sempre esteve à mão pra ajudar no que fosse importante ou necessário.


Entra aí uma questão no qual eu não tinha pensado muito, mesmo bastante tempo depois. Talvez a naturalidade da sensação tenha posto a racionalização pra dormir: foram mais de dois meses praticamente sozinha. Andar, comer, visitar museus, enfrentar filas, dormir em parques, pegar ônibus de city tour. Uma vez que a própria companhia deixa de ser um tormento e os pensamentos não são exatamente um martírio. Eu me mudei, vim morar num apartamento só meu e esses pensamentos agora ocupam todos os cômodos, parece ser de importância que eles não me machuquem, não me incomodem demais.

Não sei quando foi, exatamente, mas em algum momento da vida, eu percebi que a passaria sozinha. Solitária não parece ser bem a palavra, mas sozinha, embora, sim, eventualmente fique solitário. Ter prazer em passar uma manhã em silêncio, decidir se naquele dia todas as refeições serão feitas no sofá tendo só uma cadeira como apoio, levantar, sem sono, de madrugada e fazer um chá, talvez ouvindo música.

Acho que o ponto todo é esse. A impressão que tenho é que uma pessoa pode correr mundo, estar cercada de outras, pode ter amigos, família, pode estar onde for, se ela tem a tendência natural pra ser sozinha, não foge disso. Nem tentando.



a sereia guerreira, em varsóvia

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

dos ponteiros




Às vezes, as perspectivas mudam como se a gente estivesse sentado no ponteiro de um relógio. Vez em quando, no maior, vez em quando, no menor. Ultimamente, parece que tenho me sentado no ponteiro dos milissegundos, revisito com alguma frequência um tema ou outro e quase sempre tem uma coisa nova ali. 

Inclusive, este ano voltei a algumas cidades. Em todas as vezes a experiência foi bastante diferente e tenho a impressão que foi porque eu, definitivamente, não era a mesma. Talvez eu porque eu estivesse toda ali, talvez eu estivesse mais tranquila, talvez eu estivesse mais leve - é essa a aquisição mais preciosa dos últimos tempos, a leveza. Jogar fora o que pesava e ocupava espaço parece ter feito um bem ainda maior que o esperado. Passei por São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Belo Horizonte, entre julho e outubro e tô um pouco mais encantada por cada uma delas [talvez se deva fazer um adendo sobre São Paulo. Meu caso de amor com ela não é novo e acho que alguns pontos específicos da cidade, se tivessem memória  e pudessem falar, sequer lembrariam de mim, porque é gente pra cacete, então naaah].

O ponteiro vai girando e vai-se percebendo que um problemão era probleminha, que o meu é, sim, importante, mas que, eventualmente, o dos amigos é mais que o meu e nessas bota-se cada coisa em seu lugar e a vida passa a funcionar.
A-VI-DA-FUN-CI-O-NA. Eu não me canso de sentir algum encantamento por esse fato.
 
As expectativas, assim como as perspectivas, mudam. Numa conversa que eu tive um dia desses, chegamos ao consenso de que a gente controla as expectativas, mas o cérebro e o coração são meio tapados, então a possibilidade de dar merda tá sempre aí - e isso não deixa de ser, sei lá, um charme, uma vantagem, uma graça. O grande truque que eu tô usando é não deixar a expectativa ser um suflê sem base [opa, pera, isso foi de outra conversa, com outra pessoa], outro é só tentar corresponder às minhas próprias expectativas. Gente, a maravilha que isso faz pela pele, pelo cabelo, pelo sono, pela gastrite. Ah, sim, tendo a me preocupar em atender as expectativas de uma outra pessoa. As dele:




Porque cafuné, mamadeira, almoço nutritivo e gostosinho, umas jogadas pro alto, dancinhas bizarras, vídeos da Arca De Noé e longos banhos lendo livro emborrachado eu consigo fácil, fácil. E achando bom.







sexta-feira, 7 de março de 2014

do que se vê




De longe, é suave, o rosto é quase tão redondo quanto o de um bebê. De perto, no entanto, se percebem leves marcas, vincos, sulcos que, mais que a idade, a vida deixou ali.
Sorriu, gostou do resultado, o cinzel fez um bom trabalho.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

das conexões



Eu tive um sonho. 
No meu sonho, Jeff Buckley e Nina Simone gravavam um disco juntos, faziam uma turnê e eu assistia a um show. No meu sonho, as versões eram maravilhosas, misturavam o melhor dos dois, me encantavam e me  faziam chorar de emoção. No meu sonho, Nina entrava com voz e piano num dueto em Lover You Should've Come Over e eu me debulhava em lágrimas, porque pouca coisa no mundo poderia ser tão linda.


É evidente a influência da Nina no trabalho do Jeff; é só olhar quantas músicas ele pegou emprestadas e observar que nem mexeu muito nelas, só botou sua impressão, talvez sem nem reparar. Sendo fã dele antes de conhecê-la, eu aprendi Nina Simone sob a voz de Jeff Buckley e talvez seja esse o motivo pra eu achar as versões tão lindas.

Começou com Lilac Wine, que foi gravada no Grace e me causou grandecíssima surpresa quando descobri que não era dele. [Jeff. Nina]
Depois veio The Other Woman, que tá na Legacy Edition, coisinha linda, tô ouvindo no youtúbio e opa, tem com a Nina também, como é isso?
 I Loves You Porgy é clássica, todo mundo conhece. Belo dia eu tô ouvindo um show do Buckley e ele manda I Loves You Poooorgy.
Saindo da delicadeza tão evidente nas primeiras músicas ali, Be My Husband e Be Your Husband
Strange Fruit tá nos discos ao vivo dele e nos dela.

Voltando à delicadeza, mas, assim, exagerando, tomando uma overdose dela, If You Knew, que foi outra música a quase me matar quando percebi que era cantada por ambos.
Nina aqui, Jeff de cá
Acho que a que me provocou a reação mais exagerada [respiração suspensa, suspiro, seguido de tapinhas pra tentar fazer o coração voltar a funcionar] foi That's All I Ask [que eu sempre quero chamar de All That I Ask], uma das minhas favoritas dele. A versão que eu ouvia não tinha a informação "this is one of Nina Simone's", então eu fiquei na ignorância por alguns anos, mas agora já encontrei a luz. E é um caso interessante em que a versão da Nina é mais ~suave~ que qualquer outra. 

Há ainda uma versão perdida do Jeff cantando Ne Me Quitte Pas, linda [tá bom, eu sou suspeita] que, como não foi encontrada no site preferido de vídeos, não entrou na lista. 

A playlist completa, a quem interessar possa.


Em outra editoria, tô viva, tô vivona. 
Um pouco.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

dos combustíveis





Às vezes, desconfio que o combustível da minha vida é saudade.
Saudade de gente, saudade de sentimentos, de sensações, situações e isso, curiosamente, me faz andar. Me faz chegar a pontos novos e sentir saudade de alguma outra coisa, que eu só devo reencontrar mais à frente.
Mais à frente tem algo diferente e antes mesmo de acabar eu começo a sentir saudade outra vez.





quarta-feira, 12 de junho de 2013

das palavras que puxam música




Eu costumo dizer que minha memória é tão terrível pras coisas do dia a dia e pra fórmulas porque está completamente ocupada por roupas que eu usei em momentos já perdidos no tempo, em coisas que me disseram, vergonhas que passei e músicas. Muitas músicas. Nomes e letras. Versões diferentes. Simplesmente não há espaço pra coisas fúteis como os valores de fator de correção, fórmula de Baskhara, ou tirar a roupa da secadora assim que ela se desliga. 
Daí que sempre rolam umas palavras que me fazem lembrar de músicas. Visto que ouço muita música cantada em inglês e, lá nos primórdios, foram elas que me ajudaram a aprender a língua, sofro um probleminha atualmente: eu dou aulas de inglês. Nessas aulas, obviamente, preciso ensinar vocabulário, que tá sempre cheio das palavras e expressões que me lembram músicas e eu fico com algumas na cabeça pra sempre. Era ainda melhor quando eu dava aula pra duas turmas do mesmo livro e trabalhava a palavra, às vezes, por duas semanas seguidas. Hoje foi a expressão "the first step is the hardest" e eu comecei a bater a perna feito um bêbado com a mola estragada e cantei You Might Die Trying até o refrão, porque não conseguia lembrar o título da música. Semana passada teve "suspicious", eu cantava mentalmente e uma aluna mandou: 
_Nossa, tem uma música com isso, não tem? Suspicious... suspicious...
_Tem. Suspicious Mind

Numa eu tive que explicar "at large" e cantei The World At Large, falei de "worried mind" em duas aulas,  numa lembrei de Since I've Been Loving You, na outra, de Layla. Bom, Alive só me lembra Pearl Jam; Feeling Good é da Nina Simone; se me dizem "flow", quero Go With The Flow; "sunshine" só pode ser Of Your Love. Walk Away vem acompanhada da voz do Ben Harper. Expliquei "what's in store" e I Get Along Without You Very Well grudou na minha cabeça por dias. "Tender" pode ser carne e pode ser música, depende da fome. "Aim" é o assunto com a Alison;  "I don't mind" certamente é parte de The Kids Are Alright. By The Way me provoca  alívio por não ser famosa. 
"Couch" só me faz lembrar de Last Goodbye.


Tem app pra otimizar o uso do cérebro? ¯\_(ツ)_/¯


terça-feira, 14 de maio de 2013

dos monstrinhos






Há não muito tempo tempo [depende do que se considera muito tempo, obviamente. Há muito tempo nem posto aqui] falei dos meus tios
Pois bem, agora é a  minha vez, fiquei oficialmente pra titia. Logo, logo, minha irmã expulsará para o mundo uma criaturinha chamada Rafael, que ficará algum tempo na minha casa e por quem eu já morro de amores. Não sei que cara o moleque tem, mas já o imagino nas roupinhas inacreditavelmente fofas que ganhou, já fiz mais de duzentos bolinhos por ele, já quis até entrar em briga porque todo mundo sai com essas de "nosso sobrinho" e, vejam bem, essa criança tem dois tios biológicos e apenas 4 adotados. Rafa ainda não nasceu e já tem uma tia bem ciumenta. 
Voltei a pensar em tudo que meus tios representam pra mim, no carinho, nas brincadeiras e nas broncas - e, gente, o que eu levei nessa vida foi bronca. Só pararam agora porqu--não, não pararam -, mas tenho pensado, principalmente, no que aprendi com cada um deles. Tem a tia que me deu um relógio de ponteiros e ensinou a olhar as horas; a que me ensinou a pintar com aquarela e a fazer miojo; o que me ensinou a andar de bicicleta; o que me contou que ele só brigava pelo comprimento da minha saia porque sabia exatamente o que os caras falariam na porta do bar, se eu passasse por eles vestida daquele jeito; o que largou tudo o que tava fazendo e foi me aconselhar quando viu que eu precisava; o que me tirava do sério, mas me carregava pra todo lugar. 
As circunstâncias são muitíssimo diferentes e nem de longe eu conseguiria fazer isso tudo pelo monstrinho, já que sou uma só. Isso não me impede, no entanto, de querer fazer pelo garoto o que eu puder, o que inclui já estar pensando nas papinhas que ele só vai começar a comer no ano que vem e que não podem ser industrializadas, ora essa, se ele tem uma madrinha gastrônoma. Inadmissível. 

Já penso nos passeios, nas voltinhas pra pegar o sol da manhã [ESTOU PENSANDO NO SOL DA MANHÃ, AMIGOS], nem as possíveis noites em claro seguidas de dias de trabalho tiram o sorriso idiota que brota na minha cara só pela menção ao bebê. 

Estamos preparando a casa para recebê-lo, o quarto ao lado já tem cheirinho de nenê, por conta das roupas, das colônias, dos sabonetes [e deuls sabe o quanto me custa não deixar essas roupas em cima da minha cama o dia todo, pra impregnar o perfuminho em tudo]. Já há brinquedos fofinhos e fraldas visíveis, já se conversa sobre quem dará os banhos nos primeiros dias [ESCOLHE EU, ESCOLHE EU, GENTE].
A chegada do Rafael está prevista para a segunda ou terceira semana de junho, mas, sendo filho de quem é, pode aparecer por aqui a qualquer momento. Ele tem uma tia Marocas ansiosa, esperando pra ver a cabeleira que já enfeita a cabecinha, louca pra ficar com a boca toda mordida - porque esse é o jeito de ela se controlar e não apertar as criaturinhas. Querendo muito ser pra ele o que meus tios são pra mim. 





sexta-feira, 9 de novembro de 2012

das recomendações



Meu ouvido é burro. Isso não é novidade pra quem convive comigo, reclamo do problema com certa frequência. 
Embora eu tenha sérias dificuldades pra entender partes diferentes das músicas e precise de muito esforço e concentração para separar os instrumentos, pode-se dizer que música é uma parte considerável da minha vidinha [todos ri]. Acho até que música é a coisa que mais me atinge no mundo. Arruinei algumas quando resolvi ligá-las a pessoas, fiquei bastante feliz quando consegui desconectar as coisas e posso contar nos dedos de uma mão as vezes em que eu não quis ouvir música alguma. 

Na brincadeira, vários amores auditivos vão se formando e se fortalecendo no meu coraçãozinho musical, sendo que alguns simplesmente se recusam a sair daqui. Eu já citei no Conge, e já usei em trocentos posts, o Jeff Buckley. Jeffinho pros íntimos. 

O menino teve uma história interessante, era filho de um músico foda, com quem ele não teve convivência, apesar das semelhanças gritantes. Não sei exatamente como, não me lembro do caminho, mas tava ouvindo alguma coisa do Zeppelin e me deparei com o documentário Everybody Here Wants You no meu, no seu, no nosso youtúbio. 
Funciona da seguinte forma: eu me esqueço de detalhezinhos bestas, como o cara já ter morrido e eu nunca ter respirado o mesmo m³ de ar que ele, e me sinto bizarramente próxima, quero me casar, ter todos os filhos dele, morar numa casinha com cerca branca e um estúdio no fundo, com uma les paul bem linda num armário com porta de vidro. Nutro um tanto de sentimentos com o trabalho alheio e sorrio, choro, faço caras de tristeza, levo a mão ao pescoço [sinal máximo de angústia], enfim, toda uma gama de reações ridículas que eu evitaria, se estivesse em público. 
Sem contar que me colocam o pai do rapaz cantando Song To The Siren, só pra me fazer desmontar [mais] um pouquinho.

No meio do esquema, vendo o Jimmy Page falar sobre o Jeffinho, fiquei pensando que, no fim, meu ouvido pode até ser burro, mas meu gosto musical não é, não.

Link tá ali em cima. Pra quem gosta ou quer conhecer Jeff, o segundo Buckley, recomendo de com força. 







quinta-feira, 13 de setembro de 2012

dos pensamentos





Acompanha-me desde sei lá quando o hábito de escrever. 
Escrever para fugir, para imaginar possibilidades novas, para relatar, para passar o tempo,  mas a função principal da escrita ao longo da  minha vida é colocar as ideias em ordem. Escrever serve ainda para direcionar pensamentos, espremer seu suco, gastá-los, consumí-los, assim eles abrem espaço aos outros que querem chegar ou crescer.
Tenho feito isso desde menina, primeiro com diários, agendas, cadernos comprados só para os "escritos" [houve até época em que tentei poesias, que, definitivamente, não são o meu forte], folhas soltas no fichário e, no auge das merda tudo, até em etiqueta adesiva de marcador de tempo do CESPE. Esse costume foi reforçado quando entrei na faculdade, já que parte da nota de uma disciplina era um conjunto de textos, no mínimo 15, se não me falha a memória, sobre absolutamente qualquer coisa. O trabalho veio muito a calhar, já que foi uma época de mudanças e uma dose sensacional de confusão, as observações tanto me ajudavam a entender quanto me distraíam, quando eram sobre coisas que eu via na rua, ou reclamava do comportamento de alguém.
Reforcei aí o hábito e algum tempo depois, por culpa de dois amigos [briguem com eles] fiz o Conge, exatamente a continuação daquela disciplina da universidade, agora pra um monte de gente olhar. Muito do que escrevo nem vem parar aqui, não tem a função "social", continua tendo, no entanto, o papel de me ajudar na ingrata [mentira] tarefa de compreender a mim mesma, a vida, o universo e tudo mais.

Aprendi, nessa brincadeira, que é interessante tratar pensamentos como roupas: devem ser lavados, bem enxaguados, ganhar um pouquinho de amaciante na última água, pra não ficarem duros depois de secos - flexibilidade é importante. Precisam também ser passados, dobrados e guardados nos cabides e gavetas corretos. Nesse momento a gente descobre umas ideias que encolheram, não servem mais; outras que estão muito gastas, precisam ser substituídas; algumas tão desbotadas e puídas, mas das quais não abrimos mão; as que a gente só usa em casa, ou só em festa; aquelas que a gente nem lembrava que tinha e fica feliz por reencontrar, as que foram presente  de alguém querido. Com tudo ordenado é mais fácil saber e providenciar o que tá faltando.

É o tipo de trabalho que pode ser bem demorado. 







segunda-feira, 10 de setembro de 2012

das corridas



Tem uma cena de Peixe Grande que mostra como o tempo anda mais devagar quando uma pessoa conhece o amor da sua vida. E que, no momento seguinte, ele se acelera, pra compensar e voltar tudo ao normal. Sempre a achei bem bacana, poética, bonitinha e recentemente observei que essa dinâmica parece funcionar com várias coisas. Por exemplo: a vida fica num marasmo terrível durante muito, muuuuito tempo, aí ela resolve andar [ou ainda: você troca a pilha do brinquedo], começa a se movimentar, pega velocidadecomeçaairrápidopracaceteBANG! A gente perde o rumo, para, olha, dá aquela coçadinha no queixo, pensa, faz umas contas, olha mais um pouquinho e diz de forma bastante sagaz e articulada: MANO!

Esses momentos podem ser horrorosos, podem ser maravilhosos e podem apenas confundir a cabecinha de quem vive isso, embora qualquer expectador tenha sempre opiniões formadas acerca de todo o contexto. Quem vê de fora sempre tem opinião formada, é spcionante. O caso é que nos momentos de confusão eu... eu... eu fico confusa. E coloco uma música barulhenta pra dançar esquisito e gastar a energia acumulada.

Este é, provável e finalmente, meu último semestre de faculdade. *fogos de artifício* Fui me matricular e quase comecei a dançar na secretaria cheia, lotada, com gente saindo pelo ladrão, quando me dei conta deste delicioso fato. Entre fazer a matrícula e agora, eu voltei a dar aula de inglês, comecei a corrigir umas provas e tenho feito meus bolinhos, biscoitinhos e aulas na faculdade. Além de ter mudado completamente o ritmo, o sol lá fora me deixa exausta, com a cara toda vermelha e me faz beber a quantidade recomendada de água para o dia todo em uma hora e meia.

A vida tá correndo. Tá correndo e eu cheguei atrasada algumas vezes, não quero deixar isso acontecer de novo. Vou ali calçar meus tênis de corrida e já volto.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

dos finais



Comer toda a caixa de morangos antes que eles comecem a mofar. Usar a a maquiagem antes que saia do prazo de validade. Beber o copo de coca enquanto ainda tem gás.
Às vezes algo se acaba antes de começar a se estragar. 
Isso acontece com as coisas boas e com as mais ou menos. Quando uma série é encerrada antes de se esgotar, quando fazem um desfecho acertado, coerente com o resto da história, fica só um sorriso de "puxa, como foi bom" no lugar do amarguinho renitente no fundo da língua a cada referência, lembrança ou conexão absurda feita pelo cérebro. 
Ver que finais não precisam, necessariamente, ser uma merda.




Escrevi e reparei que essa pode ser considerada mais uma ramificação da Teoria Dos Cheiros.

domingo, 1 de julho de 2012

das mortes



Reza a lenda que algumas das músicas mais bonitas de que se tem notícia foram escritas para pessoas que morreram. A lenda [uma historinha interna com um amigo, na verdade], diz que Eddie Vedder tem picos de inspiração a cada morte e, embora seja um pouco maldoso com ele, eu não reclamo, porque o homem fica impossível. Layne morreu, Eddie fez 4/20/02. Faleceu uma moça da gravadora, foi lá e pimba! Light Years. Só para o Johnny Ramone ele escreveu duas das mais lindas: Man Of The Hour e Come Back. E tem Alive, sobre o pai.
O Layne, aliás, ganhou também Black Gives Way To Blue, dos coleguinhas de banda, e duas músicas com seu nome, uma do Staind, outra do Black Label Society
Outra galera que produz bem com perdas é o Red Hot Chili Peppers. No último disco tem Brendan Death Song. Seu primeiro guitarrista ganhou My Lovely Man, Knock Me Down e Dosed. Venice Queen é para uma amiga e Tranceding é sobre Kurt Cobain e River Phoenix, que foi homenageado no disco solo do Frusciante com Smile From The Streets You Hold
Kurt ainda é muso de The Last Song, do Foo Fighters
Chris Cornell se saiu com Say Hello 2 Heaven pro Andrew Wood e Wave Goodbye para Jeffinho Meu Amô Buckley.
O filhinho do Clapton caiu da janela, ele mandou Tears In Heaven.
Cliff Burton foi a inspiração para To Live Is To Die, do Metallica, que emendou essa em Just A Bullet Away, feita para o Layne [temos um preferido, é isso, produção?]
Dave Matthews, aquele bêbado desajeitado, nos deu Sister e Oh, que é sobre seu avô. Sério, sobre o avô. <3

Até gostaria de explicar como eu me sinto e como "produzo" quando a tristeza é minha, mas não tenho coragem depois de colocar tanta coisa linda e foda. Ouve aí, acho que dá pra captar. 


*A maioria dessas informações eu fui agregando durante a minha vida de devoradora de revistinhas e sites ~de rock~, quando era difícil o acesso e eu precisava reter a maior quantidade de conhecimento possível sobre as minhas bandas. Outras pipocaram aqui e ali e algumas eu confirmei no songfacts.com ou em entrevistas. 01 mol de bëygoz pro meu cérebro que só guarda cultura inútil. :*

sábado, 16 de junho de 2012

das coisas que uma língua pode proporcionar



Depois de vinte anos na escolaaaaa não é difíc-- em ambiente escolar é relativamente simples identificar professores que se comprometem com o que fazem e os que estão ali pra garantir o leite das quiança, o anel de diamante da esposa ou a cerveja do fim de semana. Tendo saído de uma universidade pública e caído num centro universitário particular, reparei que as diferenças são muito maiores entre os alunos desses dois tipo de instituição que entre os professores, como era o meu medo. A diferença mais gritante é a postura de crianças obrigadas a fazer dever de casa que parte do pessoal da particular carrega e bota pra fora a todo momento. Ler texto de 10 páginas é castigo, trabalho descrevendo 20 tipos de ervas é tortura, é sacanagem do professor pedir que a turma experimente ingredientes, preparações ou o caralho a quatro de que não se goste. O "aim, não gostom, aim, não querom" é espantosamente comum. Convenhamos que um estudante de Gastronomia não precisa gostar de todos os sabores, mas tem a obrigação de conhecê-los.


Sexta-feira tivemos uma aula prática, com um desses professores que dá banho de competência em vários que eu tive na UnB, dividida em duas partes: na primeira ele preparou uma língua de vaca, explicou como se faz o pré-preparo, quais as possibilidades para a limpeza etc etc. Na segunda parte fizemos testas para a prova que será feita na semana que vem, a criação de um prato com determinadas características definidas pelo professor, que será, no entanto, avaliado por um convidado "leigo" em Gastronomia.

Foi a primeira vez que tivemos que efetivamente criar um prato, ainda que tivéssemos algumas ideias diferentes, não havia sido exigido isso até o momento. Cada dupla foi lá, executou sua ideia, testou o que achava que funcionaria. O professor orientou e, com os pratos prontos, deu sugestões de apresentação e eventuais mudanças. Finda essa parte, voltamos à lingua do boi, que jazia num molho espesso e perfumado. O chefe da brincadeira comentou que ainda não estava no ponto ideal, mas já seria possível saber do que se trata o prato.

Língua de boi é um troço horroroso. Se você já viu uma, sabe que eu não tô exagerando. Eu, particularmente, não gosto da textura da carne, o sabor, contudo, me agrada. Fui lá, peguei meu pedacinho de carne, experimentei, achei muito saborosa, porém a experiência não foi completamente boa por conta da textura e isso foi relatado. O que se seguiu foi uma porrada de gente se negando a sequer degustar a preparação. O professor falou algo muito parecido com o que tá escrito ali sobre a nossa obrigação de conhecer ingredientes e a existência de empregos muito bem pagos pra quem se dispuser a realmente trabalhar por eles, terminou com um "ah, não vou mais gastar meu latim com vocês" e uma cara tão frustrada que me deu vontade de ir lá abraçá-lo.
Saindo da sala, fui conversar com ele sobre mudanças no meu prato que, a despeito de ser uma boa ideia, havia ficado muito aquém do potencial existente na mistura escolhida.
Falei o que eu imaginava que pudesse melhorar, ele concordou com umas coisas, discordou de outras e aí eu disse o quanto achava difícil criar com tanta coisa que eu poderia acrescentar. Perder o foco é muito fácil.

_Isso é porque vocês não usam a técnica que eu ensinei.

_Desculpa, acho que nã--

_Cê não vai me perguntar qual técnica, Mayra?

_Hehehe, vou. Qual técnica?

_Escrever. Coloca no papel o que você acha que pode funcionar. Vai imaginando, o peixe será feito assim, vou usar tal tempero, meu molho é acido, então minha carne precisa ser mais adocicada, ou ter alguma gordura pra balancear, usa o modelo de ficha técnica que vocês têm, escreve, decide os acompanhamentos, a guarnição, você já pode até pensar a apresentação do prato nesse estágio. Quando você for executar a receita, anota as modificações que você precisar fazer. Vocês querem cozinhar só por inspiração e isso não funciona sempre. Quando você constrói, faz uma planta primeiro, não sai construindo a esmo, né?

Eu apenas concordei e agradeci. Não concordei com tudo, porque sou rebelde porque o mundo quis assim. Nã, porque eu sou cabeçuda mesmo e acho que criação é um processo pessoal, pode ser diferente pra cada um, tanto com a caneta quanto com as panelas.
Acontece que eu saí de lá com tanta coisa na cabeça. E acho que essa pode ter sido uma das coisas mais valiosas que eu aprendi nesse curso, ali, ó, parelhado com com o bife perfeito.

Não tenho muita certeza se digeri tudo que eu vi e ouvi. Parece pouco pra quem vê de fora, eu suponho, e tomou minha cabeça dum jeito que, se um dia alguém escrever um livro sobre mim [deus livre o mundo de tamanha desgraça], terá obrigatoriamente que citar essa noite.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

das descobertas


Cês sabem que eu tenho uma primafilhada, né? E ela tem uma maydrinha.
A Luluca, pra quem não sabe, é moreninha jambo e tem cabelo muito escuro, muito liso e muito pesado, o que sempre fez as primas retardadas cantarem pra ela, especialmente na hora de lavar a cabeça, "Índia, seus cabelos, índia, seus cabelos, índia, seeeeeus cabelos!", com vozes esquisitas, enquanto bagunçam o cabelo da criança. Acho que só acrescentei a parte do "nos ombros caindo", e só ela, uma vez, vejam só. A reação é sempre a mesma: um risinho e um "páaaaaara, gente! Tia Jaaaane, olhaMayraeaMaysaquifalandoíndiaseuscabelossemparar!" seguido de mais risinhos.
Bom, a moça que cuidava da Lu teve uns pobreminha [aliás, o mundo é um lugar bem bizarro, viu?], precisou se afastar e agora trabalha como diarista. Pois bem, hoje ela veio trabalhar aqui em casa e me contou um lance fofo e engraçado:
Na hora do banho, Luísa pergunta à babá:
_Alessandra, você sabe cantar aquela música [engrossa a voz] "Índia, seus cabelos, índia, seus cabelos, índia, seus cabeeeeelos"?
_Não, Lu, não sei. Que mais que tem na letra?
_É só isso mesmo.
_Mas por que você quer saber se sei cantar essa música?
_Ah, é que minha prima canta pra mim e eu fiquei com saudade.


Ô, gente?
Sério
SÉRIO.



quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

das retrospectivas musicais II


Então é natal e o que você fez? o ano term chegamos naquela época linda do ano em que todas as pessoas ficam bondosas, repassam o ano tentando lembrar onde foram boas e onde as outras foram ruins com elas. Aquele momento lindo em que eu faço meu login na Last.fm e visito todas as lamúrias e alegrias do ano que concomitantemente se arrastou e passou voando. 
A ideia era fazer exatamente como no ano passado e colocar aqui as músicas/bandas/ábuns do ano inteiro, no entanto, por ter mudado radicalmente alguns aspectos da vida nos últimos 5 meses, achei que colocar os meses anteriores seria injusto [e idêntico ao ano passado, néam?]. Como não existe a opção "5 meses" no site, tô catando a lista dos 3 últimos meses, porque é deles que eu quero me lembrar. 

Então, no top 10 dos artistas mais rodados estão:
10. Explosions In The Sky - meus queridinhos do Texas, cheios das músicas que me enchem duma caralhada de sentimentos diferentes.
09. John Frusciante - meu marido. Pra ele, casa, comida, roupa lavada, sexo selvagem e cafuné naquele cabelo sujo e desgrenhado. Amor, meusa, o mais puro e verdadeiro amor, conquistado com melodias lindas e backing vocals matadores. Beijo, Johnny, tô com a janta pronta, só te esperando!
08. Toe - os nossos japoneses são setecentas mil, novecentas e trinta e nove vezes mais fodas que os japoneses dos outros. [Isso foi contado com a ajuda de um metrônomo]
07. Jeff Buckley - se fosse vivo, teria que me dividir com o John. Surgiu na minha vida quando tudo era caos, cantou Lover, You Should've Come Over, deu uma piscadinha e me ganhou. Morreu cantando Zeppelin, gente. Há que se ter respeito.
06. Macaco Bong - power trio cuiabano que vai dominar o mundo. Vou me abster de falar mais sobre eles pra vocês não acharem que tô puxando saco dos brasileiros e tal. [fodas pa-ra-ca-ra-lho e eu vi um show de pertinho, com o pé no palco, bëyjoks]
05. Mogwai - ~meus~ pais do post rock.A banda que ainda vai me matar de susto, os caras, os fodas, o amô escocês.
04. Lenine - coisinha linda e simpática que o Nordeste nos deu de presente. O galego tem as manhas de misturar rock, baião e mpb sem errar nas proporções. Ele tem música com som de cigarra e me fez gostar dela, o que só pode significar uma coisa: fodisse.
03. Library Tapes - o ítem mais novo dessa lista me foi recomendado da seguinte forma: "ouça qualquer música da banda", assim eu fiz e não me arrependo nadinha. Música linda, música boa, prestenção.
02. Chet Baker - foi jogado na minha cara depois de anos sem receber minha atenção. Voz mansa, trompete bacana, letras bonitas e um monte de sentimento no background.
01. Jorge Drexler - dotô, vem auscultar meu peito, porfa. Antes que vocês pensem que ele está aqui só pela barba, entendam que a voz macia, as letras, parcerias bacanas e trocentas músicas boas são o ponto alto do pacote. A barba e o sotaque são brindes. :D

Vamos então aos álbuns mais executados. Não sei exatamente como o site os conta, mas acho que não é necessário que ele toque inteiro. Tô nem aí, vou listar assim mesmo.

10. Verdão e Verdinho, do Macaco Bong - o EP novo dos meninos tem 3 músicas que já chegaram metendo o pé nas portas do meu coração. Todas ama.
09. Rock Action, do Mogwai - vem cá: comprei esse disco por 10 reais, ou algo assim e cinco das oito faixas do disco me levam prum lugar melhor. Amor prensado.
08. Feelings For Something Lost, do Liibrary Tapes – coisa linda, coisa fina, coisa pra se ouvir com a luz do quarto apagada, sorrindo meio de lado.
07. Frontera, do Drexler - uruguaio conquistou meu coração, gente, posso fazer nada.
06. Fragment, também do Library Tapes - esse foi o meu preferido. É de uma delicadeza tocante. [e eu me sinto muito bissinha falando assim, mas é isso.]
05. Chão, do Lenine - esse aí é o que tem passarinho, cigarra e poema musicado do Guimarães Rosa. Delícia.
04. O Retrato Do Artista Quando Pede, do Duo Moviola - essa galera me foi mostrada recentemente e eu peguei amô logo de cara! Ouve aí Cinestar e Mal de Percussion.
03. Artista Igual a Pedreiro, do Macaco Bong - Esse disco é copo de água fresca quando se chega da rua num dia quente. É chocolate com conhaque em noite fria. E vou parar por aqui, pra não espantar vocês com as outras analogias que tenho aqui na cabeça. :D
02. Amar La Trama
01. Eco, ambos do Drexler. Como se pode observar, cantei muito em ~castechano~ esses últimos meses. Drexler faz música bonita, agradável e boa pra vários momentos. Beso pra ele!

Agora a parte que mostra um pouquinho da face ~psico~, da falta de bom senso e do quanto eu repito músicas na vida. [Começo com o número 11, porque eu sou parcial e pelo menos aqui quem manda sou eu. :D]

11. White Noise, do Mogwai - na minha humilde opinião é a melhor música do Hardcore Will Never Die, But You Will.
10. Goodbye, do Toe - eu tenho só 4 versões dessa música aqui e as ouço quase diariamente, bjoks.
09. Two Moons, também do Toe - uma música cativante. Acho que é assim que a defino.
08. I Get Along Without You Very Well, do Chet Baker - escuta isso e me diz se não é a delicadeza musicada. Não é raro acordar com ela na cabeça.
07. Fuck You Lady, do Macaco Bong - amor, amor, fodisse, amor, fodisse, fodisse, amor.
06. I Want Someone Badly, do Buckley- não sei dizer quantas vezes seguidas já ouvi essa música.
05. Japabugre
04. Morango Tango, do Macaco Bong - Já mencionei fodisse? E amor? E fodisse?
03. We All Fall In Love Sometimes, do Buckley - na verdade é do Elton John, mas nosso amigo Jeff fez a gentileza de deixá-la mais bonita. Desde que sonhei com ela, em outubro - e não a escutava havia muito tempo -, a danadinha não sai da minha cabeça. Painting worried faces with a smile. :)
02. La Trama Y El Desenlace, do Drexler - resume o que eu ando praticando e, sim, por isso a tenho escutado com tanta frequência. Amar la trama más que al desenlace.
01. I Fall In Love Too Easily, do Chet Baker - pura viadagem da minha parte, mas volto na delicadeza da burrice que ele afirma ter, nesse trompete que quer me levar e-- parei. É linda e pronto.

 Esse é um belo resumo musical dos meus últimos meses. Tudo que tá cinza é link e vou deixar o post na lateral, junto com o do ano passado. Tem um bocado de coisa boa aí, vai escutar. :)





sábado, 5 de novembro de 2011

dos usos da comida



Eu amo comida. 
"Novidade!", dirá quem já conversou meia hora comigo, quem sabe das mudanças que fiz recentemente na minha vida, quem lê o Conge há algum tempo ou quem frequenta o Flocos Crocantes.
O lance é que eu fui lavar um pêssego hoje e me lembrei da minha falecida avó. Quando queria me agradar, ela fazia compota de pêssegos, um frango mui sensacional que era empanado com queijo, ou coalhada seca. Ou os três. Minha mãe usa amêndoas confeitadas para este fim. Tendo aprendido a viver num mundo em que agradar às pessoas de quem se gosta é hábito, internalizei a coisa de modo brutal e faço carne com molho de queijo para a mãe, batatas para a irmã e bolo de mandioca para a afilhada.
Gosto de ver as pessoas comendo, se for algo preparado por mim, gosto mais ainda. [Oi, Narciso, é você?] Talvez isso aconteça porque eu realmente aprecio comida. Já levei muita bronca por me distanciar da conversa e esquecer que existia no mundo qualquer coisa além do que eu comia.

Quando estudava História da Gastronomia, me interessei muito pelo momento em que o alimento deixa de ser uma necessidade estritamente fisiológica e passa a funcionar como elemento social, agregando - e mesmo causado discórdia - entre pessoas.
Comida para impressionar; comida como paliativo para dores, para algumas faltas; comida como demonstração de cuidado, de carinho, comida como agradinho e até comida como arma de sedução. Ela se presta a vários papéis e, se nada mais interessar, ainda tem o conforto físico que ela pode proporcionar.

Revendo minhas últimas escolhas, percebo que acertei várias delas - ou que elas têm potencial para não darem em merda - e a de fazer de um prazer a minha profissão parece ter sido a mais correta. Vamos acompanhar.

Ali em cima, onde falei das coisas que algumas pessoas minhas gostam de comer, deixei de citar o Miguel. Ele é a criança que mais curte bolos no mundo e come com cara boa de dar invejinha. E tem um adicional de fofura, claro.  

Meguel, que confeitou e comeu o bolo mais melequento da cidade.

Eu vivo pra isso. :)



domingo, 23 de outubro de 2011

da continuação da macacada



Então!
A maldição se quebrou, eu venci o destino e antes do horário de início do show [antes de a casa abrir, na verdade, porque ter as amizades certas é importante]! Entrei, cumprimentei algumas pessoas, guardei minhas coisas e fui falar com os queridos. Uma querida tava conversando com o Kayapy, a quem eu fui apresentada como "a menina que nunca conseguiu assistir ao show de vocês" e eu devo até ter corado. Nas vezes em que estive com pessoal de bandas mais conhecidas, sempre me portei como uma lady que não tá ligando pra aura de fama e rock 'n roll, porque, a bem da verdade, geralmente não estou mesmo, mas esse foi um caso especial por um motivo bobo: se eu fosse obrigada a só ter 10 bandas pra ouvir na vida, uma delas seria Macaco Bong. 
Eu estava, portanto, de cara cozídolo. Creio que isso soe meio besta, meio infantilóide, meio groupie, meio babaca e meia calabresa, mas era exatamente isso, ídolos meus palpáveis, simpáticos, agradáveis, na minha frente.
Agradeci de novo pela gentileza de terem cedido um pedaço de uma das minhas músicas favoritas no mundo pra eu colocar no vídeo, tentei não ser chata demais, ajudei a galera nas preparações, ouvi todas as piadas possíveis com a minha falta de sorte relacionada às apresentações da banda, conversei com as pessoas, revi amigos, abracei gente e na hora do show da Pez, assisti, gostei e pãnz.
Quando acabou e os meninos do Macaco começaram a ajeitar o palco, caiu minha ficha. Ia começar e eu ia assistir [e bateu o medo de cair dura, morta no chão, sem razão aparente, antes de começarem. hahaha].
A banda subiu ao palco e eu tomei meu lugar, a meio metro dele, a dona Joana subiu também, fez as apresentações e mandou um: "especialmente para a Mayra, que finalmente vai ver Macaco Bong!"
Eles começaram. 
ELES COMEÇARAM, PQP!
Meu posto ficava à frente de uma pilastra, porque, dentre outras coisas, eu estava um bocado cansada e pretendia poupar um pouquinho a coluna. Essa escolha se revelou excelente, visto que eu parecia querer sair do meu corpo e a pilastra me fornecia um bom suporte para não despencar. Assim que a apresentação teve início, um cidadão bem bêbado estava me mandando PULAR. Meu gestinho impaciente de "sai pra lá" deve ter sido meio ofensivo, porque teve 100% de efetividade. Nas primeiras músicas eu estava simplesmente tentando me manter viva no meio do turbilhão que cada instrumento fazia em mim. Um amigo veio me agradecer por ter feito tanta propaganda e instigado a curiosidade dele ao ponto de levá-lo ao pub e, enquanto eu falava qualquer coisa, o que tomou meu corpo foi a introdução de Fuck You Lady. Faz uma pesquisa aqui no blog e repara quantas vezes eu citei ou usei essa música, inclusive num post sobre músicas cujas introduções me fazem sorrir - ironicamente essa noite ela me fez chorar. Ouve o vídeo da Belezhnik. Checa a contagem de reproduções no meu computador e nos players portáteis.  Isso talvez mostre o quanto eu gosto dessa música e dê uma ideia do que eu senti quando os primeiros acordes me arrebataram. Se você já assistiu a um show, especialmente com música "intensa", realmente perto das caixas de som, deve saber que apesar de todo o contexto de admiração pelos caras, essa parte de o som tomar conta do corpo não é [muito] exagero.
Olha... o que se seguiu nos minutos de Fuck You Lady foram tantas sensações inacreditavelmente boas, que eu me embanano para descrevê-las sem usar analogias inapropriadas para o horário, no entanto, posso dizer que completude foi umas dessas sensações. A música me preencheu de um jeito tão absurdo que naqueles instantes não me faltava nada, absolutamente nada e era como se nunca tivesse faltado. Honestamente, se eu morresse ali, morreria feliz. [Aham, fiquei bem louca, mas, adivinhem, nem ligo. :D]
O show continuou, logo vieram as músicas do EP novo, Verdão e Verdinho, e, pra arrematar, Vamos Dar Mais Uma, um final destruidor de sei lá quantos minutos e um sentimento de putamerda, quero mais.

Quando acabou de verdade, eu queria falar alguma coisa para os meninos, mas estava tão quebrada, tão fora de órbita, tão encantada, que só consegui dizer "obrigada" aos três - e pedir descaradamente pra tirar foto com o Kayapy e o Ynaiã, porque o Ney tratou de ir dormir logo. 
Depois rolaram as conversas de backstage e um after, do qual não participei porque estava mais cansada que o cansaço. Esgotada mesmo. Hoje rolou almoço com a galera toda, todo mundo conversando, rindo, se divertindo; comendo feito artista, igual pedreiro. 

Saí disso surda, com a alma acariciada e uma fadiga muscular por ter sorrido o show inteiro [e na madrugada anterior também]. Quando eu me dava conta estava com as bochechas doloridas de tanto sorrir.

Cês me deculpem o post babão e a sinceridade melosa, mas é isso. Hoje três dos meus ídolos musicais foram para a estrada comendo bolo feito por minhas mãos. A cozinheira viciada em música não consegue nem imaginar uma maneira mais pessoal de agradecer pelo que eles fizeram por mim ontem.




* Assim que eu receber as fotos, faço um update. É que não consegui esperar. :)
Update!
Finalmente recebi as fotos e temos aqui dois dos simpáticos meninos do Macaco Bong [o Ney foi dormir mais cedo e se safou de ser tietado]. Favor não reparar no meu sorriso retardado pedindo licença pras orelhas. Obrigada. :)


Kayapy e a presença ilustre do Leo trollando a foto lá atrás

Ynaiã [e a receita prometida do bolo!]



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

das particularidades



Eu vivo de particularidades e projeto isso nos meus relacionamentos, independente da natureza deles. Algumas pessoas ganham apelidos, são chamadas assim por anos a fio e, mesmo que alguns sejam meio vagos/comuns, tornam-se tão "propriedade" daquela pessoa, que só serve pra ela. O exemplo mais clássico é o fato de ter passado quase uma década sem conseguir chamar de "menino" qualquer rapazote com mais de dez anos, porque era assim que eu chamava meu ex namorado. 
Assim como certas comidas me remetem sempre a algumas caras, determinadas músicas foram feitas para trazer à cabeça alguém específico.
Isso me ocorreu ontem, na estrada [foi um pensamento rápido, que eu precisei anotar, porque uma característica irritantemente forte é confiar na memória e esquecer as coisas], e reparei que eu já tenho uma dessas, ligada a música, com uma pessoa que eu nem conhecia uma semana atrás.
Uma coincidência [elas existem ou são coisa da minha cabeça?] interessante: acordei cantrolando uma música, ~ganhei~ outra que  poderia estar na mesma coletânea e provavelmente as duas músicas ficarão ligadas a essa pessoa por toda a vida. 
Acho estranho, acho engraçado, acho bom. Me agrada saber que ainda se fazem conexões, mesmo - ou talvez especialmente - sem esperar.