.
.
.
.
.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

da estupidez



Eu sempre tive como característica marcante a falta de paciência com pessoas em geral. Gosto de várias. Amo algumas de verdade. E basicamente qualquer ser humano consegue minar minha paciência em minutos, caso ela já não esteja tão boa. A despeito disso, me esforço imensamente para não atingir quem quer que seja com a minha personalidade e meus problemas, sejam eles quais forem, por várias razões. Dentre os motivos está o fato de que qualquer problema meu é meu e, se eu escolho não compartilhá-lo, devo ter a decência de não agredir ninguém com ele. Evidentemente isso não funciona sempre, no entanto me parece importante reforçar a ideia na minha própria cabecinha oca.
O preâmbulo foi para introduzir a conclusão, absolutamente empírica, a que cheguei: algumas pessoas não se importam com isso ou não têm consciência disso. Funciona assim: elas têm seus problemas, reais ou imaginários, decidem guardá-los para si e não dão conta da pressão, liberando-a em cima de quem, na mente desta criatura sofredora, a ameaça. 

Hoje eu presenciei uma cena interessante. Era um grupo de 5 pessoas trabalhando em harmonia e aparentemente em harmonia real, até que uma parte se sentiu ofendida pela ação de uma segunda pessoa. Essa ação consistia no aborrecimento por ter visto seu trabalho de, sei lá, uma hora, ter sido estragado. A pessoa responsável pelo estrago teve as manhas de jogar a culpa em dois colegas diferentes - sendo uma a agredida -, se fazer de vítima, dar chilique escrotizando quem não tinha culpa e ainda ir embora fazendo ceninha, além de deixar boquiabertas todas as aproximadamente 20 criaturas que tiveram o desprazer de ver a gracinha.
Ouvi dizer que houve quem quisesse gritar "ainda bem que eu te dei um pé na bunda, seu grandecíssimo babaca!", mas se controlou em prol da boa imagem, da boa convivência e da falta de saco pra brigar - porque, OI, claro que cidadão se ofenderia bastante e trataria de brigar mais um pouquinho. Tem gente que gosta.

Desequilíbrios à parte, eu acredito no não-escândalo. Acredito na não-lavação de roupa suja em público e acredito na polidez e cortesia, assim como acredito em psiquiatria e que pessoas com os nervos muito alterados deveriam se tratar.
Entendo que determinadas frustrações consumam a alma humana e façam dela uma coisa pequena, mesquinha e babaca. 
Tenho ganas de chamar a pessoa de lado e dizer: meua, cê tá sendo um retardado e afastando todo mundo que poderia querer te ajudar. Se você está sozinho, a culpa é toda sua, porque não há quem aguente a tensão de ser carregado no colo um dia e levar murro no olho no dia seguinte. Apesar disso, não o faço, porque não quero levar na lata também. 
Não conheço quem não tenha problemas. Cada um escolhe como lidar com eles, e deve se resignar a lidar com as consequências dos próprios atos. O saco alheio não deve ser locupletado com as nossas próprias inseguranças, besteiras e idiotices, especialmente se ele não foi oferecido. 

Fora isso, vou bancar a autora de auto-ajuda, como já me aconteceu antes, e dizer que se todas as pessoas ao seu redor têm um problema com você, cê jura que o problema são elas? Mesmo?