.
.
.
.
.

terça-feira, 24 de maio de 2016

dos passeios





Tem um ano que eu não venho aqui. 
Na verdade, os rascunhos dizem algo diferente, apenas tem um ano que eu não posto aqui. Nesses 12 meses, eu acumulei milhas no programa da vida e no ano de 2015 não completei 20 dias seguidos dormindo em casa. Fui a cidades que sempre quis conhecer e me surpreendi com tantas outras, vi a casa onde a Marie Curie nasceu, o mercado de Budapeste, andei de barco no Danúbio [que é verde, não é azul], tomei suco num café em Viena [quarenta graus césios, gente, não consigo beber café], comi pierogi doce em Cracóvia e vi as sereias de Varsóvia. Fiquei esperando os bonequinhos do relógio de Praga, achei um castelo no meio de Milão, conheci várias estações na Suíça - e comprei doces nelas-, surtei com os azulejos em Lisboa, comi um travesseiro em Sintra e até hoje me arrependo por não ter comido 10. Tomei chuva em Veneza, comi macaron em Nice, fiquei esperando topar com a Carol em Monte-Carlo, chamei o Coliseu de colossal em Roma, descobri em Copenhague que os dinamarqueses são adoráveis. Completei as tartarugas ninjas em Florença, consegui comer bem em Londres, andei feito uma doida pelos arredores de Kaiserslautern, comi tarte gratin numa cidadezinha da Lorena e me apaixonei perdidamente por Edimburgo.



início das terras altas da escócia



Dormi em hotéis, hostels, sofás, casa de [minha] família, colchão no quarto de amigo, estação de trem, aeroporto e basicamente qualquer superfície que oferecesse um mínimo de apoio. Conversei com estranhos portando os mais diversos sotaques, gente amigável, na maior parte das vezes; pessoas que se surpreendiam com "nossa, uma mulher viajando sozinha por três meses" e, sim, dois terços da minha viagem foram feitos só com euzinha e meu finado ipod. Levando-se em consideração que no país em que eu estava sem internet, a língua era a mesma [ai, Portugal, volta pra mim]; quando eu visitei cidades menores eram todos polos turísticos e uma língua parecida [Prego! Parla italiano, bambina?] e, depois, quando não se falava inglês e era interior, era um país onde as coisas tendem a funcionar super bem [embora o destaque alemão, para mim, seja no quesito PÃO], até que conversei bastante e a internet sempre esteve à mão pra ajudar no que fosse importante ou necessário.


Entra aí uma questão no qual eu não tinha pensado muito, mesmo bastante tempo depois. Talvez a naturalidade da sensação tenha posto a racionalização pra dormir: foram mais de dois meses praticamente sozinha. Andar, comer, visitar museus, enfrentar filas, dormir em parques, pegar ônibus de city tour. Uma vez que a própria companhia deixa de ser um tormento e os pensamentos não são exatamente um martírio. Eu me mudei, vim morar num apartamento só meu e esses pensamentos agora ocupam todos os cômodos, parece ser de importância que eles não me machuquem, não me incomodem demais.

Não sei quando foi, exatamente, mas em algum momento da vida, eu percebi que a passaria sozinha. Solitária não parece ser bem a palavra, mas sozinha, embora, sim, eventualmente fique solitário. Ter prazer em passar uma manhã em silêncio, decidir se naquele dia todas as refeições serão feitas no sofá tendo só uma cadeira como apoio, levantar, sem sono, de madrugada e fazer um chá, talvez ouvindo música.

Acho que o ponto todo é esse. A impressão que tenho é que uma pessoa pode correr mundo, estar cercada de outras, pode ter amigos, família, pode estar onde for, se ela tem a tendência natural pra ser sozinha, não foge disso. Nem tentando.



a sereia guerreira, em varsóvia

3 comentários:

[balbie madeleine] disse...

Ser uma boa companhia pra gente mesma é uma coisa bem importante, em qualquer lugar do mundo <3

[balbie madeleine] disse...

Ser uma boa companhia pra gente mesma é uma coisa bem importante, em qualquer lugar do mundo <3

Renato Rocha disse...

voltou!