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domingo, 12 de dezembro de 2010

da teoria do molho de salada




Outubro de 1997 ou 98, não estou certa. Jantar do meu aniversário, em casa, pra família e uns poucos chegados. Minha mãe fez 3 tipos diferentes de carnes, 2 tipos de arroz, saladas variadas e diversas sobremesas. No meio do jantar, cidadão bonito e educado exclama que a melhor coisa era, impressionantemente, o molho da salada. Não que o resto estivesse ruim, mas o molho era a coisa mais maravilhosa daquela mesa.
Era um molho simples, de limão, azeite, cebola, sal e pimenta, mas deixou o camarão e a carne no estracismo.
Isso nunca foi esquecido e sempre que acontece algo semelhante o ocorrido vem à tona.
Hoje eu repassava para minha mãe os elogios referentes à agenda que dei à minha amiga secreta, a coisa fofa da Cris e quando mencionei que ela gostou dos botões na capa, mamãe arregalou os olhos e perguntou: "dos botões?"
Minha resposta foi imediata:
_Tô chamando isso de Teoria Do Molho De Salada.
Ela assentiu e eu não precisei dizer mais nada.

Você vai sair e se prepara com todo aquele ritual, pele, cabelo, roupa e maquiagem. Se joga num top fuderoso e sai sendo a mais gostosa do mundo. Nêgo olha pro seu sapato e diz que ele é fantástico, a melhor coisa que você já comprou na vida!
Escuta aqui, ouve com atenção, você sabe que o seu sapato é massa. Ele é bonito e, por sorte, a encontrou numa liquidação. O sapato te achou, claro. A despeito disso,  na cena em questão ele era um coadjuvante que deveria se manter no seu lugar,  não roubar a atenção.
O filme é fantástico, falas incríveis e aquela sua amiga ficou louca pela cadeira da sala de estar. 
Seu amigo faz um discurso excelente na iniciação da maçonaria e você fica impressionado com a pronúncia de "enciclopédia".

Entendam: a Teoria do Molho de Salada não consiste em desvalorizar o todo, ou o elemento principal. mas em prestar atenção a um detalhe, um pedaço da organização. Precisa ser algo que, a despeito de ser trivial, salte aos olhos de determinada pessoa, tornando-se assim uma maravilha. Para ela.

Exatamente como aquele molho de salada.

7 comentários:

Cris disse...

Ai, fui citada no Blog, que emoção!!!!
O todo pode ser lindo, mas o encanto está nos detalhes (típica virginiana falando), acho que revela um capricho, um cuidado com o que é 'coadjuvante' que faz toda a diferença!!
beijos para Jane, aquela linda!

Fabi disse...

Vou adotar essa teoria pra e na vida.

Alana Ávila disse...

entendo completamente e concordo.
tenho dessas.

cena: casamento de primo
noiva toda trabalhada, mesa de docinhos imensa, flores e mais floes.
meu comentario:
QUE EMBALAGEM DE DOCINHO MAIS LINDA!

trouxe ate pra casa '-'

LIVIA HOLANDA disse...

tem uma historinha q eu ouvia sempre, do cachorro morto na esquina, que todo mundo passa, olha e comenta "credo, que coisa". daí vem um indivíduo DJÊNIO e solta "mas que belos dentes esse cachorro tinha, né?"

a ideia era ver algo bom no que tá ruim, que não é o caso... mas como entendo: se fosse um enterro
chiquérrimo de um cachorro com pedigree PHYNISSIMO, falariam do pelo, dos olhos, do rabo e também dos dentes. qdo ta tudo muito bom, há muito o que notar, né? e eu adoro qd ressaltam detalhes lindinhos q a gente faz/usa/fala sem pensar muito (exceto no caso do top! hahaha).

me gusta mucho la teoria do molho de salada. :)

Letícia disse...

Mies van der Rohe ("Deus mora nos detalhes") ligou e falou que adorou este post. :)

Charlie disse...

Eu queria ter um lance mais próximo dos detalhes, sabe? Mas como não é o caso, fico sempre perto de pessoas que, além de perceberem esse tipo de coisa, adoram compartilhar essas descobertas com um "oow... cê viu?"

Swdezerbelles disse...

Corcordo muitíssimo com essa teoria e tb com o comentário da Cris, o bacana está no detalhe.. é claro que o todo é importante e pode até ser bonito, mas os detalhes fazem toda a diferença e é aí que está toda a graça da observação. Faz o momento especial. =D