.
.
.
.
.

sábado, 5 de novembro de 2011

dos usos da comida



Eu amo comida. 
"Novidade!", dirá quem já conversou meia hora comigo, quem sabe das mudanças que fiz recentemente na minha vida, quem lê o Conge há algum tempo ou quem frequenta o Flocos Crocantes.
O lance é que eu fui lavar um pêssego hoje e me lembrei da minha falecida avó. Quando queria me agradar, ela fazia compota de pêssegos, um frango mui sensacional que era empanado com queijo, ou coalhada seca. Ou os três. Minha mãe usa amêndoas confeitadas para este fim. Tendo aprendido a viver num mundo em que agradar às pessoas de quem se gosta é hábito, internalizei a coisa de modo brutal e faço carne com molho de queijo para a mãe, batatas para a irmã e bolo de mandioca para a afilhada.
Gosto de ver as pessoas comendo, se for algo preparado por mim, gosto mais ainda. [Oi, Narciso, é você?] Talvez isso aconteça porque eu realmente aprecio comida. Já levei muita bronca por me distanciar da conversa e esquecer que existia no mundo qualquer coisa além do que eu comia.

Quando estudava História da Gastronomia, me interessei muito pelo momento em que o alimento deixa de ser uma necessidade estritamente fisiológica e passa a funcionar como elemento social, agregando - e mesmo causado discórdia - entre pessoas.
Comida para impressionar; comida como paliativo para dores, para algumas faltas; comida como demonstração de cuidado, de carinho, comida como agradinho e até comida como arma de sedução. Ela se presta a vários papéis e, se nada mais interessar, ainda tem o conforto físico que ela pode proporcionar.

Revendo minhas últimas escolhas, percebo que acertei várias delas - ou que elas têm potencial para não darem em merda - e a de fazer de um prazer a minha profissão parece ter sido a mais correta. Vamos acompanhar.

Ali em cima, onde falei das coisas que algumas pessoas minhas gostam de comer, deixei de citar o Miguel. Ele é a criança que mais curte bolos no mundo e come com cara boa de dar invejinha. E tem um adicional de fofura, claro.  

Meguel, que confeitou e comeu o bolo mais melequento da cidade.

Eu vivo pra isso. :)