.
.
.
.
.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

dos pensamentos



Uma inquietação, textos largados pela metade, conversas interrompidas, compromissos desmarcados sem um mínimo de remorso. Essa era a vida havia mais de seis meses. Não que tudo nessa vida o desagradasse, gostava de não fazer muitas coisas por dia e de inventar doença para ficar quieto, sozinho em casa.
Cogitou um quadro de depressão, mas imediatamente descartou, pensando "eu paro quando eu quiser" e riu quando percebeu a conversa de viciado. Reparou que sua memória era sua pior inimiga e ficou tentando lembrar de quem seria esa frase, porque, oras, uma frase dessa necessariamente deve ser atribuída a  algum autor, de preferência Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu, Luiz Fernando Verissimo, ou Schopenhauer.
Pensou também que deveria ocupar mais o corpo, porque a mente, esta se negava a ser domada. Uma megera. Ouvia música, reclamava da vida, irritava-se com os outros - o filme e as pessoas -, maldizia o cachorro do vizinho e pensava em mudar de cidade. Lia um pouo. Assistia um pouco. Comia - dificilmente na quantidade certa. Ou pouco, por falta de apetite, ou demasiado, por gostar demais do que comia. Via poucos amigos, mas até aí tudo bem, porque não tinha muitos, mesmo.
Saiu pra dar uma volta, viu no poste um anúncio "Madame Maricota traz seu amor de volta em 15 dias" e em letras bem pequenas: "porque cobra mais barato que a concorrênia", pensou que era a mandinga chegando a todos os estratos sociais, despensou esse pensamento e omeçou a rir sozinho. Deu uma tossida pra disfarçar e tropeçou. nunca fora bom em disfarces mesmo. Começou o caminho para casa pensando num texto fantástico, resolveu correr, chegou à sala de asa botando os pulmões pra fora, resolveu tomear um banho antes de começar a escrever. 
Lembrou-se do último banho que tomou com uma moça de quem gostava muito. Entristeceu-se.
Sentou-se à frente do computador, abriu o editor de texto. Escreveu duas linhas que não tinham nada a ver com o que havia pensado no caminho. Mandou meia dúzia de tweets simpáticos e/ou engraçadinhos, ligou a TV, se afundou no colchão em frente a ela e permaneceu lá o resto do dia. 


Sentiu uma inquietação pelos textos largados pela metade, as conversas interrompidas...

7 comentários:

Tati disse...

'What is your destiny?' the police woman said....(20% amnesia). The word that she wanted was destination i’m afraid (20% amnesia). This is your future boy, this is your fate (20% amnesia). And you’re obsolete and they can’t afford to educate you (20% amnesia).

Um pouco de amnésia é sempre necessária. Uns 20%, pra começar.

Alana Ávila disse...

concordo plenamente com a tadsh.

Cris disse...

Cê escreve bem demais!
E quanto às sensações, tão familiares pra mim! Mas como já disse, tudo passa!
beijos

Livia Holanda disse...

"Madame Maricota" é só pra deixar claro q cê manda bem demais. E todo o resto também.

Toca aqui _o/

Ju Dacoregio Paperback Writer Girl disse...

Que texto foda! Adorei.

Ericka disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
hipervitaminose disse...

Esse é mais um blog que visitei infintas vezes e nunca comentei... Nunca achei que os donos dos blogs realmente LESSEM os comentários, até eu tb me tornar dona de um blog!
Lindo texto, pra não dizer dos outros 72363564546 lindos que eu já li aqui!

Um bju! =]