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terça-feira, 2 de junho de 2009

das lembranças que puxam lembranças que puxam


Ma.. aaaah, oi!
[/Sílvio Santos mode off]

Essa noite eu me encharquei de sopa de tomate (boto fé que até rolou uma desintoxicação organismal) e não dormi. Não dormi, escrevi, li, assisti e conversei (online, a propósito. Tô com um receiozinho de perder minhas habilidades vocais. Tenho reduzido a conversa ao mínimo). De manhã descobri que tá rolando Lost na vida real, ali perto de Fernando de Noronha. Triste. Especialmente porque cortaram Padrinhos Mágicos da TvGlobinho hoje, por conta da quantidade de notícias que não diziam nada de novo a respeito do sumiço do avião.

abre parêntesis
Ouvi uma história muito bonitinha outro dia:
Fulaninho tinha 5 anos de vida quando aprendeu na escola a cantar o Hino Nacional.
_Fulaninho, canta o hino pra vizinha da amiga da prima da vovó ouvir.
_Tá. caham! Ouviram do Ipiranga as margens pláaaaacidas...
_Agora canta o da Argentina.
_De novo? Tá bom... caham! Ouviram do Ipiranga da Argentiiiiiina...

lembrei disso, porque esse menininho morreu naquele acidente da Gol.
fecha parêntesis.

Ah, sim... Eu dizia que não dormi. Na falta de Padrinhos Mágicos (é impressionante como só passa - e o dia inteiro! - nos canais que não tenho. No Disney Channel só passa às 3 da tarde. Essa hora eu tô fora de casa, ou dormindo), fui pra TV Cultura, na esperança de ver Castelo Rá-tim-bum, mas não tava lá também. Fiquei assistindo a Turma do Pererê, que é baseado nas tirinhas do Ziraldo. Gostei tanto que se estiver acordada amanhã nesse horário, vou ver de novo. Rolou lição: "Não sabe quem é, porque nunca leu um livro. Não passa uma página!", umas piadinhas bonitinhas e uma saudade que bateu. Quando criança eu lia muito mais que hoje. Era um poço de "Mãe, acabei o livro. Me dá outro?". Ela abusava das amigas professoras, que me emprestaram a coleção vaga-lume inteira; do vovô, que tinha uma coleção chamada Tesouros da Juventude, com versões simplificadas de livros como O Conde de Monte Cristo, Moby Dick, As aventuras de Tom Sawyer, Alice no País das Maravilhas, Vinte Mil Léguas submarinas e por aí vai. Mas nem é referente a esses a lembrança que me ocorreu.

Aos 7 anos eu já lia bastante, enquando minha irmã não queria saber de ler nem gibi da Mônica. Leitora assídua e mãe preocupada, a Véia comprou uns livros do Bichinho da Maçã, do Ziraldo. Eu li todos antes dela, mas pelo menos a irmãzinha começou a gostar de ler.
E isso me trouxe ainda outra coisa: Eu tenho uma coleção da revista Ciência Hoje da Criança, que foi iniciada nessa época aí também. Minha tia viu outro dia e não acreditou na data. Começam em 93 e estão absolutamente novas. Tipo morro de orgulho delas. Nessa época eu lia a Superinteressante também, mas essa continua existindo, então não tem graça contar.

Isso aí me botou naquele pensamento já velho e super-sei-lá: A última geração con infância de verdade foi a nossa. Lego, Super Massa, quebra cabeça (se bem que a Lu se amarra em quebra cabeça), mas, principalmente, brincar na rua. Ainda pode isso?

Uuh... Me senti velha demais outro dia, quando descobri que moro com uma menina que nasceu em 1990 (Milnovecentosenoventa, mermão! Eu já tava lendo nessa época!). E ela não sabia o que era um Smurf. Ou a Caverna do Dragão. Não que me preocupe em ficar velha, tômilascando, mesmo. Mas e essa criatura que não assistiu à Caverna do Dragão? Nem Duck Tales (que, aliás, voltou a passar na Globo, viu, Vovô?!)? Que tipo de coisa ela vai ensinar pros filhos?



De frente al mar, do Carajo.

3 comentários:

Bowler Hat Strange Guy disse...

Eu sou hiper favorável a uma criação rigorosa.
Não fosse o rigor da minha mãe, eu talvez fosse hoje mais burro do que já sou: ela punha-me de castigo pelas traquinagens e, como pena, eu tinha de ler um livro.
Não que eu tenha sido um moleque arredio ou arteiro demais, mas vou te contar que li BAGARÁIO na infantojuvenilescência...
:)

Obrigado, mãe!

Guarde essas edições de 93 como se fossem o tesouro do pirata, chuchu.
Daqui a dez anos você vai ficar mais surprêsa que tua tia ao encontrá-los!
Ainda tenho o "Meu Primeiro Dicionário". Ganhei aos 4 ou 5 anos, não sei ao certo (tá na casa da mamãe). Fico emotivo cada vez que o encontro, naquelas de mexer na bagunça antiga...

Envelhecer com calma é um bálsamo.
E nós não estamos envelhecendo, estamos ficando "apurados"!
Hahahahhaa

Beijos e obrigado por mais um dos teus quitutes autobiográficos!
;*****

Joyce Pfrimer disse...

mergulhei na minha infância tb com esse post!

Eu aos 8 anos comecei a ler toda a coleção de livros de contos infanto-juvenis que meu avô (ele foi meu maior incentivador) comprava pra mim, e dps que os li, passei pra coleção dele próprio, que ele lia quando era criança, amava aquelas paginas amareladas e aquele cheirinho de livro velho, aí passei pras coleções da minha mãe, que tinha uma coleção extensa de livros da Ágatha Christie.

É eu tb lia bem mais quando era mais nova...e ainda tinha tempo de assistir toda a programação de desenhos da TV, brincar muito e ainda estudar, me saindo bem na escola. Acho que eu sabia organizar meu tempo melhor!

Swdezerbelles disse...

Hahaha Muito bom o seu blog. Descobri a pouco tempo, qnto mais leio, mais animada eu fico de continuar. Parabéns!