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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

das (reais) decepções


Eu devo ser a única filha de Anápolis que não morre de raiva da própria cidade. Entre os meus amigos que se mudaram, sou meio que a pródiga (o bom filho, a casa entorna...). Não morro de amores pela cidade, mas algumas coisas não encontradas em outro lugar me fazem falta. Minhas criancinhas, minha mãe, irmã, o resto da patota familiar e alguns amigos que ainda moram aqui. E os salgadinhos daquela senhora maravilhosa, aqui perto de casa.
A cidade é carente. Não há um supermercado 24 horas e as locadoras (pelo menos as duas mais próximas à minha casa) estavam fechadas às 20:30 de domingo. Falta de respeito com os noturnos. Além disso, não há muitas opções de diversão noturna (ou mesmo diurna. fato.).
Pois bem... descobri que as locadoras agora fecham no domingo, porque aproveitei a vontade de bater perna pra atualizar a minha lista de filmes a assistir. Andei até a locadora mais próxima e dei de cara com as vidraças. Problema nenhum; era até uma boa desculpa pra andar mais um pouquinho. Fui caminhando calmamente, observando os detalhes perdidos nesse semestre de abandono, as luzes de natal que ainda enfeitam o colégio, as pessoas se exercitando e a massa de anencéfalos subindo e descendo a avenida, atrapalhando a vida de quem tem alguma coisa pra fazer, ferindo os bons ouvidos com suas músicas ruins e os bons olhos com suas combinações de rosa choque, preto e amarelo e saias que levam menos tecido que qualquer peça de roupa da minha afilhada.
Passei pelo antro de perdição de almas (um absurdo) que se instalou ali e vi umas pessoas panfletando. "Possivelmente o pré-carnaval mais infame do estado", foi meu pensamento. No que eu estava certa, a julgar pelos abadás. A novidade veio da idade (rima ruuuim!) dos panfleteiros: a mais velha devia ter uns 16 anos e um moleque, eu poderia jurar, não passava dos 12. Que é isso, minha gente? Essas criaturas nem podem entrar na tal da festa!!
Observei as roupas - todas as meninas com as camisetas devidamente customizadas e nenhuma menos de 4 dedos acima do umbigo - e pensei de cara que se tratava de mão de obra barata. E havia um cara ensinando essas meninas a panfletar: "Você tem que se abaixar um pouco assim, como se fosse entrar no carro. E sorrir. Tem que sorrir sempre."

Ai.
Hoje eu me senti deprimida pela minha cidade natal.

6 comentários:

Joyce Pfrimer disse...

ah! entao por isso a chamada no cel! hehe! queria q eu me decepcionasse junto com vc né?
Não sei o q me aconteceu, parece q o bicho do sono me picou! tava dormindo demais qd me ligou! hehe!
beijoca mayrocas!

quase disse...

Nao sei pra que esse preconceito contra pre-carnavais e abadas.. =/

Cachorro de 3 pernas disse...

Eu sou suspeita pra falar... eu gosto de carnaval e qualquer manifestação pacífica de pessoas se divertindo (seminuas)... mas axé, salvador e jovens não me atrai muito :P

Gabriel Teixeira disse...

Pra mim não precisa ser pacífica! aliás a guerra dos sexos deveria feita com pelados! =p

"Me mata de amorrrrrr" sacou? em? em?

tá bom, parei.

Solin disse...

Olá, tudo bom?
Eu também sou de uma cidade do interior (nordeste) e agora vivo em uma capital.
Todas as vezes q volto à minha cidade natal, eu sinto que estarei ligada ao local eternamente, pois lá ficou a minha infância, a minha gente. Lá é um lugar que me sentirei em casa, apesar de eu crer q nossa casa é o lugar onde moramos atualmente. Enfim, Mayra, em meio às comparações evolutivas que automaticamente nosso cérebro faz (rs), é sempre bom voltar às raízes. Ajuda a equilibrar este Eu que nos tornamos quando saímos de lá da terra natal.

Tudo de bom pra vc!

Bowler Hat Strange Guy disse...

Bem, ao menos essas crianças não estão em alguma fábrica perdida pela cidade, cortando solas para a Vulcabrás...

Ok, não justifica.

Todo império tem sua derrocada. Mesmo Anápolis. Seja forte!
Beijos!
:)

p.s.: era uma lista das coisas que eu JÁ consegui. Sou praticamente um asceta, sem cigarros e/ou álcool.