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domingo, 24 de julho de 2011

das viagens



Era uma vez uma pessoa que amava São Paulo.

Essa pessoa ia lá de vez em quando, mas sempre muito rápido, nunca com tempo suficiente pra fazer o que queria. Essa pessoa não andava muito satisfeita em sua própria cidade, então resolveu juntar razões e desculpas esfarrapadas para passar uns dias em São Paulo. Ela foi.

Essa pessoa sou eu, tá?

Bom, eu fui, mas antes de ir passei uma noite em Brasília e tem gente que vai reclamar da rasgação de seda, mas matei duas puta saudades nas horinhas que passei lá - recebi visita no aeroporto, sou linda, um beijos. Falo mesmo.
Cheguei a São Paulo e fui recebida com tanto amor, com tanto presente foda, com tanto cuidado, que em 3 minutos me sentia em casa e a conversa rendeu aproximadamente 12 horas, lindo assim. De CD com muuitos anos de idade a feijões mágicos e camiseta foda, me senti a mais amada so Sudeste. ♥

Fiz várias das coisas que me propus a fazer, embora tenha ferrado meus horários ao ponto de acordar às 22:00 num dia [talvez tenha sido essa inversão e a falta de sol que tenham feito um respingo de alho ferir meu rosto hoje, contudo, essa é uma teoria controversa]. Encontrei algumas pessoas queridas, recebi visita, me desencontrei de outras, mas aí rola de bancar o Vinicius e fazer poesia com isso, né? Não, porque apesar dos pesares, não sou poeta, nem sei rimar. By the way, Tati, Alesqui, Paula e Lilian, amor eterno, amor verdadeiro. [Tô citando só essas, porque foi com elas que passei mais tempo. Cês se sabem, não preciso ficar gritando, certo? Certo.]
Dormi. Dormi muito, profunda e maravilhosamente, como se as coisas que me tiram o sono aqui não existissem lá. Não existem, aparentemente. Passei lá o dia mais melancólico do ano e sobrevivi a ele, como sempre.

Nesse tempo eu topei vampiro Eric no metrô, vejam bem. Se não é essa cidade uma matrioshka de homem lindo, eu não sei o que é. Além disso tive a oportunidade de observar com situações interessantes, embora bem retardadas e coisa de quinta série, mas, OI, a vida é uma grande quinta série e a tia nunca chama atenção das crianças. O mundo tá perdido e eu quero mais é que 2012 venha logo, pra acabar essa bagaça.

Enquanto a bagaça não acaba, fiz contatos sensacionais, comi a melhor pizza de alcachofras do Oeste, conheci pessoas lindas, que eu quero ter sempre comigo, comi o gnocchi mais fantástico do universo inteiro - e provavelmente de outros universos também, preciso checar -, fui a uma ~ balada ~ [onde me perguntaram se eu era a REDIÚDE, já que estava usando uma capa vermelha], passeei na 25 de Março e no mercadão, onde quase me perdi nas barracas de frutas e temperos, além de ter comprado pra minha mãe uma geléia que vai ficar linda como enfeite, já que ninguém consegue abrí-la. Gravei um vídeo pro Belezhnik, comi horrores e houve até uma maratona de 12 horas de mastigação. Foi lindo, meusa. Voltei meio inchada, mas claro que é efeito das mais de 12 horas de ônibus. 
Ônibus, sim. 
Porque a vida, essa caixinha de surpresas, deixou toda a merda que pode acontecer numa viagem para o fim desta. Vou contar a parte que interessa a vocês, já que jantar com pessoas agradáveis, rir loucamente e cozinhar não rendem postOOOOH, WAIT! 
Mas, tá, vamos de estranhezas mesmo.


Vejamos: eu sempre adoeço antes e, em caso de viagens com mais de 5 dias, durante as viagens, e até o que seria o último dia desta viagem, eu não tive um só problema de saúde - a não ser que se conte uma chateaçãozinha na garganta, curada com própolis e chá quentinho.

[alerta de drama, palavras de baixo calão e caps lock a seguir!]


Pois bem, eu viria embora na quarta feira à tarde. Na terça tive um POBREMINHA que me deixou com a náusea de sete cruzeiros em mar agitado, a cabeça pesada como se houvesse uma tonelada de pedras DENTRO dela, a pressão baixa de um jejum de 20 horas e a boca amarga de quem comeu um cacho de jurubebas. Eu estava bem alimentada e o dia estava com uma temperatura deliciosa, só pra constar. Cheguei em casa me arrastando, deitei, fui devidamente tratada com chá e medicamentos e dormi um sono de gente doente até a manhã do dia seguinte, quando acordei bizarramente bem disposta e agradecendo pelo boldo alcançado.

Fiz a entrega que precisava fazer, comprei uma plantinha pra minha anfitriã, fui alfinetada, não tomei conhecimento, preparei o almoço, comemos. Terminei de fechar a mala mais pesada da cidade e me dirigi ao aeroporto com mais de duas horas de antecedência, porque sou dessas.
Cheguei lá, linda e cansada de puxar aquela mala, apresentei-me no check-in e ouvi a notícia deliciosa: a senhora veio para o aeroporto errado, senhora. BANG! As trezentas e dezoito vezes que conferi a reserva não foram suficientes para me fazer perceber que eu deveria ir para Guarulhos, não para Congonhas. O primeiro pensamento que me ocorreu? PUTAQUEPARIU! O segundo? FODEU TUDO! O terceiro foi que eu deveria tentar descobrir uma solução. O rapaz da companhia aérea me atendeu pronta e eficientemente. Fez bem mais que a obrigação dele me levando até a área onde eu conseguiria um ônibus que fizesse o traslado entre os aeroportos, calculou o tempo e sugeriu que eu pegasse um taxi, já que esse tinha mais chance de chegar a tempo, mas custaria até quatro vezes mais caro.
Levando em consideração que eu pretendia voltar para casa, peguei um taxi e pedi pra ele VOAR pra Congonhas.
Não sei se por sacanagem do cretino ou por falta de sorte e ziquizira, cheguei lá dez minutos depois de encerrado o check-in. E eu só pensava na caralhada quantidade de dinheiro que entreguei na mão do taxista. Bueno, voltei pra casa [da Li, hehe] e fui olhar com calma preços razoáveis de passagens, mas claro que não tinha, né? Né.
Resolvi comprar passagem de ônibus, mesmo. Sairia mais barato e, com a paulada de Dramins que eu tomaria, nem veria nada. Beleza, a passagem foi comprada na rodoviária de Anápolis e eu só precisaria me apresentar no mguichê, com documento de identidade, meia hora antes do horário previsto para o ônibus sair. Escaldada que estava, chamei um taxi e fui para a rodoviária pronta para esperar aproximadamente uma hora por lá. Muito que bem, o taxista disse que deveríamos demorar 30 minutos, já queo trânsito estava bom, só que ele falou antes do que deveria e já estávamos no carro havia 50 minutos, com carros parados e, quando o cidadão foi sair com o carro, a embreagem não respondia. 


PESADELO. 

O motorista desceu do carro [e eu de olho no taxímetro, que estava rodando e já marcava 50 pilas], abriu o capô e ficou puxando cabinhos, enquanto eu, à beira do desespero, pensava que isso não poderia estar acontecendo comigo, que era uma puta falta de sacanagem e via tanto o pedal da embreagem quanto o câmbio se moverem de acordo com os puxões do motora. Ele me informou que iria até o ponto de taxi mais próximo pedir que alguém terminasse a corrida pra mim. Largou capô e porta abertos e eu lá, olhando os carros passarem e dizendo, primeiro mentalmente e depois em voz alta, com a mão na cara e balançando o corpo pra frente e pra trás, que aquilo era um pesadelo, era isso, só podia ser um pesadelo e eu precisava acordar, pra não perder um avião e um ônibus em menos de uma semana. Na minha cabeça ele demorou meia hora, mas no relógio devem ter sido, talvez, cinco minutos. Voltou e me disse que o pessoal do ponto de taxi não ia liberar ninguém pra me levar à rodoviária, porque estava perto demais e o trânsito, cagado demais.
 Perguntei um "E AGORA?" exasperado e ele me disse que um taxista que havia deixado uma moça ali na porta do metrô faria a gentileza de terminar a corrida pra mim. Fui entregar a ele o dinheiro da corrida e ele recusou. 
_A senhora paga a corrida pra ele, ele que vai te deixar na rodoviária. 
_Mas o senhor rodou até aqui, oras. 
_Não, não, paga pra ele. 

O santo chegou, passou minhas malas para o carro e seguiu para a rodoviária me contando que a outra passageira dele deveria estar lá às 19:30, então preferiu pegar o metrô, pra garantir. Essa informação me deixou bem inquieta, porque era o horário em que eu pretendia estar lá também, mas me lembrei que eu tinha uma folga, então estava de boa. Chegamos, ao invés dos muitos reais, paguei apenas dez, comecei a pensar que, no fim, saí no lucro. Fui até o guichê da empresa, disse que precisava retirar uma passagem e dei meu nome. Enquanto eu tirava a identidade de dentro da carteira, PI-PO-COU uma camisinha [ganhada na Semana do Tradutor, em São José do Rio Preto, nos idos de 2008] na bancada do rapaz. Tive nem tempo de ficar vermelha, porque ele já me informava que não havia nenhuma passagem para aquele dia, ou mesmo naquela empresa, com o meu nome. 
NÃAAAAAAAAAAAAO! - eu gritei mentalmente, enquanto soletrava mais uma vez e escaniava a tela do computador procurando desesperadamente um m-a-y. Depois de uns minutinhos de tortura e uns risinhos nervosos meus, ele encontrou, me entregou o papel, me disse onde eu deveria pegar o ônibus. 
Achei bonito que houvesse uma Casa do Pão de Queijo bem em frente ao ~ meu ~ box, onde eu poderia comer e vigiar psicoticamente o letreiro brilhante que informava que realmente sairia dali a minha condução. 
Antes de embarcar ainda houve um inusitado. Bom, para fins didáticos: a plataforma de embarque é separada do "resto" da rodoviária por uma divisória de vidro - ou acrílico, whatever. Cada box tinha duas portas, eu achei engraçado que se passasse a bagagem para um cara por uma porta e se entrasse por outra, então perguntei a um cidadão perto de mim se era assim mesmo que funcionava. Ele me olhou com a cara mais estranha do mundo e me explicou que sim, que a bagagem vai no bagageiro, embaixo do ônibus e a gente vai por cima, por aquela portinha ali no lado, ó.
Consegui sair de São Paulo, não que eu realmente quisesse, mas existe uma ~ vida ~ a ser tocada aqui, não é mesmo?

Dizaí. Cagada de urubu, hein? 
Mas volto lá loguinho, só pra-- pra nada, não. Só porque eu amo São Paulo. ;)