.
.
.
.
.

terça-feira, 15 de junho de 2010

dos relatos




Desde criança ouço falar de greves. Pra mim, quando minha mãe dizia que os bancários estavam em greve era algo muito parecido com ela estar de férias. E isso era bom.

Na semana passada eu vi um cartaz que informava de uma greve dos rodoviários a ser iniciada na segunda feira, dia 14. Fiquei meio preocupada, já que sem ônibus complicaria pra eu trabalhar. Mandei um e-mail pro chefe, que me deu a melhor resposta ever: "Se tiver greve, me liga, que eu resolvo." Quer dizer... meu próximo passo foi oferecer metade do meu salário pra ele administrar com essa competência as outras áreas da minha vida. Tô no aguardo da resposta.
Do que eu falava, mesmo?

Ah, sim. Greve.
Na segunda de manhã os ônibus circularam com catraca livre e ao invés de um problema, foram uma graça na vida da galera. Como só saí do conforto do meu lar à tarde, não peguei essa mamata.
Na volta pra casa, tendo terminado a jornada uma hora antes do previsto, fui para a lindíssima W3 Sul, esperar meu motorista. Passou um, que ia meio que pro lado oposto ao que eu queria, mas que morria no terminal central dos baú. O cobrador gritou o seguinte pra quem estava na parada:
_Os carro já tão sendo recolhido! Quem quiser ir pra rodoviária entra aí pela porta de trás. A gente passa pelo Sudoeste, mas vai pra rodoviária depois! [sic]

Com medinho de ficar sem transporte, entrei. Demos aquela voltinha marota, durante a qual houve explanação do cobrador a todos os interessados na situação. Ele foi bem didático e disse que queria mesmo era que nenhum ônibus rodasse no dia seguinte, porque não estava com nem um pouquinho de vontade de trabalhar no dia do jogo.
Andamos, andamos e chegamos perto da rodoviária [creio ser conveniente citar que nesse "perto da rodoviária" o automóvel foi acertado por algumas pedras vindas do NADA. Tinha ninguém lá, mano. Tá, deviam estar escondidos. O fato é que eu não vi quem foi e as PREDA acertaram o meu pedaço do ônibus. Foi bem desagradável] . O caminho convencional parecia estar interditado e o motora pegou um desvio-padrão. Assim que nos aproximamos da rodoviária novamente, ouvi uma sirene, vi uma viatura e reparei a pista semi-interditada.

Cagaço define.

Uns 10 ônibus parados no Eixo Monumental, mais uma meia dúzia, pelo menos, na pista em que estávamos. Gente gritando, batendo no ônibus, gritando pros passageiros descerem. Puliça andando no meio dos manifestantes. Não cheguei a ver o fogo que atearam no lixo, grazadeus, porque, olha, se tivesse visto, já podiam chamar a ambulânça. Teria sido muito susto pro meu coraçãozinho frágil.
Desci tentando fazer a acostumada com a situação, localizei os policiais, passei longe deles, mas à vista, porque vai que, né?, firmei a postura e caminhei diretamente ao ponto que eu achei que fosse mais seguro pra uma donzela indefesa naquele pandemônio.
Não havia a lotação salvadora onde costumo achá-la, então fiz o mais sensato: FUI PRO SHOPPING. 
Depois disso nada mais de interessante, além do fato de ter comprado um chinelo cujas tiras são transparentes. Ah, sim, rachei o taxi da volta pra casa com um cara que também vinha pros lados de cá. Essa parte foi bem menos emocionante.

A noite terminou bem [pra mim], mas fica aí o meu apelo pras empresas de ônibus: Paguem logo o que a galera quer [e de preferência, sem mexer no preço da passagem, que já tá bem foda]. Mais uma dessas e sai no jornal que jovem professorinha de óculos e all star muito sujo desmaia no meio da manifestação, causando tumulto e alguns feridos.

E isso porque quando saí de casa NÃO apertei o botão de "Com emoção". Tenho certeza.


7 comentários:

Alex disse...

Caraca, vida loka no planalto central...

Eu acho greve uma filhadaputice com perdão do palavrão, pq só fode (mais um palavrão) o povo.

Libera a catraca e assim os empresários negociam rapidinho.

O punk é q todos tem q fazer assim, aí uns não fazem e tacam PREDA nos fura-greve.

Fico feliz q vc está bem.

E SEMPRE SEM EMOÇÃO, SEMPRE.

Cris disse...

gentes, que situação, ainda bem que não aconteceu nada com você!
mesmo narrando um perrengue seu jeito de escrever continua gostoso de ler e bem-humorado ... bjs

caracol menina disse...

hahahah
pode rir um pouquinho né? mas é da maneira como vc conta. Uma quase tragi-comédia.

creia, minha querida, por pior dos piores, Deus te ama!

da(s) próxima(s) vez(es) que sair, aperte o botão 'deus me abenções hoje também e sempre', pq não se pode advinhar quando uma aventura dessas vai acontecer.
e essa chinela?? rs

até breve!

caracol menina disse...

uma vez eu voltava do shopping com meu namôr, e de repente: páááááá! uma pedra bem na minha janela. eu que sempre prefiro as janelas...
do nada. nem protesto estava acontecendo.
por pouco não acertou minha cabeça. pegou uma pequena parcela do meu ombro. e a pedra media uma folha de papel A4 bem amassada.

foi rindade dois boy mermo (paraibanês).

caracol menina disse...

mas tu estás popular hein?! rs rs

Tati disse...

Só posso sentir amor por uma pessoa que escapa de uma baderna causada por grevistas e vai se refugiar em um shopping, onde compra um lindo chinelo de tiras transparentes. Só amor, sério. :*****

Joyce Pfrimer disse...

Coisa de louco!!!
aff!

Mas importante é a boa história! Já vai poder contar pros netinhos q participou de uma manifestação, nem que seja de gaiata!