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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

das paineiras

É quando o cerrado começa a secar que eu presto mais atenção ao meu redor (quase rola uma metáfora foda aqui, mas eu nem tô muito metaforica hoje).
Durante a época de chuva me encanto com as flores (especialmente as roxas) que brotam em todo lugar, o cerrado - a mata, mesmo - fica num verde lindo, lindo, os rios, córregos (ou corgos, em bom goianês) e tudo mais que tem água ganha uma exuberância exuberante. Mas é na seca, quando tá tudo meio cinza, meio marrom, meio avermelhado, que eu morro de amores (e de alergia e de calor) pela região.
De dezembro a fins de abril as paineiras tinham essa cara

e cobriam o chão com florzinhas. Meu "próprio tapete de flores bonitas", segundo um amigo que viu a paineira ali no estacionamento do bloco. O que ele não deve ter observado é a outra, bem maior, que fica na frente do prédio. À esquerda da minha janela, na fabulosa "pracinha" da quadra. Pra mim tem cara de praça, mas nêgo insiste que Brasília não tem praça, então fica com aspas. Bom, o que eu dizia é que na "pracinha" há uma paineira que me parece ter a altura do prédio (São 3 andares, só. E eu não tenho A MENOR noção de altura, distância e todas essas coisas em que cérebro masculino se sai melhor) e dá uma sombra bem legal quando tem folhas. Sim, porque ela perde todas as folhas na floração e quando as flores caem também, ela fica com um aspecto de morta. Mas morta com umas coisas penduradas. Umas coisas com formato meio de abacate, meio de sei-lá-o-que. Dessas coisas com formato vago sai uma fibra branca, muito parecida com algodão, usada em enchimento de travesseiros e bonecos de pano/pelúcia e usado como tapete na tal pracinha. O chão fica todo branco e os passarinhos ajudam a tirar a fibra de dentro do fruto misterioso. Tiram a fibra e fazem uma algazarra gigante. Semana passada havia um monte de periquitos aqui. Se você faz idéia do barulho que um periquito faz, imagine meia dúzia (e agora, nesse momento, numa olhada rápida, embora atenta, acabo de contar oito) deles gritando alegremente na janela do seu quarto. Corri pra tirar uma foto, mas não sei se ficaram boas; não revelei o filme ainda (Yes! Fotos com máquina analógica: trabalhamos). E essa semana, quando chegava em casa leve e tranqüila vi um passarinho enfiado até os coco a cauda num fruto de paineira; foi bonitinho, mas a sacola de compras estava pesada e meus bracinhos pediam arrego (e olha outra quase metáfora aqui de novo!).

Agora, que tá tudo assim, meio neve (?), meio tapete que o cachorro estraçalhou é bonito de olhar. Dá um ar meio etéreo pra rua, uma coisa meio conto de fadas. E aumenta minha vontade de ficar na janela (ok... qualquer coisa pode aumentar essa vontade. Eu realmente gosto de janela).



A foto tá horrenda, eu sei. Mas deixa, tá? Era agora ou jamais.
E serve pro Fellipe lembrar de como é. =)



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A propósito, geral surtando, porque eu gripei depois do primeiro dia de UnB - e de passar uns minutinhos num hospital cheio de gripados. Apesar de que acho que não é agora não, viu? Ainda não errei tudo que tenho pra errar.
Anyway... se a H1N1 passar por aqui, faço o relato de alguém que participou da epidemia (considerando que eu sobreviva, claro).

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_Que vocês querem ouvir?
_Qualquer coisa, mas coloca Hotcha girls antes.
_Mas ela é triste.
_Mas é bonita. E gostosa. E não é triste. Tá. Bota outra coisa. [/canta sozinha, no "mute"]

2 comentários:

Bowler Hat Strange Guy disse...

Coisas que só o Cerrado faz por nós...

Ainda me lembro da manhã em que eu voltava dum sonho acordado — noite muito além do que eu costumava chamar de surreal, e sem qualquer artifício químico — pra entrar noutro sonho, dessa vez com estes ares pela visão que se deslindava à minha frente: branco entre as árvores, na atmosfera do alvorecer, e branco no chão onde eu caminhava.
Eu estava acordado.

Obrigado, chuchu, pelo presente. Não me esqueço nunca, mas a crônica e a foto ajudam a fortalecer a lembrança...

Beijos e bons sonhos desperta aí na cidade que já foi uma de minhas casas!
;***

Joyce Pfrimer disse...

O cerrado tb me encanta! Período de seca ou não...

Tadinha da mayrocas! Ta dodói!
Vê se melhora, q eu não quero pegar essa gripe do porco gripado não!

=*