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segunda-feira, 31 de maio de 2010

das tradições



Cenário: ônibus andando pela W3, sentido sul-norte, altura da 09 norte. Personagem: eu.

Por alguma razão, que ainda me foge à compreensão, o tema "casamento" pipocou na minha cabeça e, mais ou menos como naquelas entrevistas da Marília Gabriela, uma palavra foi puxando a outra e eu parei em "tradição".
[Lembrei agora da razão: o casamento da minha amiga-irmã em julho]
Não sou defensora das tradições familiares e religiosas, não acredito que família tem que ser formada por pai, mãe e três filhos, sendo que o do meio tem que ser menina, caso os outros dois sejam meninos e vice-versa. Não acho que duas pessoas só podem morar juntas se um padre/bispo/vigário/pai de santo/juiz de paz abençoar, nem creio na virgindade como pré-requisito para uma vida conjugal feliz. A despeito disso, não recrimino quem queira se casar na igreja - e gastar o dinheiro de uma puta viagem - , de quem acredite que crianças precisam ter irmãos e tralalá. Aaan... oi? 
O que me irrita, na verdade, é essa necessidade de botar a própria opinião como verdade absoluta. Você não gostar de abóbora, não significa que abóbora seja nojento [aliás, convenhamos: abóbora é uma das provas da existência de uma força superior. O purê de abóbora é outra.] e eu gostar de rúcula não a transforma numa coisa doce para os outros. O pior é ver pessoas tidas como esclarecidas fazendo afirmações agressivas acerca de quem se casa ou resolve ter filhos - ou os tem sem resolver [aí merece bronca] - ou vai morar com outra pessoa, ou pede benção para a mãe quando acorda, ou diz "Amém" como resposta ao "Saúde!" nosso de cada espirro. 
O que me leva a um outro ponto, discutido na estrada essa semana. Gente que toma como ofensa o "Vai com Deus" dito por outras pessoas. Acorda? Isso é alguém querendo que você esteja bem. Que mal há nisso, mesmo? Se houver algum, por favor, me digam, que a bocó aqui não se incomoda at all com expressões de preocupação ou desejo de bem estar. E, sei lá, vai que é um troço ruim...


Aonde eu quero chegar com essa conversa?
A lugar nenhum. Tô aqui só exercitando o meu poder de escrever o que eu quiser quando eu bem entender. Alguém me freia? =P

13 comentários:

Letícia disse...

Freio não. :P
Tou precisando exercitar mais disso, também.
E nem me fala, essa coisa de colocar a opinião como verdade absoluta é uma das top 3 coisas que me irritam nas pessoas. Vide o twitter. Cê não pode falar de nada se uma pessoa na sua timeline não gosta daquilo. Não pode falar de Lost, não pode falar de BBB, de futebol, não pode comentar a cerimônia do Oscar. Sempre tem um chato pra achar que todo mundo tá conspirando contra ele, só pq ele não gosta daquilo. Arre.

Alex disse...

Estamos juntos, pra que freio?
Vou te dizer q minha vida no último ano alguém colocou num potinho e sacudiu, depois me jogou pra fora e falou: "Te vira, malandro!"
Até ano passado eu nem pensava em casar ou morar com alguém, morava só e tava bom assim, mas se fosse pra morar com alguém sempre pensava em fazer o q a maioria (?) diz q é certo, casar na igreja, festa, rios de dinheiro q não tem pra começar uma vida a dois bem bonitinho e endividado.
Bom, nem preciso te dizer o q aconteceu... hehe...
Mas diz aí, dar essa viajadas no busão é bem bacana, né? Ruim é q eu esqueço qse td qdo desço...

Tati disse...

Quer um lugar bonito para esses lugares-cumuns e donos-da-verdade? Escritório de Contabilidade. Oi, sou contadora, CALCULE. Nessas desenvolvi uma habilidade de não me irritar quando começam com esses discursos. Consigo mesmo achar graça em gente assim. Penso: "Olha, que fofo, um preconceituoso! ^_^". Só assim prá sobreviver. Tudo me diverte. Ou, pelo menos, tento me divertir. =D

Cachorro de 3 pernas disse...

FREIO nada, vai com deus escrevendo aê. hauhauah
Ah, eu não gosto de tá na rua e ler cartazes 'Jesus te ama' 'deus ajuda' essas merdas, mas não recrimino exatamente quem fala 'vai com deus'e outras expressoes ditas religiosas. Eu mesma as falo por simples hábito que, como eu sei que eu falo, já poderia ter mudado ou me policiado, mas eu gosto. E falo deus com a mesma frequência que falo caralho. E mais! Uso os dois na mesma frase, humpf! Viva a blasfêmia :P

Juliana Dacoregio disse...

Pois é, no meu período de ateísmo militante (vergonha mode on) comecei a implicar com os "vai com deus" e "se deus quiser" da vida. Mas depois taquei um sorvete na testa e percebi o ridículo da situação. Se bem que o "se deus quiser" me intriga desde criança. Pensava "ué, mas a pessoa não quer fazer? então pq ela fala "se deus quiser"? e se deus não quiser"... Coisas de criança que não sobe em árvore, nem rala o joelho e fica filosofarofando pra compensar.
Mas esse negócio de pressão qto a casamento é um saco mesmo. Pq é assim, tá namorando - quando é o casório? - casa - e o baby? - tem filho - já tá na hora de encomendar mais um né? E assim vai. Quando casei isso me incomodava demais! Eu dizia "eu casei porque amo ele, não casei pra procriar". Ficava fula da vida realmente.

Camila disse...

Eu casei na igreja para satisfazer uma vontade enorme da minha avó que teve três filhas e nenhuma delas quis casar. Sobrou pra mim.
...
Hoje eu tenho aquela sensação que fiz algo contra minha vontade e que vou me arrepender pelo resto da minha vida. oh, welll... fazer o que?!
...
enquanto a vc escrever o que deseja - te escrevo: podemos escrever sobre quase tudo só não dá pra escrever sem alma.


beijos daqui...

Caracol Menina disse...

"FREIO nada, vai com deus escrevendo aê."

Bem, concordo com seu amigo aí de cima. Não gosto muitooo desses cartazes (se bem que Deus sempre me manda uns recadinhos). Mas vindo de alguém querido e tal, acho que há um valor inestimável.


Sobre casar, concordo ctgo, fofis. Na verdade, sobre a festa de casamento, já conversei com o Mô que troco (a possível festa) por uma baita viagem à Cuba, ou Budapeste ou Praga ou Dublin ou tudo junto. só isso.

:)

* A "necessidade de botar a própria opinião como verdade absoluta" é uma tentativa louca de se auto-afirmar.

=**

Débora. disse...

=) Não mesmo.

Cris disse...

A intolerância com comportamento alheio virou moda, no twitter é explícito. Como estou ali para relaxar e compartilhar da companhia de quem eu gosto acabo relevando/ignorando. Para esses radicais da crítica só posso repetir o que diz a Hianna: "vocês são uns imaturos!"

Joyce Pfrimer disse...

nos últimos tempos eu tenho procurado ser menos preconceituosa e aceitar mais as pessoas como elas são...e é difcíciiil!
logo eu que me acha tão livre de preconceitos...tenho muitos, tenho demais...mas me conservo calada...pra poder respeitar...

e de repente vc começa a gostar da pessoa justamente por causa daquela individualidade que te incomoda...comigo acontece assim...e parece q não tem o menor sentido isso q eu to falando...haha!

escrevi um monte pra compensar o tempo de ausência...

=*

Toni Barros disse...

Concordo plenamente.

Especialmente com a parte sobre as abóboras. E o purê.

Livia Holanda disse...

Escrevi sobre casamento e todas essas pretensas obrigações do rito ou do não-rito que cercam a questão. E blé! Cada um no seu quadrado no final das contas, né?

É chato quando a intenção da parada é super do bem e a interpretação vem toda torta. Eu tinha uma amiga que falava "Amém" em vez de "Saúde" quando alguém espirrava e eu achava aquilo de outro mundo... tentava corrigir: ei, o amém é tipo um "assim seja", não concorde com a doença. Dã! Só depois caiu a ficha que eu poderia estar agindo idiotamente. Ela só queria desejar coisa boa, na real. Que que custa ter boa vontade para entender a intenção da parada toda, né? Boba eu, nesse caso. E em muitos outros. A gente, às vezes, tem as manhas de mal entender.

Acho que entendo onde você quer chegar... E eu também quero ir pra lugar nenhum com tudo isso. :)

E, cá pra nós: nem adianta, esse negócio de ter blog é que há de mais freioless no mundo.

Anônimo disse...

"Gee, Mrs. Steward, you sure know what’s good," one handsome teen raves (although he disconcertingly appears to be eyeing her twin daughters rather than her pie).
He dropped the pies.