.
.
.
.
.

domingo, 30 de agosto de 2009

dos textos




Ela abre o Word e vê que, por alguma razão nebulosa - ainda mais escurecida pelos 30 dias que a separam da última vez que abriu o programa - há um texto salvo pelo sistema.
A princípio não tem muita certeza do autor, mas na terceira linha já sabe de quem se trata.
E lê.
Lê com uma postura mais distanciada, pelos anos que o texto já tem.
A nova leitura traz a impressão de que, de alguma forma, seu rosto está ali, embora não haja nem uma vez a palavra rosto. Ou semblante, ou qualquer coisa que lembre um rosto, mas ela vê o seu próprio olhar num canto, pairando sobre o texto.
Sobre o texto que não é dela, mas a contém.

Quase no fim se enxerga de fato. Tem toda a certeza (toda a certeza que se pode ter sobre um texto quando não pergunta a quem o escreveu) de que é ela.
Emoções sempre a inundam de forma muito muito rápida e, como se sente especialmente tocada por tudo que esse autor específico escreve, deixa a lágrima contida anos atrás vir à tona.
Agora não era tristeza.
Era uma felicidade e uma espécie de alívio por ver que, no fim das contas, era mesmo ela.

4 comentários:

Solin disse...

"deixa a lágrima contida anos atrás vir à tona"
eu acho que tem poder, as coisas e pessoas que nos põe na situação.

Solin disse...

'congeminado por e a parte de comentário e marcadores está tão pequena.. ou é imnpressão do meu computador?

Tati disse...

Que bonito, May. ^_^

Joyce Pfrimer disse...

Bonito, bonito msm...já disse q tô sensível!